Conflito no Oriente Médio reacende volatilidade no mercado de trigo
3 Mar, 2026
*]:pointer-events-auto scroll-mt-(--header-height)" dir="auto" tabindex="-1" data-turn-id="ec753688-96ac-4bf5-8a77-1048ea5a69f1" data-testid="conversation-turn-9" data-scroll-anchor="false" data-turn="user">*]:pointer-events-auto scroll-mt-[calc(var(--header-height)+min(200px,max(70px,20svh)))]" dir="auto" tabindex="-1" data-turn-id="request-WEB:7f99b668-4562-445f-9b5e-f9d9b0eb2b87-4" data-testid="conversation-turn-10" data-scroll-anchor="true" data-turn="assistant">A escalada do conflito no Oriente Médio reacendeu a volatilidade no mercado internacional de trigo. Segundo o analista Luiz Pacheco, da TF Consultoria Agroeconômica, o primeiro movimento do mercado foi pautado pela expectativa de que grandes importadores da região antecipassem compras diante das tensões geopolíticas.O Oriente Médio, assim como o leste da África, tem no trigo uma das principais bases alimentares. Ainda assim, a corrida por compras adicionais foi pontual. Apenas a Arábia Saudita ampliou uma aquisição inicialmente prevista em 660 mil toneladas para 794 mil toneladas. Leia mais Trigo cai 2% na bolsa de Chicago com realização de lucros e alta do dólar Açúcar avança na Bolsa de Nova York com alta do petróleo Frísia compra planta de esmagamento de soja da Louis Dreyfus em PG Entrave logísticoCom o avanço do conflito, a principal preocupação deixou de ser o volume negociado e passou a ser a logística de entrega. De acordo com Pacheco, um navio cargueiro foi atingido recentemente na região, elevando a apreensão sobre a segurança do transporte marítimo e pressionando os custos de frete de commodities.O analista avalia que os movimentos recentes de alta e queda nos preços refletem um ajuste típico de mercado diante de eventos externos. “É como um elástico. O mercado é puxado para cima ou para baixo e faz vários movimentos até encontrar um novo ponto de equilíbrio”, explica.Além das tensões geopolíticas, o mercado de commodities também sofre influência do cenário financeiro global. Com perdas em bolsas de valores, investidores têm vendido posições em commodities para cobrir prejuízos em outros ativos, o que amplia a volatilidade.Outro fator de pressão é o fortalecimento do dólar. “Como o trigo é cotado na moeda norte-americana, a valorização cambial reduz a competitividade em alguns mercados e altera fluxos comerciais”, avalia Élcio Bento, analista da empresa de consultoria Sagras & Mercado.Oferta globalApesar da instabilidade, o quadro de oferta mundial é considerado relativamente confortável. A Rússia, um dos principais exportadores globais, sinaliza uma grande safra, o que ajuda a balizar os preços internacionais. A Ucrânia, embora enfrente dificuldades logísticas devido à guerra com a Rússia, segue como fornecedor relevante.No caso do milho, os grandes exportadores são Estados Unidos, Brasil, Argentina e Ucrânia. Pacheco alerta que, no curto prazo, é limitada a capacidade de outros países absorverem volumes adicionais de milho ou trigo, já que contratos e fornecedores estão previamente definidos.Impactos no BrasilPara o Brasil, o impacto imediato no fornecimento é considerado moderado. O país importa anualmente entre 6 milhões e 6,5 milhões de toneladas de trigo, sendo de 4 a 5 milhões provenientes da Argentina, além de cerca de 1 milhão de toneladas de outros países. Há ainda a necessidade de buscar volumes adicionais nos Estados Unidos, especialmente quando a qualidade do trigo argentino apresenta limitações.Segundo Daniel Kummel, da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), os moinhos trabalham, na prática, com estoques equivalentes a três meses de moagem, o que oferece certa proteção no curto prazo. A indústria brasileira processa cerca de 13 milhões de toneladas por ano. “O mundo está bem ofertado de trigo. Estamos em entressafra no Brasil e nos abastecemos principalmente do trigo argentino e do hemisfério norte. Neste momento, não há viés claro de baixa”, avalia.Ainda assim, um eventual prolongamento da guerra pode elevar custos logísticos e pressionar o mercado futuro, que tende a precificar riscos geopolíticos. A alta do petróleo também impacta diretamente o custo dos fretes e, indiretamente, os custos de produção.Custos e área plantadaNo campo, há preocupação com fertilizantes. Parte desses insumos tem origem no Oriente Médio, e eventuais entraves logísticos podem elevar preços, embora grande parte das compras para a atual safra já tenha sido realizada.Para a próxima safra de trigo no Rio Grande do Sul, cujo plantio começa em abril, a expectativa é de redução entre 10% e 15% na área cultivada, devido a preços abaixo do custo de produção. Em contrapartida, regiões como São Paulo e o Cerrado devem ampliar a área, ainda que tenham menor participação na produção nacional.Pacheco também alerta para um possível aumento de área de milho motivado pelo temor de guerra, movimento que considera arriscado em um cenário de excedente global.