Acordo entre Brasil e Coreia do Sul promete alavancar produção e pesquisa em agricultura
28 Feb, 2026
*Manuela Sá Fique por dentro das notícias que importam para você! O , com foco em parceria científica e tecnológica nas áreas de agricultura, recursos naturais e desenvolvimento sustentável, foi um dos assuntos tratados pela analista da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e responsável pelo Laboratório de Cultivo de Cogumelos, Loeni Ludke Falcão, durante o programa — parceria entre o e a desta sexta-feira (27/2). Aos jornalistas Mariana Niederauer e Marcelo Agner, ela falou, também, sobre o curso para cultivo de cogumelos comestíveis e medicinais e a versatilidade desse fungo. Confira, a seguir, os principais pontos. O acordo abrange um escopo muito maior que o cultivo de cogumelos, mas nós, do Laboratório de Cultivo de Cogumelos, buscamos essa colaboração com a Coreia, porque ela tem muito a nos oferecer em termos de experiência para melhoramento genético, produção de variedades que atendam tanto às especificidades da gastronomia quanto às voltadas para produtores. Além disso, eles têm muito a nos oferecer em termos de Smart Farm, o processo de automação do cultivo de cogumelos. Asiáticos culturalmente produzem e consomem cogumelos há milhares de anos. Então, é uma cultura que a gente pode aprender. Não buscamos apenas essa parceria técnica para pesquisa, mas também treinamento de pessoas. A gente vai abrir as inscrições em breve, possivelmente, na segunda quinzena de março. É um curso intensivo, durante uma semana. A gente ensina a isolar o micélio, colocar na placa de petri, fazer o que chamamos de semente, que, na verdade, é o inóculo, para ser colocado na serragem, no capim, com a devida formulação. Também vamos mostrar como a gente induz o corpo de frutificação, como colhe e como embala. O curso tem aulas teóricas com diversos professores experientes, que são empresários, produtores de cogumelos e pessoas da Embrapa. É uma imersão de uma semana no mundo do cultivo de cogumelos. Não. A gente, normalmente, pede que a pessoa leia um pouco sobre o assunto, entenda o que é fungo. Mas a gente faz um nivelamento, traz as informações básicas para que qualquer pessoa de qualquer área possa acompanhar o curso. É utilizada, especialmente, a espécie Ganoderma lucidum, mas não somente ela. É o chamado couro vegano. Então, o micélio é tratado, produzido de uma maneira específica e tratado, substituindo o couro animal. A gente tem várias marcas. É claro que o custo desses objetos feitos com esse couro ainda é alto, mas é uma possibilidade. E, inclusive, a gente tem muitas pessoas estudando no Brasil para desenvolver, para que a gente tenha acesso a esse tipo de material de forma mais barata. Os cogumelos psilocibinos, os que produzem essa molécula chamada psilocibina, que tem efeito alucinógeno nas pessoas, têm várias espécies. É possível encontrá-las em toda a América. No Brasil, é proibido vender qualquer coisa que contenha a psilocibina. Existem empresas que buscam a Embrapa para parceria na produção de medicamentos, especialmente voltados para ansiedade e depressão. Nós, da Embrapa, entraríamos na parte do cultivo. Ainda não fazemos isso, mas estamos sendo procurados e estudando a possibilidade de desenvolver esse tipo de projeto. A gente sai daquele modelo de uso informal, de qualquer jeito, para um uso controlado, orientado por médicos. Nós iríamos auxiliar com a parte do cultivo de produção de matéria-prima, caso decidíssemos participar desse projeto. Isso. O que nós sabemos fazer é a parte de cultivo e de estudos. O cogumelo medicinal é uma fonte de moléculas que podem gerar soluções para a humanidade. A China utiliza cogumelos como base de formulações de fitoterápicas há milhares de anos. Eles sabem como fazer, têm tradição, conhecimento. Por isso, a gente está buscando essa parceria. Buscamos com a Coreia, estamos buscando agora com a China também a possibilidade de trabalhar com eles, já que eles são os grandes produtores de cogumelos do mundo, tanto comestível quanto medicinal.