Saiba quais são os principais atores no conflito entre Irã e Estados Unidos

admin
1 Mar, 2026
Os Estados Unidos e Israel lançaram ataques, neste sábado (28), contra o Irã após negociações frustradas e a violenta repressão aos protestos multitudinários exercidos pela república islâmica. Confira a seguir quais são os principais atores nesta crise. O presidente americano Donald Trump Donald Trump, presidente dos Estados Unidos AFP O presidente americano, Donald Trump, prometeu se destacar como um pacificador, mas no caso do Irã, tem adotado a linha-dura. No ano passado, forças americanas apoiaram Israel em sua guerra contra a república islâmica, bombardeando várias instalações nucleares. Durante os protestos multitudinários que sacudiram o Irã em janeiro, Trump advertiu que responderia "muito fortemente" se as autoridades "começassem a matar gente, como fizeram no passado". Em seu primeiro mandato, Trump foi o artífice da doutrina de "pressão máxima", que buscava fragilizar o Irã econômica e diplomaticamente. Em 2018, o americano retirou os Estados Unidos do acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano, que previa uma suspensão gradual das sanções impostas ao Irã em troca de garantias de que Teerã não desenvolvesse a bomba atômica. Os países ocidentais e Israel acusam o Irã de querer desenvolver a bomba atômica, mas Teerã insiste que seu programa unicamente tem fins civis. Em fevereiro, Irã e Estados Unidos retomaram as conversas indiretas, mas Trump continuou com suas ameaças. O aiatolá Ali Khamenei O aiatolá Ali Khamenei, do Irã AFP O líder supremo iraniano, de 86 anos, personificou durante muito tempo a atitude desafiadora da república islâmica em relação a seus inimigos, a começar por Estados Unidos e Israel. No poder desde 1989, Khamenei tem a última palavra sobre todos os assuntos importantes e supervisiona o avanço do programa nuclear iraniano. Ele defende que o enriquecimento de urânio é um direito soberano. Expandir a influência regional do Irã ao Líbano, à Síria, ao Iraque e ao Iêmen tem sido um ponto-chave de sua política externa. Khamenei tem insistido que o Irã "nunca se renderá" aos Estados Unidos e é cético em relação à diplomacia. Durante os diálogos sobre o programa nuclear de 2025, disse que duvidava que um acordo pudesse "conduzir a algum resultado" e argumentou que os problemas do Irã deveriam ser resolvidos internamente. Quando foram retomados os diálogos, advertiu que o Irã era capaz de atingir os navios de guerra americanos destacados no Golfo. "Os americanos deveriam saber que se começarem uma guerra, desta vez será uma guerra regional", advertiu. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu Primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu AFP Durante décadas, o primeiro-ministro israelense denunciou as ambições nucleares do Irã, seu arsenal de mísseis e seu apoio a grupos armados, vendo em tudo isso uma ameaça existencial. A pressão de Netanayhu para que fosse lançada uma ação militar se materializou com a guerra de 12 dias contra o Irã em junho passado. Ele afirma que Israel agirá novamente para evitar que o Irã reforce suas capacidades de ataque. Netanyahu instou reiteradamente o povo iraniano a derrubar seus governantes e restaurar os laços que os dois países tinham antes da Revolução Islâmica de 1979. Este mês, advertiu que "se os aiatolás cometerem um erro e nos atacarem, vão experimentar uma resposta que não podem nem imaginar". Reza Pahlavi, o filho do xá Reza Pahlavi, filho mais velho do último xá do Irã AFP O filho mais velho do último xá do Irã se posicionou como um líder em potencial em uma eventual transição democrática no Irã, um país ao qual não voltou desde a revolução. O príncipe herdeiro voltou a ficar sob os holofotes depois que muitos manifestantes gritaram "Pahlavi voltará" nas recentes manifestações no Irã. O homem de 65 anos convocou os iranianos a se manifestarem e a realizarem protestos em todo o nundo. Radicado nos Estados Unidos, pediu que Washington interviesse diretamente em apoio aos iranianos para derrubar o regime. "Estou aqui para garantir uma transição para uma futura democracia secular", disse Pahlavi à imprensa em Munique em fevereiro. "Chegou a hora de pôr fim à república islâmica", acrescentou, voltando a pedir "ajuda" a Trump. Ele é uma figura divisiva, sobretudo dentro da oposição iraniana. Pahlavi tem sido criticado por seu apoio a Israel, para onde fez uma viagem muito noticiada em 2023. Ele tem se mostrado muito crítico à repressão da república islâmica, mas nunca se distanciou dos abusos cometidos durante a época de seu pai no poder. O príncipe herdeiro Mohamed bin Salman Príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohamed bin Salman AFP O príncipe herdeiro da Arábia Saudita e governista de fato do país Mohamed bin Salman compartilha a visão de outros Estados do Golfo: estão felizes de que o Irã seja fragilizado, mas temem que isto gere instabilidade e caos na região. A Arábia Saudita, cuja população é majoritariamente sunita, é o principal exportador mundial de petróleo e mantém tradicionalmente relações tensas com o Irã, seu rival xiita do outro lado do Golfo. Meses depois de se tornar príncipe herdeiro em 2017, Mohamed bin Salman causou irritação no Irã ao descrever Khamenei como o "Hitler" do Oriente Médio. Mas Riade e Teerã restauraram suas relações em 2023, uma aproximação auspiciada pela China. A estabilidade regional se tornou o principal objetivo da Arábia Saudita, imersa em um processo de transformação centrado nos setores do turismo e dos negócios, com a ideia de reduzir sua dependência do petróleo. Em janeiro, a Arábia Saudita e outros países do Golfo pediram a Washington que se mantivesse prudente em relação ao Irã, disseram à AFP várias fontes da região naquele momento. Mohamed bin Salman prometeu que não permitiria que fossem realizados ataques contra o Irã a partir do território saudita, onde os Estados Unidos têm uma base militar.