Artemis ganha uma Apollo 9 para chamar de sua

admin
1 Mar, 2026
Interessantes mudanças no programa Artemis anunciadas na última sexta-feira (27) pelo novo administrador da Nasa , Jared Isaacman . A mais notável delas é que o projeto ganhou uma Apollo 9 para chamar de sua. Explico: as primeiras viagens lunares tripuladas, nos anos 1960, começaram com a Apollo 7, que em 1968 testou o módulo de comando e serviço (o equivalente de hoje seria a cápsula Orion) num voo até a órbita terrestre baixa. Em seguida, no fim daquele ano, veio a Apollo 8, mais uma vez só com a cápsula, mas desta vez numa viagem até a órbita da Lua e de volta à Terra –o primeiro voo tripulado às imediações lunares. No início de 1969, tivemos a Apollo 9, que testou pela primeira vez juntos módulo de comando e módulo lunar (o que seria hoje o Starship, da SpaceX , ou o Blue Moon, da Blue Origin), mas em órbita terrestre baixa. A Apollo 10, logo em seguida, fez um ensaio geral para a primeira alunissagem, e a 11, em julho de 1969, enfim realizou o primeiro pouso. O programa Artemis, de certo modo, está repetindo a trilha do antigo Apollo, mas pulando algumas etapas. A Artemis 1 foi um voo até a Lua, mas sem tripulação, meio que condensando todos os voos não tripulados feitos com as primeiras cápsulas Apollo. Já a Artemis 2 , como sua predecessora imediata, também será às imediações lunares – o primeiro voo tripulado a ir até lá desde 1972 . Seria o equivalente da Apollo 8, embora com algumas diferenças substanciais (não há parada em órbita lunar). Nos planos originais, a Artemis 3, marcada para 2028, representaria o primeiro pouso lunar tripulado americano do século 21, condensando em uma missão só o que nos anos 1960 foi feito com Apollo 9, 10 e 11. A nova Artemis 3, recém-anunciada pela Nasa, desmembra esses objetivos, e se estabelece como uma modesta missão com perfil similar ao da Apollo 9, em órbita terrestre. É uma Artemis 2.5. Repare que essa nova missão foi agendada para 2027, sem impactar na data do primeiro pouso tripulado, Artemis 4, que segue em 2028. A manutenção do cronograma tem menos a ver com o ritmo da Nasa, e mais com o programa chinês, que pretende fazer o seu primeiro pouso antes de 2030. Os americanos querem chegar primeiro. A questão é que querer não é poder. A adição da nova missão tem um objetivo claro e importante: realizar com mais frequência voos do superfoguete SLS . Até agora, ele voou apenas uma vez, em 2022. A próxima deve vir em breve (no mínimo abril), com a Artemis 2. O novo plano é conseguir realizar um voo do SLS por ano. É essencialmente uma "volta ao retrocesso anterior" –o plano original da Nasa sempre foi lançar o SLS uma vez ao ano. Com menos que isso, é muito difícil criar uma dinâmica de sucesso e aprimoramento voo após voo. Só que não deu certo. A fabricação lenta, quase artesanal, do SLS, somada a seus custos monstruosos, impactou o cronograma (o que colocou a sonda Europa Clipper, originalmente programada para voar num SLS, num Falcon Heavy). Será que desta vez será possível apertar o passo e aumentar a frequência dos voos? Além disso, Blue Moon e Starship estão atrasados. O mais provável é que a nova Artemis 3 acabe voando só em 2028, e a Artemis 4 seja empurrada mais para frente. Seja como for, os chineses vêm aí , e lá o cronograma costuma ser cumprido. Siga o Mensageiro Sideral no Facebook , Twitter , Instagram e YouTube