Comissão agenda votação do CD sobre anteprojeto do Estatuto com novidades; veja os detalhes
2 Mar, 2026
Na próxima segunda-feira, dia 9 de março, o Corinthians dará mais um passo importante no processo de reforma do seu Estatuto. O Conselho Deliberativo (CD) se reunirá para definir quais propostas de mudança serão mantidas no anteprojeto e encaminhadas à Assembleia Geral (AG) dos associados do Parque São Jorge. O anteprojeto foi divulgado pelo clube no fim de outubro de 2025 . Desde a primeira redação, o tema passou a mobilizar diferentes setores de personagens envolvidos com o Corinthians. A Gaviões da Fiel, principal organizada do clube, realizou protestos e apresentou propostas ainda em 2024. Já o Coletivo Voz Corinthiana tem atuado de forma ativa no debate, defendendo, sobretudo, uma maior participação dos torcedores não sócios nas decisões do clube. Em outra vertente, estão associados e conselheiros interessados no tema. A Comissão de Reforma do Estatuto, responsável por redigir, organizar e divulgar os materiais, é formada por Dalton Gioia (presidente), Claudia Carlos de Oliveira (secretária), Corinto Baldoino Parreira e Costa, Edson Aparecido Geanelli e Gerson Leme, todos conselheiros indicados por Romeu Tuma Júnior, presidente do CD, para ocupar a bancada. A versão atual do anteprojeto traz mudanças expressivas . A principal delas é a inclusão de uma proposta para impedir o direito de voto do Fiel Torcedor nas eleições do clube, algo que não existia na versão anterior. Após uma série de reuniões realizadas ao longo de 2024 e 2025, o texto passou por ajustes pontuais e também estruturais. Inicialmente, a votação no Conselho estava prevista para 24 de outubro de 2025. No entanto, diante de relatos de conselheiros que afirmaram não terem tido acesso prévio aos documentos e pouco domínio sobre o conteúdo, Romeu Tuma Júnior decidiu adiar o processo . Foram, então, agendadas 11 reuniões, entre o fim de 2025 e o início de 2026, cada uma dedicada a temas específicos do Estatuto. Apesar da iniciativa, os encontros registraram baixo quórum, com a média de 30 participantes no total e pouca adesão dos conselheiros, variando entre dez e 15 dos 299 membros do Conselho Deliberativo. Esse cenário mudou apenas na última sessão, restrita ao CD, que contou com a presença de aproximadamente 100 participantes. O Meu Timão esteve presente em todas as sessões e produziu um resumo da cada uma — veja abaixo. Como apurou a reportagem, os conselheiros receberam nos últimos dias um documento de 76 páginas com o resumo das atas das audiências. O material foi organizado em três tabelas, reunindo contribuições das audiências públicas de 2025 e 2026, além de propostas formais apresentadas por chapas e conselheiros em 2024. A Comissão de Reforma analisou esse conjunto, revisitou o texto e promoveu ajustes técnicos e estruturais, em um processo que exigiu conciliar visões distintas sobre governança, mecanismos de controle e a arquitetura de poder do clube. Além disso, um segundo documento, com 55 páginas, também foi disponibilizado a conselheiros e associados. Intitulado “Resumo Didático”, o material organiza, em tabelas, temas como os poderes do clube, delegações normativas, novos direitos dos associados, reformas administrativa e eleitoral, finanças e regras de destituição. A ideia foi facilitar a compreensão do projeto e permitir a comparação objetiva entre alternativas, com fundamentos e impactos institucionais explicitados. Portanto, os conselheiros terão mais de uma semana para analisar os tópicos antes da votação. O Estatuto do Corinthians foi elaborado em 2008 e passou por alterações pontuais desde então, a mais recente em 2017. Nos últimos anos, o debate por modernização se intensificou, especialmente após a entrada em vigor da Lei Geral do Esporte (Lei no 14.597/2023), que reforça princípios de governança, transparência, responsabilidade e proteção a atletas. Após a votação no Conselho Deliberativo, as propostas aprovadas seguirão para a etapa final do processo: a assembleia geral dos sócios do Parque São Jorge, prevista para o início de abril , como soube a reportagem.. Abaixo, o Meu Timão detalha os próximos passos da votação e as principais mudanças