Como cientistas usaram tecnologia laser para localizar cidade islâmica perdida na Europa

admin
5 Mar, 2026
Bíblia, autores ateus e livro raro do século 17: visitamos a biblioteca do arqueólogo Rodrigo Silva Teólogo e professor mostrou sua coleção de livros ao Estadão. Crédito: João Abel e Bruno Nogueirão/Estadão Por mais de mil anos, a localização precisa da cidadela de Madinat al-Zahira, fundada por Almanzor (al-Mansur Ibn Abi Aamir), no século 10, foi um dos maiores mistérios da arqueologia islâmica na Espanha . Agora, um novo estudo do pesquisador Antonio Monterroso Checa, da Universidade de Córdoba, baseado em uma tecnologia de laser pulsado, apresenta fortes evidências de identificação do local exato da cidade-palácio, na parte oriental de Córdoba, perto de Alcolea. PUBLICIDADE Madinat al-Zahira não foi apenas mais um ajuntamento urbano. Construída por Almanzor no auge de seu poder, a cidadela funcionava como o coração político e administrativo de al-Andalus durante as últimas décadas do califado de Umayyad. Fontes medievais a descrevem como uma cidade monumental projetada para rivalizar com Madinat al-Zahra, uma outra famosa cidade do califado, fundada também no século 10 por Abd ar-Rahman III o primeiro califa de Al-Andalus. Publicidade Diferentemente de Madinat al-Zahra, no entanto, Madinat al-Zahira foi completamente destruída após a queda de Almanzor. O seu desaparecimento a transformou em um enigma topográfico, inspirando mais de 20 hipóteses sobre a sua localização – nenhuma delas embasada por evidências físicas até agora. O novo trabalho foi realizado a partir da tecnologia LIDAR (Light Detection and Raging), um tipo de scanner que usa laser pulsado para medir distâncias e localizar objetos, criando precisos modelos em 3D. O scanner emite laser pulsado e mede o tempo que cada pulso leva para ser refletido por alguma superfície. Com a velocidade da luz, a tecnologia é capaz de determinar a distância do objeto. Milhares dessas medições são capazes de criar um denso mapa em 3D da área escaneada. A tecnologia, do Instituto Geográfico Nacional da Espanha , permite aos pesquisadores detectar variações sutis no terreno, mesmo sob vegetação espessa, revelando anomalias invisíveis a olho nu. Publicidade Cientistas descobrem isqueiro de 400 mil anos Enigma milenar: novo estudo revela como estátuas da Ilha de Páscoa "andaram" até onde estão hoje Novas ossadas descobertas em capela do século 18 expõem passado colonial da Liberdade; saiba mais O pesquisador Monterroso Checa analisou os modelos digitais de alta resolução gerados pela LIDAR, que oferecem muito mais detalhes do que analises anteriores. Esses modelos foram interpretados a partir de uma combinação de análise histórica, fontes textuais medievais e morfologia urbana. A metodologia interdisciplinar representa uma mudança em relação às teorias especulativas baseadas em pesquisas arqueológicas. O trabalho identifica uma grande área perto das montanhas Pendolillas, em Córdoba, a aproximadamente 12 quilômetros da Grande Mesquita, como o mais provável local de Madinat al-Zahira. A área exibe anomalias lineares e geométricas que se estendem por mais de mil metros e são consistentes com as estruturas arquitetônicas identificadas sob o terreno. De acordo com os dados, as anomalias formam um layout urbano visivelmente planejado, caracterizado por marcas de construções quadradas e retangulares. Além disso, a organização arquitetônica é feita em platôs de diferentes alturas, adaptada ao tipo de terreno, entre outras. Publicidade A área estimada é de 120 hectares, o que coincide com o tamanho registrado em documentos históricos de Madinat al-Zahra, reforçando a ideia de que Madinat al-Zahira foi concebida como uma cidadela gêmea.