Republicanos defendem ataques ao Irã; democratas querem votar sobre poder de guerra de Trump
3 Mar, 2026
Os republicanos insistiram nesta segunda-feira que a decisão de atacar o Irã estava totalmente condizente com os afazeres do presidente americano, Donald Trump, enquanto comandante-chefe dos Estados Unidos. Já os democratas afirmaram que o governo não apresentou argumentos suficientes e por isso planejam uma votação sobre poderes de guerra nesta semana. O secretário de Estado, Marco Rubio; o secretário de Defesa, Pete Hegseth; o diretor da Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês), John Ratcliffe; e o presidente do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, informaram líderes do Congresso sobre os ataques ao Irã, dois dias depois de forças israelenses e americanas começarem a bombardear a República Islâmica. Antes da reunião, Rubio disse a repórteres que havia uma ameaça iminente aos EUA porque o país sabia que Israel planejava atacar o Irã e esperava que o Irã retaliasse atacando forças americanas. Parlamentares republicanos afirmaram que isso configurou a “ameaça iminente” que obrigou os Estados Unidos a responder. Após a reunião confidencial, o presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, afirmou a repórteres que “como Israel estava determinado a agir com ou sem os EUA, nosso comandante-chefe e o governo tiveram uma decisão muito difícil a tomar”. “Na minha visão, neste momento, as nossas Forças Armadas e o comandante-chefe estão supervisionando a conclusão de uma operação que foi limitada em escopo, limitada em seu objetivo e absolutamente necessária para nossa defesa. Acho que essa operação será encerrada rapidamente”, disse Johnson. Entretanto, os democratas argumentaram que a Constituição dos EUA concede ao Congresso, e não ao presidente, o direito exclusivo de declarar guerra e que Trump não deveria ter iniciado uma campanha que pode durar semanas sem a aprovação dos parlamentares. Eles também criticaram o governo por não apresentar um argumento consistente para atacar o Irã agora e questionaram se os interesses dos EUA estão, de fato, orientando a política. O senador democrata da Virgínia Mark Warner disse que, dentro de uma semana, o governo apresentou uma ampla gama de razões para atacar o Irã: primeiro destruir seu programa nuclear, depois acabar com seu desenvolvimento de mísseis balísticos, mudar seu regime e, agora, afundar sua frota naval. Mas os principais assessores de Trump não apresentaram um argumento convincente de que os americanos enfrentavam uma ameaça imediata, afirmou ele. “Eu apoio firmemente Israel. Mas acredito que, no fim das contas, quando estamos falando em colocar soldados americanos em risco, quando temos baixas americanas e expectativa de mais, é preciso haver prova de uma ameaça iminente aos interesses americanos. Ainda não acho que tenha sido dada uma justificativa”, disse Warner. Até a noite de segunda-feira, seis militares americanos haviam sido mortos no conflito. Autoridades do governo Trump retornarão ao Capitólio nesta terça-feira para informar o Senado e a Câmara dos Representantes. Ainda nesta semana, espera-se que os parlamentares votem resoluções sobre poderes de guerra que poderiam impedir Trump de continuar atacando o Irã sem uma declaração de guerra do Congresso. A Constituição dos EUA concede ao Congresso, e não ao presidente, o poder de enviar tropas americanas à guerra, exceto para ataques limitados por razões de segurança nacional. Os republicanos detêm margens estreitas tanto na Câmara quanto no Senado e, embora alguns republicanos tenham se juntado aos democratas para apoiar resoluções sobre poderes de guerra, o partido bloqueou até agora todas as tentativas de obrigá-lo a obter a aprovação do Congresso para ações militares.