que estarão em pauta na reunião do Conselho Deliberativo. Fachada do Parque São Jorge, a sede social do Corinthians Rodrigo Vessoni / Meu Timão A primeira convocação dos conselheiros está marcada para as 18h da próxima segunda-feira, dia 9 de março. Caso haja quórum mínimo, metade do total de conselheiros mais um, os debates sobre as propostas terão início imediatamente. Se esse número não for atingido, haverá segunda chamada às 19h, quando a reunião poderá ocorrer com qualquer quantidade de membros presentes. Em entrevista ao Meu Timão , em setembro de 2025, Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo, afirmou que pretende adotar votações abertas no CD , o que permitiria ao torcedor identificar quais conselheiros aprovaram ou rejeitaram cada ponto do anteprojeto. Em um primeiro momento, os conselheiros irão analisar as propostas e definir quais seguem para apreciação da Assembleia Geral (AG), deixando ao menos duas alternativas para que sejam votadas. Após a deliberação, a Comissão de Reforma fará os ajustes finais no anteprojeto, incorporando as alterações aprovadas. A versão consolidada será, então, encaminhada à Assembleia Geral, prevista para o início de abril. Na AG, os associados votarão de forma objetiva, escolhendo entre “sim” ou “não” para a aprovação de cada trecho do novo Estatuto. A votação será restrita a sócios com mais de cinco anos de vínculo, maiores de 18 anos e com as mensalidades em dia. As mudanças aprovadas no texto serão adotadas imediatamente pelo Corinthians. Sala de atendimento do Fiel Torcedor no Parque São Jorge Meu Timão Um dos temas que mais mobilizam o corinthiano fora do Parque São Jorge no debate sobre o novo Estatuto é a possibilidade de o Fiel Torcedor passar a votar nas eleições do clube. Durante a audiência pública que tratou do assunto, houve consenso de que o sócio-torcedor pode, sim, participar do processo eleitoral para escolha do presidente e dos conselheiros do clube social . A divergência ficou restrita ao quando, como e sob quais regras esse direito seria exercido. Nas últimas semanas, porém, uma terceira alternativa foi incluída no anteprojeto e também será levada à votação, podendo manter o FT sem direito ao voto. A primeira proposta prevê que o Fiel Torcedor passe a votar apenas quatro anos após a aprovação da reforma, ou seja, a partir de 2030. O modelo cria a categoria de “Associado de Futebol” com direito a voto, mas condiciona a participação ao pagamento, por quatro anos consecutivos, de uma taxa mensal extra, valor equivalente a um quarto da mensalidade do sócio patrimonial, além da contribuição regular do programa. Esse prazo começa a contar apenas após a aprovação do novo Estatuto, desconsiderando o tempo anterior como Fiel Torcedor. Segundo a Comissão de Reforma do Estatuto, o ponto positivo é permitir que o clube se organize gradualmente e gere nova receita antes da ampliação do colégio eleitoral. Em contrapartida, a proposta frustra a expectativa imediata de participação política, inclusive de torcedores antigos, que teriam de aguardar um ciclo completo para votar. A segunda proposta autoriza o FT a votar já na próxima eleição, em 2026. A redação mantém as exigências de adimplência por quatro anos e da taxa especial, mas cria uma regra de transição: para o pleito imediatamente seguinte à aprovação do Estatuto, será considerado o histórico dos últimos quatro anos de pagamento ininterrupto do Fiel Torcedor, dispensando a espera de um novo ciclo. De acordo com o documento, o modelo valoriza quem já apoia financeiramente o clube há mais tempo e amplia de forma imediata a participação democrática. O desafio está na organização logística de uma eleição maior em curto prazo e no fato de o clube não arrecadar a taxa extra desse grupo específico neste primeiro momento. A terceira opção, incluída recentemente no anteprojeto, mantém o cenário atual. Nela, o Fiel Torcedor segue sem direito a voto, preservando a estrutura política restrita aos sócios patrimoniais. A proposta apenas formaliza regras de funcionamento da plataforma, sem ampliar direitos eleitorais, mantendo garantias já existentes para compra de ingressos por torcedores de fora do estado, associados do clube social