Apple TV revela que o Brasil é seu segundo maior mercado no mundo
28 Feb, 2026
O Brasil é o segundo maior mercado do Apple TV+ no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. A revelação foi feita por Eddy Cue, vice-presidente sênior de Serviços da Apple, em entrevista à Folha de S. Paulo. Segundo o executivo, o país não só ocupa a segunda posição em quantidade de assinantes como também é o mercado que cresce mais rapidamente no mundo.A declaração surpreende pelo peso simbólico: a Apple nunca produziu uma série ou filme original em território brasileiro. Enquanto concorrentes como Netflix, Amazon e Disney já estabeleceram polos de produção locais há anos, a fabricante do iPhone ainda não bancou nenhum projeto nacional. O Brasil, portanto, alimenta o crescimento da plataforma sem que a plataforma, até agora, tenha investido diretamente em histórias brasileiras.Leia mais:Apple começa pedir verificação de idade para download de apps no BrasilHonor revela integração dos seus celulares com o ecossistema da AppleApp Mapas da Apple ganha recurso que permite ver em detalhes os circuitos da F1 2026Quando o Brasil vai ter conteúdo próprio?Cue reconheceu a lacuna, mas sinalizou que uma mudança não deve acontecer no curto prazo. O executivo explicou que o modelo da Apple é focado exclusivamente em produções originais de alta qualidade — a empresa nunca licenciou séries ou filmes de terceiros — e que esse padrão exige tempo para ser replicado em novos territórios.“Não funciona tão rapidamente quanto eu gostaria, especialmente se você quer ser realmente bom, mas chegaremos lá. Sei que os brasileiros querem qualidade, eu aprecio isso, e sei também que no Brasil há muita oportunidade para criar bons conteúdos”, disse Cue.A plataforma já expandiu sua produção para além dos EUA, com séries e filmes originados no México e na Colômbia. O Brasil, com sua base expressiva de assinantes — mesmo após o reajuste no valor da assinatura do Apple TV+ no país —, aparece como candidato natural para os próximos passos, mas sem prazo definido.Regulação do streaming no radarCue também foi questionado sobre a regulamentação do streaming no Brasil, que tramita no Congresso Nacional e prevê cotas obrigatórias de conteúdo nacional para plataformas estrangeiras. O executivo afirmou estar ciente das movimentações legislativas, mas foi categórico: “não temos nada para anunciar agora”.A postura cautelosa reflete o dilema da Apple: quanto maior a pressão regulatória, maior a urgência de investir localmente. Por outro lado, o calendário de produção da empresa — que prioriza qualidade acima de volume — não se adapta facilmente a prazos impostos por lei. O tema deve ganhar relevância à medida que o marco regulatório do streaming avança no Brasil.O cinema como estratégiaA Apple mantém o compromisso com lançamentos nas salas de cinema por meio de parcerias com distribuidores tradicionais. O modelo fica claro no exemplo de Assassinos da Lua das Flores, de Martin Scorsese, lançado globalmente pela Paramount antes de chegar ao Apple TV+. Apesar das bilheterias globais sob pressão, Cue defendeu a experiência coletiva:“Não há substituto para essa experiência, para ver um filme coletivamente, para ir a um encontro no cinema, para curtir a noite com os amigos ou os filhos vendo um filme. É algo realmente único e que eu acredito que vai se tornar ainda mais valioso com o tempo.”Divulgação/AppleO executivo admitiu que o cenário está desafiador, com o público cada vez mais exigente para deixar o conforto de casa, mas reforçou que a Apple não abre mão da grande tela como vitrine de prestígio — postura que a diferencia da Netflix, que anos atrás chegou a romper com o Festival de Cannes por priorizar lançamentos diretos no streaming.Apple TV, Netflix e o futuro da WarnerO executivo também comentou sobre a tentativa da Netflix de adquirir a Warner Bros. e a HBO — movimento com impacto direto na Apple, parceira da Warner no filme F1: O Filme, indicado ao Oscar e sucesso inesperado de bilheteria em 2025. Para Cue, a fusão não representa uma ameaça:“Temos um ótimo relacionamento com a equipe da Netflix, eu os conheço há muito tempo, e isso também é verdade sobre a nossa relação com a Warner. Eles estão falando publicamente sobre lançar filmes nos cinemas e eu conheço o Ted muito bem. Bem o suficiente para achar que vamos continuar trabalhando juntos no futuro.”Na mesma semana da entrevista, a Apple anunciou uma parceria com a Netflix nos EUA para disponibilizar a nova temporada de Fórmula 1: Drive to Survive no Apple TV — serviço que, no Brasil, também transmite gratuitamente jogos da MLS a partir de 2026. Um sinal concreto de que as duas empresas já colaboram, mesmo sendo concorrentes no streaming.Conteúdo Relacionado novidadesHuawei lança Watch GT Runner 2 e reforça ecossistema premium em evento global em MadriFonte: Folha