O que é uma ogiva nuclear e por que a França quer fabricar mais

admin
4 Mar, 2026
A França vai aumentar a produção de ogivas nucleares , afirmou o presidente francês, Emmanuel Macron, na última segunda-feira (02). A ideia é fortalecer o poder de dissuasão, diante do crescente risco de conflitos globais que ultrapassem o limiar nuclear. Hoje, a França detém 290 ogivas e é o quarto país no ranking de maiores potências nucleares, segundo a Federação de Cientistas Americanos (FAS, na sigla em inglês). Veja no ranking: Rússia: 5.459 ogivas Estados Unidos: 5.177 ogivas China: 600 ogivas França: 290 ogivas Reino Unido: 225 ogivas Índia: 180 ogivas Paquistão: 170 ogivas Israel*: 90 ogivas Coreia do Norte: 50 ogivas * Israel não nega nem confirma ter armas nucleares O que são ogivas nucleares? Ogivas são o núcleo de uma bomba nuclear. Nela, ocorre o processo químico que, combinado com o material ideal, causa a explosão das armas termonucleares. Ao Valor , Eduardo Cabral, pesquisador titular da Comissão Nacional de Energia Nuclear e professor titular do Instituto Mauá de Tecnologia, explicou que as ogivas termonucleares trabalham com o processo de fusão, onde núcleos de isótopos de hidrogênio, como deutério e trítio, se fundem, liberando grande quantidade de energia. Essa energia, segundo o especialista, vai encadear mais fusões e gerar mais pressão e calor até a bomba atingir o seu limite e explodir. Cabral afirma, ainda, que o modelo atual de arma nuclear, criada durante a Guerra Fria, é mais eficiente por “ter um poder explosivo maior através da liberação de mais radiação”. Além disso, o professor diz que essa radiação traz maior poder de distribuição de pressão e calor, deixando-a mais letal. O tempo de produção de uma ogiva nuclear depende da capacidade financeira dos países, explica Cabral. Na estimativa dele, se o país conseguir fabricar o gatilho de bomba atômica sem desafios, a produção da arma nuclear pode durar alguns meses. Armas termonucleares diferem de modelos da Segunda Guerra A primeira bomba atômica foi criada durante a Segunda Guerra Mundial no Projeto Manhattan pelos Estados Unidos. "Little Boy" e "Fat Man", nomes das bombas utilizadas, foram lançadas contra cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, respectivamente. Na época, as bombas levaram cerca de três anos para serem produzidas e consumiram aproximadamente US$ 2,2 bilhões em investimentos. Além disso, o mecanismo interno da explosão era distinto: enquanto as armas termonucleares operam por meio da fusão, as bombas utilizadas na Segunda Guerra funcionavam com base na fissão nuclear. O professor do Instituto Mauá de Tecnologia explica que, no caso da fissão, a energia é liberada a partir da quebra de uma partícula neutra que, a partir disso, vai liberando mais partículas neutras e causando mais quebras até que, em determinado momento, a pressão e o calor do processo é tão grande que a bomba explode. *Estagiária sob supervisão de Diogo Max