e torcidas organizadas. Além da questão do voto, o anteprojeto traz outras mudanças relevantes no programa de sócio-torcedores. Entre elas está a criação de um Regulamento da Plataforma Fiel Torcedor, que passa a disciplinar a aquisição de ingressos, assegurar adimplência, garantir isonomia entre os membros e, conforme a redação escolhida, viabilizar o direito de voto do Associado de Futebol. Também a criação de planos específicos para torcedores que residem fora de São Paulo, facilitando a participação no clube e a compra de ingressos. O regulamento deverá ser elaborado pela Diretoria e aprovado pelo Conselho Deliberativo (CD), com prazo de até 90 dias após a reforma. Outra novidade é a criação de uma categoria específica no Fiel Torcedor para associados do Parque São Jorge, permitindo que sócios do clube social reservem ingressos pela plataforma, com a restrição de até dois no caso de título familiar ou um no plano individual. A medida busca valorizar quem frequenta o clube, organizar o acesso à Arena e reduzir a dependência de decisões pontuais da diretoria atual. Parque São Jorge, a sede social do Corinthians Maria Beatriz de Teves / Meu Timão Nos últimos anos, diversos clubes do futebol brasileiro deixaram o modelo associativo para se transformarem em SAF (Sociedade Anônima do Futebol). Apesar de existir um movimento defendido por parte da torcida, como o projeto SAFiel, o Corinthians ainda está distante de promover essa transição no seu modelo de gestão. Ainda assim, pensando em um cenário futuro, o novo Estatuto busca pavimentar o caminho caso o clube venha, em algum momento, a optar pela adoção do modelo de Sociedade Anônima do Futebol. O texto estabelece que qualquer eventual mudança desse porte exigirá, antes de tudo, uma cisão formal entre o futebol e o clube associativo, condicionada à aprovação em Assembleia Geral (AG) com quórum qualificado, realização de due diligence e auditoria independente, além de ampla divulgação prévia das informações. Dentro desse contexto, a primeira proposta de redação adota um modelo mais rígido de proteção à identidade do Corinthians ao introduzir o conceito de “controle institucional” em uma eventual SAF. A proposta veda qualquer negócio jurídico que resulte na perda do comando político do clube, independentemente do percentual de ações envolvido. O Corinthians manteria, de forma permanente e irrevogável, direitos políticos essenciais, como o poder de veto sobre matérias estratégicas e fundamentais, a serem definidas em acordo de acionistas. O foco está no poder efetivo de decisão, e não apenas na participação financeira, buscando assegurar que a associação permaneça como a verdadeira detentora do clube. O objetivo central é blindar, no próprio Estatuto, a soberania e a identidade institucional do Corinthians. Já a segunda opção apresenta um modelo mais pragmático. Nela, em caso de constituição de uma SAF, o Corinthians deverá manter, de forma permanente, a titularidade de ao menos 10% do capital social votante. Ou seja, parte dos tomadores de decisão da Sociedade Anônima de Futebol teria de ser ocupada por membros do clube social. Esse percentual garantiria que o voto afirmativo do clube fosse condição indispensável para deliberações sobre matérias estratégicas e essenciais, conforme previsto na legislação e nos instrumentos societários aplicáveis. Nesse formato, o controle é definido por um patamar mínimo de participação acionária, assegurando o poder de veto básico previsto em lei. Ainda dentro desse tema, o anteprojeto também trata das eventuais sociedades empresariais relacionadas ao clube. A primeira proposta estabelece regras rígidas para qualquer parceria desse tipo, determinando que o Corinthians detenha, no mínimo, 51% do capital da sociedade, receba ao menos 10% da receita líquida e submeta todas as operações à aprovação do Conselho Deliberativo e da Assembleia Geral. Já a segunda opção elimina essas travas que controlariam o poder do clube, concedendo maior liberdade de negociação à diretoria para ajustar parcerias caso a caso. Enquanto o modelo mais restritivo prioriza a proteção institucional, o poder de decisão e garantias financeiras ao clube, o formato mais flexível amplia