Presidente da CPMI é evangélico e tem cara de bom moço, mas o que ele fez é próprio de um marginal
28 Feb, 2026
Prints da imagem da votação da CPI juntados na representação protocolada ao presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, não deixam dúvida de que ocorreu nesta quinta-feira um golpe no parlamento brasileiro. Os prints mostram que a maioria presente rejeitava os requerimentos pautados em bloco. Mas foi a minoria que venceu. Como assim? É que o presidente da CPMI, contrariando a praxe, decidiu contar os que eram maioria e fez uma soma que não corresponde aos fatos. Isso é mentira, é roubo, é golpe. E a constatação é óbvia, a começar pela forma como a votação se deu. Votação simbólica é uma mera formalidade, em qualquer parlamento do mundo. Quem cobre o Legilativo sabe disso. Quem é parlamentar, mais ainda. Pergunte a Chat GPT em que circunstância ocorre a votação simbólica no parlamento. E a primeira resposta será: “Quando há consenso ou maioria clara”. A maioria clara já tinha se manifestado, em votação nominal, no escrutínio anterior, quando dezoito parlamentares decidiram rejeitar em bloco todos os requerimentos, já que até o garçom que serve o cafezinho não tem dúvida de que esta CPMI foi criada e está sendo usada como palanque eleitoral, em ano decisivo para o futuro da democracia no Brasil. Os golpistas não tinham votos para aprovar em bloco. Tanto que apenas sete permaneceram como se encontravam, na hora da votação. Sete não derrotam catorze - na verdade, como mostrou a votação anterior, dezoito queriam interromper a manobra perversa, com a votação em bloco. E os golpistas sabiam que seriam derrotados. Mas, aí, se revela o chefe da gangue, o presidente da CPMI, Carlos Viana, que que tem cara de bom moço, como em geral os evangélicos têm. E, na sessão, o crente desonesto conta: “Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete”. Seria correto se o golpista estivesse contando quem estava sentado. Mas não. Ele contava os que estavam em pé, contrários à aprovação dos requerimentos. “Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete”, disse, como faria um ladrão. “A pauta está aprovada”. Os que venceram a votação se indignaram, e foram para cima do malfeitor. E quem na vida comum não reagiria assim ao contatar que a carteira lhe está sendo roubada? Ou quando um estuprador é pego violentando uma pessoa? A sorte dele foi que os políticos se contiveram ou foram contidos, porque, em situações como esta, poderia ter tomado um soco na cara. Porque o que ele fez pode ser interpretado como roubo. Depois, ele admitiu que errou na conta, mas manteve o resultado. Se o cliente da Lagoinha conhece a Bíblia, sabe que Deus condena, fortemente, a fraude, fala que é abominação errar no peso dolosamente, ter duas fitas fitas métricas. Se eu acreditasse que existe inferno, esse desonesto faria companhia a Satanás e arderia, eternamente. Como não acredito que exista inferno, deve pagar pelo que fez. Por isso, Alcolumbre deve anular a votação e mostrar que a Constituição, que consagra o poder popular, expresso pelo voto de parlamentares, ainda vigora no Brasil.