A proposta eleitoreira para diminuir a jornada 6X1 estampa o ideal aristocrático do não fazer nada

admin
3 Mar, 2026
A proposta eleitoreira para diminuir a jornada de trabalho – o 6X1 que, para muitos, deveria ser 1X6 – estampa o ideal aristocrático do não fazer nada. O projeto dos trabalhadores é não trabalhar! Esse ideal é mais um algoritmo da nossa aversão ao trabalho no qual o corpo é exigido. Nossa preferência é ficar sem fazer nada, ganhando muito nos empregos públicos que a dominação burocrática contaminada por amizades proporciona e que está no centro desses escândalos de ausência vergonhosa de imparcialidade que movimentam milhões e domesticam juízes draconianos. PUBLICIDADE Quanto mais distante do chão e mais perto da caneta, melhor. Preciso lembrar as “canetadas” que são como fuzilamentos? Até hoje falamos em “arranjar emprego” e não trabalho, pois o emprego relativiza o trabalho e há centenas de empregos cujo trabalho é, justamente, nada fazer. Eis um traço social difícil de mudar porque uma estrutura de dominação não muda como se troca de roupa. Hoje, a crise está intrusiva de privilégios pessoais numa sociedade que exige igualdade e impessoalidade para avançar. Sobre esses assuntos, lembro o engenheiro americano Thomas Ewbank que, no livro A Vida no Brasil , publicado em 1856 e traduzido 117 anos depois no Brasil, diz reproduzindo essas notícias e crônicas dos jornais de hoje: “A tendência inevitável da escravidão por toda parte é tornar o trabalho desonroso. No Brasil, predomina a escravidão negra e os brasileiros recuam com algo semelhante ao horror diante dos serviços manuais. Com o mesmo espírito de classes privilegiadas de outras terras, dizem que não nasceram para trabalhar, mas para dirigir. Interrogando-se um jovem de família respeitável e em má situação financeira sobre por que não aprende uma profissão e não ganha sua vida de maneira independente, há dez probabilidades contra uma de ele perguntar se o interlocutor está querendo insultá-lo! ‘Trabalhar! Trabalhar!’ – gritou um deles. ‘Para isso temos os negros!’” Sim, centenas de famílias têm um ou dois escravos, vivendo do que eles ganham. Publicidade Ser empregado pelo governo é honroso, mas descer abaixo de empregos do governo, mesmo para ser negociante, é degradante. (...) Como vivem? Vivem do poder público, sempre que podem. (...) Todas as repartições transbordam de pessoas. Gerações de diplomatas em embrião procuram ser iniciados nos vários graus de “attaché”. Enxames de candidatos solicitam comissões no Exército, motivo por que se fala que dentro de pouco tempo o número de oficiais será maior do que o de soldados. A Igreja vem logo em seguida entre os lugares procurados como meio de elevar-se nobremente acima das classes inferiores". A fantasia do carnaval foi absorvida pela voracidade capitalista – e, pior, pela propaganda política No Brasil, a ética da casa contraria a do mundo público Quanto mais se sabe sobre reis, presidentes, bilionários e juízes do Supremo, mais se vê hipocrisia