as possibilidades de mercado, mas eleva os riscos de perda de controle e de retornos menores, a depender da condução de cada negociação. Osmar Stabile, presidente do Corinthians Matheus Pogiolli / Meu Timão Outra mudança prevista no novo Estatuto é a ampliação do mandato do presidente da diretoria, que passaria de três para quatro anos — o que também contemplaria os mandatos no Conselho Deliberativo (CD). A justificativa apresentada no anteprojeto é a necessidade de maior estabilidade administrativa e de um prazo mais adequado para a execução de planejamentos estratégicos. Segundo pessoas ouvidas pela reportagem do Meu Timão , o modelo atual acaba engessando a gestão: o primeiro ano costuma ser marcado pela transição em relação ao antecessor, o segundo é dedicado à implementação das ideias do novo presidente, enquanto o terceiro já se torna encurtado pela pressão institucional e política para a preparação da sucessão. Outro ponto relevante é a vedação à reeleição do presidente. A proposta reforça a alternância de poder ao impedir reconduções consecutivas, limitar o dirigente a apenas um mandato como presidente e torná-lo inelegível na eleição imediatamente seguinte. Paralelamente, o texto propõe uma reestruturação da diretoria, com a ampliação e segmentação do organograma, criando vice-presidências temáticas previstas em Estatuto, diretorias profissionais remuneradas, a figura de um CEO e uma área de compliance . A intenção é separar claramente a função política da função executiva, elevando o grau de especialização da gestão. Nesse contexto, o CEO passa a ser o responsável pela gestão operacional do dia a dia, escolhido com base em critérios técnicos e submetido a avaliações de desempenho. O plano de governo deixa de ter caráter meramente formal e passa a funcionar como instrumento de fiscalização e responsabilização da diretoria eleita. O texto também introduz deveres explícitos aos gestores, alinhando o clube às boas práticas de governança e às diretrizes da Lei Geral do Esporte. Ainda no campo da gestão, o anteprojeto estabelece regras mais rígidas para o uso do cartão corporativo, com limites claros, obrigatoriedade de prestação de contas e responsabilização, ampliando a transparência. Tema que ganhou notoriedade nos últimos meses com os casos envolvendo os ex-presidentes Andrés Sanchez, Duilio Monteiro Alves e Augusto Melo. Os três estão sendo investigados pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP), bem como pelos órgãos internos do clube. A administração do clube social também seria profissionalizada, com a previsão da criação de um gerente executivo específico para o Parque São Jorge, cargo que dependerá de aprovação do Conselho Deliberativo. Além disso, o Estatuto passa a permitir a criação de comitês temáticos permanentes ou temporários. No conjunto, o modelo busca reduzir riscos políticos e financeiros e tornar a administração mais técnica e profissional. No que diz respeito à composição do Conselho Deliberativo, o anteprojeto apresenta duas propostas distintas. A primeira mantém o cenário atual, preservando a estrutura com 300 conselheiros no total: 200 eleitos e até 100 conselheiros vitalícios, sem alterações na dinâmica vigente. Já a segunda proposta sugere a redução do tamanho do Conselho, que passaria a contar com 225 membros, mantendo proporção semelhante à atual. Nesse formato, o número de conselheiros eleitos seria reduzido de 200 para 150, enquanto o teto de conselheiros vitalícios cairia de 100 para 75. A proposta respeita os direitos adquiridos, garantindo a permanência dos atuais vitalícios. O clube apenas aguardaria a redução natural desse número (por falecimento, renúncia ou conversão em conselheiro vitalício benemérito) para, então, permitir novas nomeações dentro do novo limite estabelecido. Além disso, ambas as alternativas exigem mínimo de 20% de mulheres eleitas para o CD. As eleições do Corinthians costumam acontecer no Ginásio Wlamir Marques, localizado no Parque São Jorge, a sede social do Timão José Manoel Idalgo/Agência Corinthians O texto do anteprojeto também promove ajustes relevantes na participação dos associados nas Assembleias Gerais (AG), instância máxima e soberana do