Luis Henrique abraça legado brasileiro do ataque à defesa na Inter e vira talismã na Itália
3 Mar, 2026
Luis Henrique abraça legado brasileiro do ataque à defesa na Inter e vira talismã na Itália Crédito: Leonardo Catto/Estadão Luis Henrique anda pelas instalações da Inter de Milão , vê fotos de Ronaldo e Adriano e, às vezes, até não acredita estar no mesmo clube de ídolos do futebol brasileiro. Além dos atacantes, o Brasil contou com multicampeões na defesa Nerazzurri , como Júlio César , Maicon e Lúcio . PUBLICIDADE São diferentes inspirações para o jogador de 24 anos. Atacante de velocidade no Botafogo e no Olympique de Marselha, ele ganhou responsabilidades defensivas, como um ala, no time de Cristian Chivu. “É uma função que eu estou me adaptando, tem de marcar bastante também. Estou aprendendo a cada dia mais a lidar com marcação, com pressão, mas eu acho que estou me saindo bem”, comenta ao Estadão . A escalação na função veio por necessidade, após lesão do holandês Denzel Dumfries, em dezembro. Desde então, Luis Henrique soma 13 jogos pelo Campeonato Italiano. A Inter venceu 12 e empatou 1, e o jogador fez seu primeiro gol pelo time, na goleada por 5 a 0 sobre o Sassuolo. Publicidade Estadão Esportes lança canal no YouTube. Inscreva-se e veja o melhor da opinião, bastidores e entrevistas do universo esportivo A década Infantino: líder da Fifa redesenha mapa político do futebol da Casa Branca ao Oriente Médio Negociação exclusiva e sem participação de Neymar pai: Santos avança na transformação em SAF Ao todo, o time tem apenas quatro derrotas na liga. O brasileiro esteve em apenas uma delas (3 a 1 para o Napoli, iniciando no banco). No total, ele jogou 21 das 26 partidas da Inter de Milão, com 19 vitórias. “Foram seis meses, querendo ou não, de muito trabalho, jogava às vezes, entrava pouco tempo e, depois, consegui me firmar. Eu estou muito feliz, a cada dia mais me soltando. E acho que isso vai me levar ao nível mais alto do futebol”, avalia. Entretanto, ele não abandona o DNA de atacante. O jogador é cobrado a pisar na área pelo próprio pai, que foi seu primeiro técnico, em uma escolinha em Solânea (PB), a cerca de 130 km de João Pessoa. “Meu pai me treinou até eu sair de casa. Se for falar qual o treinador que tive que foi mais chato, é meu pai até hoje. É o cara que está sempre me cobrando. Mas eu gosto muito disso. Depois do jogo, posso ter ido bem, mas ele vai me cobrar alguma coisa. E acho que isso me ajuda bastante.” Publicidade “Terminou o jogo, eu pego o celular, já tem mensagem dele parabenizando, mas também sempre cobrando. Me cobra muito de pisar na área. Eu acho que isso é importante, foi o meu primeiro treinador e vai ser o treinador para o resto da vida”, confessa. Em Milão, o jogador mantém um pé no Nordeste. Fã de forró, ele tem na música o laço permanente com sua origem. “ (Ouço) todo dia. Gosto muito também de escutar rap, funk, mas eu acho que o forró ganha, está na frente. Lembra de casa”, conta, elencando Natanzinho Lima, Wesley Safadão e Pablo como seu Top-3 músicos. Quando foi à Europa pela primeira vez, Luis Henrique tinha apenas 18 anos e chegou ao Olympique de Marselha, que pagou 12 milhões de euros (R$ 77,8 milhões na cotação da época) por ele. Em 2020, no meio da pandemia, ficou quatro meses sozinho em Marselha. “Foi uma adaptação dura, porque eu era muito novo, fiquei sozinho, não tinha brasileiro no clube. A comissão era portuguesa na época, acho que me ajudou bastante”, relembra. Publicidade PUBLICIDADE Na metade de 2022, veio a chance de retornar ao Botafogo, por empréstimo. O clube era outro, já uma SAF nas mãos de John Textor. Luis Henrique atuou, até o meio do ano, na equipe de 2023, que deixou escapar o título brasileiro. “Quando eu voltei, foi muito bom porque eu não tinha jogado Brasileirão (antes) . Eu participei daquele 2023, um ano que era para ser mágico. Foi um primeiro turno impecável. Ninguém sabe explicar até hoje o porquê de ter acabado daquele jeito. Às vezes eu fico vendo os vídeos de 2024, em que eles foram campeões, e eu fico: ‘Pô, talvez tinha de ser assim’”, reflete. O contrato de empréstimo não foi renovado, e um dos motivos foi a necessidade do Olympique em contar com Luis Henrique. Ele retornou ao time francês, na época treinado pelo italiano Gennaro Gattuso. Em seguida, vieram Jorge Sampaoli e Roberto De Zerbi, o primeiro a cobrar de Luis Henrique as funções defensivas. A trajetória de Luis Henrique no Olympique apurou seus conhecimentos táticos e o levou até Milão. Publicidade No segundo clube europeu na carreira, a chegada foi bem mais tranquila do que em 2020. “Desde quando eu cheguei, ele (Carlos Augusto) me recebeu bem demais, me apresentou o clube, sempre se preocupou muito comigo. Foi fundamental para me adaptar ao clube”. Pelo idioma, Luis Henrique também se aproximou dos franceses e fez amizade com o argentino Lautaro Martínez. “Os caras me receberam bem demais. O Lautaro foi um dos primeiros a me enviar mensagem quando eu fechei. Tem os franceses, eu desenrolo bem. Tem uns oito caras que falam francês ali, são os que eu fico mais próximo. Thuram, Bonny, Diouf, além do Carlos, que está muito incluso no meu dia a dia.” A Inter de Milão de Luis Henrique entra em campo nesta terça-feira, dia 3, pela semifinal da Copa da Itália. O jogo de volta ocorre apenas em abril. Na outra semifinal, jogam Atalanta e Lazio.