Corpo de Khamenei será exposto por três dias em funeral de Estado no Irã

admin
4 Mar, 2026
O Irã começa hoje a velar oficialmente o líder supremo Ali Khamenei, que governou o país durante quase quatro décadas e morreu no sábado em ataques de Israel e dos EUA. O que aconteceu Funeral de estado será na Grande Mesquita Imã Khomeini, em Teerã. Ele começará na noite desta quarta-feira (4) e vai durar três dias, informou a agência de imprensa estatal Irna. Por três dias, o corpo de Khamenei ficará exposto ao público, que poderá prestar as suas homenagens. As pessoas foram convidadas para ir à cerimônia em um comunicado do Conselho Islâmico para a Coordenação do Desenvolvimento. Depois do funeral, corpo do Aiatolá será levado até a cidade sagrada de Mashhad, no nordeste do país, de onde era natural. O caminho entre Teerã e a cidade tem mais de 800 quilômetros e os detalhes sobre como esse traslado vai funcionar não foram divulgados. Ritos fúnebres acontecem enquanto o país tenta escolher seu novo líder supremo. A expectativa é de que a decisão seja tomada "em breve" e o filho de Khamenei é um dos cotados para assumir o cargo. Morte de Khamenei Lider supremo morreu no escritório onde trabalhava, segundo a mídia estatal iraniana . Ele "estava cumprindo suas funções designadas e estava presente em seu local de trabalho" quando foi morto durante ataques dos EUA e de Israel. A filha, o genro e o neto do líder supremo do Irã também teriam sido mortos nos ataques conjuntos dos EUA e de Israel. Khamenei, de 86 anos, governou o Irã por 35 anos, tornando-se um dos governantes com o mandato mais longo do mundo. Quem foi Khamenei Khamenei, então o homem mais poderoso do Irã, governava o país desde 1989. Como líder supremo —ou seja, religioso e político—, o aiatolá detinha a autoridade máxima sobre todos os ramos do governo, as Forças Armadas e o Judiciário na República Islâmica xiita. Ele era tanto chefe de Estado como comandante-chefe e tinha a palavra final sobre políticas públicas do país. Nascido em 1939 na cidade de Mashhad, no leste do Irã, Khamenei teve seus anos de formação religiosa e política na década de 1960. Ele se envolveu em movimentos que questionavam o regime do então xá Mohammad Reza Pahlevi. De acordo com a Reuters, baseada na biografia oficial do aiatolá, Khamenei foi torturado em 1963 quando, aos 24 anos, cumpriu a primeira prisão de muitas por atividades políticas durante o regime do xá. Khamenei estudou religião em Qom, quando sofreu forte influência do pensamento do aiatolá Ruhollah Khomeini, que liderava a oposição conservadora a partir do exílio. Ele se aproximou do movimento de Khomeini e logo estava ajudando a organizá-lo e executando missões em território iraniano. Nessa época, Khamenei se aprofundou em teorias anti-coloniais e anti-ocidentais. Ele chegou a traduzir livros do egípcio Sayyid Qutb, um influente intelectual do fundamentalismo islâmico, segundo um perfil publicado pelo jornal britânico The Guardian. Também participou dos protestos de 1978, que antecederam a Revolução Iraniana no ano seguinte, e tornou-se aliado próximo de Khomeini. Em 1980, quando Khomeini já era líder supremo do Irã, escolheu-o para ser o imã que faria a tradicional oração de sexta-feira em Teerã. Em junho de 1981, Khamenei sofreu um atentado a bomba . O ataque deixou seu braço direito paralisado para sempre. Quatro meses depois do ataque, foi eleito presidente do Irã, com 95% dos votos. Na época, apenas quatro candidatos foram autorizados a concorrer, e os demais três eram apoiadores de Khamenei. Ele ascendeu ao posto aos 42 anos de idade —e foi o primeiro clérigo a assumir o cargo, consolidando o domínio deles sobre o Estado. Em 1985, foi reeleito, e exerceu o cargo até 1989, quando seu líder e mentor, Khomeini, morreu de ataque cardíaco. O nome considerado favorito para assumir o posto de líder supremo era o aiatolá Hussein Ali Montazeri —que, no entanto, havia caído em decadência dois meses e meio antes da morte de Khomeini por criticar publicamente violações de direitos humanos cometidas pelo regime iraniano. O órgão responsável pela escolha do líder supremo, a Assembleia dos Peritos, decidiu de comum acordo que Khamenei assumiria o cargo. Informações indicam que Khomeini também o havia escolhido como sucessor. Para empossar Khamenei foi necessário fazer uma manobra. Na época, ele não tinha o grau de marja, reservado aos grandes aiatolás e exigido pela Constituição para ser líder supremo. Foi então nomeado de forma temporária, a Assembleia dos Peritos alterou a Constituição, e em seguida o confirmou no cargo. Em 2018, um vídeo da reunião secreta de 1989 que levou a essa escolha vazou para a imprensa, revelando um Khamenei incrédulo e inseguro com a escolha. No início do governo, Khamenei era considerado fraco e a sua escolha foi tida como surpreendente. Inclusive, era visto como sem apelo popular e um sucessor ruim para a função de Khomeini, visto como carismático, informou a agência de notícias Reuters. *Com informações da AFP