clube, responsável por expressar a vontade final dos sócios. No documento, seguem com direito político os associados maiores de 18 anos, com tempo mínimo de filiação de três ou quatro anos, dependendo da proposta aprovada, e em dia com suas obrigações estatutárias. Reduzindo o atual período de carência, que é de cinco anos. O anteprojeto mantém as regras atuais de inelegibilidade, mas amplia o seu alcance. Além das vedações já existentes, o texto passa a incluir casos de violência doméstica, crimes previstos na Lei Geral do Esporte (LGE), atos de improbidade administrativa e punições disciplinares aplicadas pelo próprio clube, com período de impedimento de até cinco anos Outro avanço relevante diz respeito ao sistema de votação. A proposta autoriza a realização de votações tanto presenciais quanto on-line , desde que sejam cumpridos critérios rigorosos de segurança, como a biometria facial, por exemplo. Entre as exigências estão mecanismos de autenticação dos votantes, garantia de auditabilidade do processo, planos de contingência para falhas técnicas e a realização de auditoria independente. A Assembleia Geral seguiria responsável por eleger, a cada quatro anos, o presidente, dirigentes e conselheiros, aprovar reformas estatutárias, autorizar operações estruturais e deliberar sobre matérias estratégicas, como fusão, extinção ou eventual transformação do futebol em SAF (Sociedade Anônima de Futebol). Um dos pontos em debate trata do modelo de eleição para presidente do clube. O anteprojeto discute a substituição do atual sistema de turno único por um formato em dois turnos, semelhante ao utilizado nas eleições para presidente do Brasil e governadores. No modelo atual, vence quem obtiver um voto a mais que o segundo colocado. Já na proposta de dois turnos, o candidato precisaria alcançar 50% mais um dos votos válidos para ser eleito em primeira votação; caso ninguém atinja esse patamar, os dois mais votados disputariam um segundo turno, realizado cerca de duas semanas depois. Outro tema relevante envolve o sistema de votação para o Conselho Deliberativo (CD). A primeira proposta mantém o modelo de votação por chapas, semelhante ao sistema proporcional das eleições legislativas no Brasil. Nesse formato, os candidatos se organizam em grupos, o associado vota na chapa e em um nome específico, e as vagas são distribuídas de acordo com a votação total da chapa, respeitando uma cláusula mínima de desempenho individual. A segunda alternativa extingue as chapas e adota o voto individual. Nesse modelo, o associado escolhe diretamente até cinco candidatos, sendo eleitos os mais votados no ranking geral. O texto mantém a eleição dos membros do Conselho Deliberativo, mas promove uma reformulação profunda no sistema disciplinar do clube. Além disso, o anteprojeto apresenta propostas distintas sobre as regras de reeleição dos conselheiros, tema que também estará em debate na votação. Uma das alternativas estabelece um limite à eleição consecutiva. Pelo modelo, caso um associado seja eleito para o Conselho Deliberativo por dois mandatos seguidos, somando um total de oito anos, ele seria obrigado a cumprir um período de afastamento, sem poder se candidatar na eleição seguinte. A outra proposta segue caminho oposto, onde passa a ser permitida a reeleição irrestrita, sem qualquer trava ou limite de mandatos. Nesse cenário, um conselheiro poderia se candidatar e ser eleito quantas vezes quiser e de forma consecutiva. Atualmente, o Conselho Deliberativo (CD) do Corinthians conta com órgãos de fiscalização como o Conselho de Orientação (Cori), Conselho Fiscal (CF) e a Comissão de Ética e Disciplina (CE), além do complicance Maria Beatriz de Teves / Meu Timão O documento também traz mudanças significativas nos órgãos internos responsáveis pela fiscalização do Corinthians. A atual Comissão de Ética e Disciplina (CE) seria substituída por um Conselho de Ética e Integridade, de caráter autônomo, técnico e permanente. Entre suas atribuições estão o julgamento de infrações estatutárias, aplicação de sanções, apuração de denúncias, instrução de processos de destituição, requisição de documentos e elaboração de relatórios, com foco em governança, compliance e atuação