Nunca vi o Congresso tão forte, diz Romero Jucá à CNN
28 Feb, 2026
O ex-senador e ex-ministro Romero Jucá (MDB) afirmou, em entrevista ao programa WW da CNN Brasil, que nunca viu o Congresso Nacional tão forte quanto atualmente. Segundo ele, essa força sem precedentes vem acompanhada de um grave problema: a abundância de emendas parlamentares e sua aplicação indevida estão causando sérios danos à credibilidade do Legislativo.“Olha, eu nunca vi o Congresso tão forte ao longo de todos esses anos”, declarou Jucá. Ele explicou que o aumento do poder do Legislativo foi um processo gradual, que começou ainda no governo de Dilma Rousseff com a primeira emenda impositiva, quando “a presidente não liberava recursos nem para os aliados, nem para os adversários”. Esse movimento evoluiu até chegar ao patamar atual, em que o Congresso dispõe de aproximadamente R$ 60 bilhões em emendas para aplicar livremente.Jucá destacou que essa situação criou um desequilíbrio entre os poderes: “Nós temos hoje uma situation de necessidade do Executivo e abundância no Legislativo”. O ex-senador alertou que, paradoxalmente, o mesmo dinheiro que fortalece o Congresso está minando sua reputação junto à sociedade. “Esse mesmo dinheiro que dá força ao Congresso está gerando um desgaste enorme e está levando o Congresso à falta de credibilidade. Por quê? Pela má aplicação dessas emendas”, explicou. Leia Mais Deputados da reforma administrativa votam a favor de penduricalho no TCU Deputadas debatem fala de Lula sobre "baixo nível" do Congresso Zema defende reduzir emendas parlamentares e gastos no Executivo federal Autorregulação como soluçãoQuestionado sobre se essa situação poderia retroceder, Jucá foi enfático: “Isso não tem volta. O dinheiro vai ficar lá”. Ele usou uma metáfora para ilustrar seu ponto: “É aquela história: o leão comia ração. Do dia que der o filé para o leão, o leão não vai voltar a comer ração”.Como solução para o problema, o ex-senador defendeu que o próprio Congresso precisa se autorregular na aplicação dos recursos. “Não é esperar que o Supremo Tribunal, com o ministro Flávio Dino, aponte quem é o deputado ou o senador picareta que está desviando dinheiro”, afirmou. Jucá propôs medidas como maior transparência, acompanhamento das emendas pelas comissões temáticas do Congresso e punição rigorosa para parlamentares que cometerem irregularidades.“Na terceira, na quarta de gola de cabeça, todo mundo ia voltar a ter juízo na aplicação de recursos públicos”, defendeu Jucá, sugerindo que o exemplo de punições severas seria suficiente para coibir desvios. Ele também mencionou que o Tribunal de Contas da União, como órgão de assessoria ao Congresso, poderia ser acionado para acompanhar a aplicação das emendas.Romero Jucá concluiu sua análise defendendo que, no futuro, o Brasil adote um modelo de semiparlamentarismo, pois considera que o atual arranjo político entre Executivo e Legislativo já não comporta os ajustes necessários. “A gente vai precisar fazer reforma política já já e discutir uma série de coisas a partir de 2027”, finalizou. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.