Críticos internacionais miram os vinhos brasileiros

admin
28 Feb, 2026
O britânico Tim Atkin MW lançou nesta semana seu primeiro relatório sobre os vinhos brasileiros, com a avaliação de 215 rótulos nacionais. Deu notas altas – a pontuação máxima foi 95, em uma escala de até 100 pontos, para quatro vinhos, o DNA 99, safra 2022, da Pizzato, e o Merlot Barricas 2022, da Berkano, nos tintos, e o Blanc de Noir Brut 2021, da Cave Geisse, e o Ouro Extra Brut, da Don Giovanni, nos espumantes. O guia de Atkin também colocou no pódio, com 12 categorias (veja no final do texto), os enólogos Daniel Dalla Valle, da Casa Valduga, como enólogo do ano; Eduardo Strechar, da Cata Terroirs, como jovem enólogo do ano, e Flávio Pizzato, da Pizzato, como enólogo lendário.A aposta de Atkin ao lançar este relatório aponta o crescimento da relevância do Brasil no mercado do vinho. O crítico, hoje, é uma das únicas 422 pessoas no mundo que pode adicionar as duas letras mágicas (MW) a seu sobrenome, a abreviatura de Master of Wine, um dos títulos mais difíceis e cobiçados deste segmento. Seus reports, de grande influência no exterior, são conhecidos por indicar tendências e pelas análises precisas do mercado avaliado, com foco no consumidor europeu. Até então, os vinhos brasileiros eram avaliados apenas pelo crítico chileno Patrício Tapia, que incluiu os nossos rótulos a partir da edição de 2015, do seu guia Descorchados.O guia brasileiro chega ao mercado 15 anos depois de Atkin lançar a sua avaliação dos vinhos da África do Sul, o que faz anualmente deste então, e também de mercados como Rioja e Ribera del Duero (seu trabalho tem um foco grande nos vinhos espanhóis), Argentina e Chile, relatórios que foram lançados nos anos seguintes. Em suas 50 páginas, destaca vinícolas e vinhos já bastante conhecidos dos brasileiros – a maior surpresa são os brancos da Cata Terroirs, de Santa Catarina, e o enoturismo da Floppa & Ambrosi, da Serra Gaúcha. A maioria dos grandes produtores estão premiados, como Aurora, Nova Aliança, Casa Perini, entre outros.“Este é o momento para o mundo olhar o Brasil não apenas com um mercado atrativo para a venda de vinhos, mas como um país produtor, com sua própria identidade, sistemas consolidados e uma história que merece ser contada”, escreve Gabi Zimmer, a especialista uruguaia que assina o report. Gabi degusta com Atkin desde 2021 e, em 2024, assinou a primeira edição do relatório sobre os vinhos uruguaios.A uruguaia Gabi Zimmer na degustação dos vinhos brasileirosPara essa edição, ela veio três vezes ao Brasil no ano passado, em degustações organizadas pela Wines of Brazil. O modelo é o mesmo que Atkin criou para os demais países: em alguns, como os citados acima, ele mesmo prova os vinhos, em outros, delega para degustadores parceiros. “O projeto seguiu o modelo editorial independente dos informes de Tim, com as avaliações e críticas acontecendo com total autonomia crítica”, afirma Gabi para o Paladar.A diversidade brasileira é bastante destacada no relatório. Há ênfase nas três formas de viticultura praticadas por aqui – a tradicional, como acontece no sul do Brasil; a tropical, com as várias podas realizadas no Nordeste, e a poda invertida, que acontece em regiões do Sudeste e do Centro Oeste, com a colheita no inverno. “O desafio internacional é comunicar a diversidade brasileira com clareza”, conta Gabi.E entre os dez pontos que ela elenca sobre os nossos vinhos está no método charmat longo, de segunda fermentação dos espumantes em tanques, como diferenciação, e a nossa afinidade com os vinhos de estilos mais doces, e o papel fundamental do suco de uva no mercado.O Pódio(os destaques do Brazil 2026 Special Report)Enólogo do ano: Daniel Dalla Valle, da Casa ValdugaJovem enólogo do ano: Eduardo Strechar, da Cata TerroirsEnólogo lendário: Flávio Pizzato, da PizzatoMelhor experiência: Floppa & AmbrosiVinho tinto do ano: Pizzato DNA 99 2022, da PizzatoVinho branco do ano: Gran Cata Alvarinho 2022, da Cata TerroirsVinho rosé do ano: Fração Única Rosé Pinot 2025, da Casa PerriniEspumante do ano: Ouro Extra Brut, da Don GiovanniTinto custo-benefício do Ano: Cerro da Cruz Assemblage 2022, da Nova AliançaBranco custo-benefício do Ano: Chardonnay Pinto Bandeira 2025, da AuroraRosé custo-benefício do Ano: Tannat Rosé 2024, da Nova AliançaEspumante custo-benefício do Ano: Ouro Brut, da Salton