preventiva, inspirado em modelos como o do Comitê Olímpico do Brasil (COB). Para a composição desse Conselho, há duas alternativas em debate. A primeira prevê a eleição dos 11 membros diretamente pela Assembleia Geral. A segunda propõe um modelo misto, no qual os cinco associados seriam eleitos pelos sócios, enquanto os seis independentes seriam selecionados por processo técnico. O anteprojeto também fortalece significativamente o Conselho de Orientação (Cori). O órgão deixa de ter atuação consultiva e passa a exercer papel ativo de supervisão, com ampliação de suas competências em governança, transparência e controle financeiro. Entre as novas atribuições estão a supervisão direta do CEO, da área de compliance e das metas executivas, a análise do plano financeiro, a exigência de aprovação prévia para contratos relevantes, operações em período pré-eleitoral e transações estratégicas, além de instrumentos mais robustos de controle de riscos e integração com o Conselho de Ética. Quanto à composição do Cori, o texto apresenta duas propostas. A primeira adota um modelo misto, com metade dos membros eleitos diretamente pela AG e metade indicada pelo Conselho Deliberativo, buscando equilíbrio entre voto popular e experiência interna. A segunda propõe eleição integral pela Assembleia Geral, garantindo legitimidade plena, mas eliminando o filtro técnico exercido pelo Conselho. A proposta também promove ampla reformulação do Conselho Fiscal (CF). O órgão passa de três para sete membros, com mandato de quatro anos, possibilidade de uma reeleição e modelo híbrido de escolha entre AG e CD. O texto exige qualificação técnica ou experiência comprovada, amplia os impedimentos para evitar conflitos de interesse e reforça a independência do colegiado, que passa a ser eleito no segundo ano do mandato da Diretoria Executiva. As atribuições do Conselho Fiscal são significativamente ampliadas, incluindo atuação integrada à governança financeira, análise do Plano Plurianual, interação com auditorias independentes e fiscalização de metas fiscais. O texto também estabelece regras claras de funcionamento, sigilo, publicação de atas e hipóteses de perda de mandato, consolidando o órgão como instância técnica, permanente e estruturada de controle, transparência e responsabilização. Por fim, o anteprojeto cria a Controladoria de Compliance e Governança, órgão técnico-operacional voltado à integridade, moralidade administrativa, impessoalidade e prevenção de conflitos de interesse . Embora não configure um poder autônomo, sua atuação será fiscalizada pelo Cori, pelo Conselho Deliberativo e pela Diretoria. A área será chefiada por um controlador, com apoio de empresa especializada em compliance , escolhido por processo seletivo público conduzido pela Diretoria, com controle institucional dos demais órgãos. Entre suas atribuições estão a emissão de pareceres preventivos, monitoramento de riscos, fiscalização de contratos, reporte de irregularidades e coordenação da ouvidoria. O texto ainda veda contratações que envolvam parentes até o segundo grau de pessoas com vínculo ativo com o clube, reforçando os mecanismos de governança, transparência e mitigação de riscos institucionais. Fachada da entrada do Parque São Jorge Meu Timão Com uma dívida próxima dos R$ 3 bilhões, a implementação total do fair play financeiro pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) a partir de 2026, e a necessidade de mudança de postura na governança, o novo Estatuto do Corinthians propõe mecanismos mais rígidos de controle contábil e financeiro. A primeira proposta cria o Plano Plurianual de Gestão Financeira, com duração de quatro anos, obrigando a diretoria a planejar o clube para além do curto prazo e a respeitar parâmetros de sustentabilidade e de fair play financeiro. A ideia é dar continuidade às políticas administrativas, reduzir improvisações e estabelecer limites claros para o mandato seguinte, reforçando a responsabilidade fiscal. O texto também endurece as vedações financeiras. Passam a ser proibidos gastos sem indicação da respectiva fonte de recursos, a antecipação irresponsável de receitas, o aumento de despesas de pessoal em período pré-eleitoral e atrasos no cumprimento