Reconheça os sinais da dependência emocional

admin
1 Mar, 2026
A ideia de que "amar é precisar do outro para tudo" ainda é romantizada em muitos relacionamentos. Mas, do ponto de vista psicológico, quando o vínculo deixa de ser uma escolha e passa a ser uma necessidade, é sinal de alerta. A dependência emocional, também chamada de codependência, é um padrão onde a pessoa passa a sentir que só é feliz e completa quando está com o outro, renunciando a si para manter a relação. Segundo a psicóloga Marilene Kehdi, especialista em atendimento clínico, esse tipo de dinâmica compromete a autonomia e a saúde mental. "A dependência emocional é um apego excessivo e doentio. A autoestima, o humor e as decisões ficam ligados à presença, à atenção e à aprovação do outro. Já o apego saudável é um vínculo com proximidade e afeto, mas que preserva a individualidade. A relação é fonte de amor, não de sobrevivência psíquica", explica. Entre os principais indicativos de que um relacionamento está se tornando emocionalmente dependente é o surgimento de medo excessivo de abandono, ansiedade constante, anulação da própria identidade. "A pessoa se anula totalmente, sente culpa ao pensar em si mesma e acredita que não consegue viver sem o(a) parceiro(a)." Outros sinais da dependência emocional são: dizer "sim" quando gostaria de dizer "não", abandonar hobbies e amizades, sentir-se responsável pelo bem-estar do outro e buscar aprovação e validação o tempo todo. "Quando a pessoa coloca o outro sempre em primeiro lugar, abre mão dos próprios desejos e valores, e sente culpa quando tenta se posicionar. Isso não é amor, é dependência emocional", afirma Marilene. A dependência emocional costuma estar ligada à baixa autoestima, insegurança profunda e ao medo intenso de abandono. "Quando a pessoa viveu insegurança emocional na infância, falta de afeto, traumas emocionais ou relações marcadas por rejeição, pode desenvolver crenças negativas sobre si mesma e uma necessidade constante de validação. Na vida adulta, ela passa a viver em estado de alerta, com medo de perder quem ama", explica. Mesmo reconhecendo o sofrimento, muitas pessoas permanecem em relações que fazem mal. Entre os fatores que dificultam o rompimento estão o medo da solidão, a esperança de que o outro mude, o apego emocional e o sentimento de culpa e, em alguns casos, pode estar associada também à dependência financeira. "Não é falta de força de vontade. Existem emoções profundas e crenças que mantêm a pessoa presa à relação", destaca a psicóloga. A boa notícia é que esse padrão pode ser transformado. A psicoterapia ajuda a identificar a origem da dependência, fortalecer a autoestima, a autoconfiança e desenvolver autonomia emocional. "No processo terapêutico, a pessoa aprende a reconhecer seus padrões, a regular as próprias emoções, a dizer não sem culpa e a entender que seu valor não depende da aprovação do outro. O amor-próprio cresce quando ela passa a fazer escolhas que não a machucam", explica. A dependência emocional pode se repetir ao longo da vida quando não há consciência dos padrões internos. Romper esse ciclo exige autoconhecimento, construção de identidade própria e estabelecimento de limites saudáveis. "Quando o vínculo deixa de ser uma tentativa de preencher um vazio e passa a ser uma escolha entre duas pessoas emocionalmente inteiras, estamos falando de amor de fato. Amor saudável é escolha, não é necessidade", conclui Marilene.