Guerra no Irã pode levar investimentos em petróleo ao Brasil, diz Shell
3 Mar, 2026
247 - A escalada do conflito no Irã pode alterar o fluxo global de investimentos no setor de petróleo e favorecer o Brasil como destino de capital estrangeiro. A avaliação é do presidente da Shell Brasil, Cristiano Pinto da Costa, que comentou nesta terça-feira (3) os possíveis desdobramentos do cenário internacional para a indústria de energia. Em café da manhã com jornalistas no Rio de Janeiro, segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo , o executivo afirmou que ainda é cedo para dimensionar os efeitos econômicos da guerra, mas ponderou que a percepção de maior instabilidade no Oriente Médio tende a influenciar decisões estratégicas das grandes petroleiras. “É plausível se esperar que a decisão de alocação de capital global de grandes companhias de petróleo redirecione fluxos de uma região para outra”, declarou. Ele destacou que o Brasil reúne condições favoráveis para captar esses recursos. “O Brasil tem histórico de não ter problemas geopolíticos de grande magnitude, é um produtor confiável, tem produção com menor intensidade de carbono no pré-sal. Se mantiver estabilidade regulatória, competitividade fiscal e celeridade no licenciamento ambiental, tem chance de atrair mais investimentos”, completou. O encontro com a imprensa havia sido agendado antes dos primeiros ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã. De acordo com Pinto da Costa, a prioridade imediata da companhia é assegurar a proteção de funcionários e ativos localizados na região afetada pelo conflito. Embora os preços internacionais do petróleo tenham registrado alta nos primeiros dias após o início das hostilidades, o executivo avaliou que ainda é prematuro estimar impactos mais amplos sobre o setor e a economia global. Para ele, a extensão das consequências dependerá diretamente da duração do conflito. “A expectativa é de preço de petróleo um pouco mais alto nas próximas semanas. O fechamento do Estreito de Hormuz afeta a indústria como um todo. Todo grande operador, comercializador tem produtos em navios passando pela região”, afirmou. O Brasil, por sua vez, não depende do Estreito de Hormuz para suas exportações de petróleo e combustíveis. A maior parte do óleo exportado pela Petrobras e pela própria Shell tem como destino a China. Ainda assim, Pinto da Costa alertou para possíveis efeitos indiretos. “Estamos um pouco fora da rota do conflito, porém podemos ter impactos de segunda ou terceira ordens, como, por exemplo, o frete pode ter um impacto na comercialização do petróleo brasileiro”, disse. Atualmente, a Shell ocupa a posição de segunda maior produtora e segunda maior exportadora de petróleo do país, além de ser parceira da Petrobras nos principais campos do pré-sal. Nos últimos anos, a empresa ampliou sua atuação na exploração com a aquisição de 44 novos blocos em leilões promovidos pelo governo federal. A companhia conclui uma campanha de pesquisa sísmica na porção sul da Bacia de Santos, considerada sua principal aposta no Brasil, e estuda perfurar o primeiro poço exploratório em até 48 meses. Também prepara a entrada em operação, até 2029, de uma nova plataforma no campo de Orca, na Bacia de Campos. Recentemente, a Shell anunciou a venda de 20% desse projeto para uma empresa do Kuwait, reforçando sua estratégia de parcerias e diversificação de investimentos no país.