de obrigações tributárias. A revisão orçamentária passa a seguir um rito padronizado, com prazos definidos, justificativas técnicas e maior transparência, evitando ajustes casuísticos e ampliando a fiscalização interna e social. O anteprojeto do novo Estatuto também trata da independência do futebol dentro da estrutura do clube. A proposta reforça que o futebol profissional terá contabilidade e orçamento próprios, separados das atividades sociais. Além disso, reforça a segmentação entre futebol masculino, feminino e categorias de base, cada um com orçamento individualizado. A medida busca dar maior transparência aos resultados de cada área, facilitar auditorias e o controle financeiro, além de evitar a mistura de receitas e despesas que, historicamente, pode mascarar o real desempenho de cada setor. Outra questão é a criação de um regime fiscal-financeiro transitório. Atualmente, o Estatuto não prevê qualquer comitê ou rito específico para períodos de transição. A nova proposta institui um Comitê Integrado transitório, formado por representantes do Conselho Deliberativo (CD), Conselho de Orientação (Cori), Conselho Fiscal (CF) e diretoria, responsável por definir diretrizes e ajustes durante esse processo. A intenção é evitar um “vácuo” institucional em momentos de mudança e garantir governança, controle e alinhamento entre os órgãos do clube durante a adaptação às novas regras. Há ainda sanções objetivas para o descumprimento dessas obrigações. Sem a entrega do orçamento ou dos balancetes, a diretoria perde autonomia para firmar novos contratos, ficando dependente de autorização do Cori e do CF. Além disso, dirigentes passam a responder pessoalmente por gestão irregular ou temerária, inclusive com risco patrimonial e inelegibilidade, em alinhamento com a Lei Geral do Esporte. Por fim, o anteprojeto apresenta duas opções de controle periódico das contas. A primeira prevê a divulgação de balancetes trimestrais, buscando equilibrar transparência e operacionalidade. A segunda propõe balancetes bimestrais, ampliando o controle quase em tempo real. Enquanto o modelo trimestral reduz a burocracia, ele pode atrasar a identificação de problemas; já o bimestral aumenta a fiscalização e a pressão por responsabilidade, mas eleva a carga administrativa e o risco de debates políticos frequentes sobre oscilações de curto prazo, segundo o documento. Outro ponto relevante diz respeito à autonomia financeira do Conselho Deliberativo . A primeira proposta garante independência ao CD ao obrigar a diretoria a repassar até 0,25% da arrecadação anual diretamente ao seu caixa. Com isso, o Conselho poderia custear despesas administrativas e eleições internas sem depender de autorização do presidente, devolvendo eventuais sobras ao clube ao fim do exercício. A principal vantagem é evitar qualquer forma de necessidade financeira que comprometa a função fiscalizatória. Como referência, considerando o faturamento de 2024 — já que o de 2025 ainda não foi divulgado —, o CD teria à disposição cerca de R$ 2,75 milhões, tomando como base uma receita anual aproximada de R$ 1,1 bilhão naquele ano. A segunda proposta mantém o modelo atual, com o caixa centralizado na diretoria, responsável por pagar diretamente todas as despesas do Conselho, como salários e custos eleitorais. Nesse formato, não há percentual fixo de repasse, e os gastos seguem o plano de cargos e salários do clube. A vantagem está na centralização do controle financeiro e na padronização administrativa, mas o Conselho permanece dependente da Diretoria para executar suas atividades, como acontece no modelo atual. Como apurou o Meu Timão , foi justamente essa limitação financeira que impediu a transmissão das audiências públicas pela Corinthians TV . A liberação dependeria de aval do presidente Osmar Stabile, uma vez que o Conselho Deliberativo não dispõe de verba própria para custear o serviço da empresa responsável pela gravação e pela liberação das imagens. Apesar disso, todas as audiências foram devidamente gravadas e permanecem arquivadas. O material pode ser acessado por qualquer membro do CD que formalize um pedido para ter acesso às gravações. 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