SUS: Brasil é pioneiro em tratamento de dose única contra malária infantil

admin
6 Mar, 2026
O Ministério da Saúde iniciou o novo tratamento contra a malária em crianças menores de 16 anos de idade no SUS (Sistema Único de Saúde) com o uso de tafenoquina na formulação pediátrica de 50 mg, indicada para pesos entre 10 kg e 35 kg.O público infantil concentra cerca de 50% dos casos da doença no país. Até então, o medicamento era ofertado apenas a jovens e adultos a partir de 16 anos de idade.A entrega do medicamento está sendo feita de forma gradual, com foco em áreas prioritárias na região Amazônica. Leia Mais Bahia confirma 2 casos de mpox em 2026; outros casos estão sob investigação Aplicação da vacina da dengue do Butantan começará a partir do dia 17 Estudo aponta medicamento promissor contra vírus Nipah O Brasil tornou-se o primeiro país do mundo a disponibilizar esse tipo de tratamento para crianças.Inicialmente, serão distribuídos 126.120 comprimidos da tafenoquina pediátrica para ampliar o controle da doença em todo o território nacional.O ministério esclareceu que o novo medicamento passou a ser indicado para pessoas com malária vivax (Plasmodium vivax), com peso acima de 10 kg, que não estejam grávidas ou em período de amamentação.O uso do medicamento tem se mostrado eficaz, reduzindo as recaídas e a transmissão da doença.Até então, o esquema terapêutico disponível exigia tratamento por até 14 dias, o que dificultava a adesão, especialmente entre crianças.De acordo com o Ministério da Saúde, “a nova apresentação do fármaco será administrada em dose única, o que proporciona mais conforto e praticidade para as famílias e profissionais de saúde, maior adesão à terapia, eliminação completa do parasita e a prevenção de recaídas”Ainda segundo o ministério, o medicamento “contribui para a interrupção da transmissão da doença, possibilita o ajuste da dose conforme o peso da criança, garantindo maior eficácia do tratamento”.O ministério investiu R$ 970 mil na compra do medicamento e já recebeu 64.800 doses que serão distribuídos em áreas de maior incidência como os Distritos Sanitários Especiais Indígenas Yanomami, Alto Rio Negro, Rio Tapajós, Manaus, Vale do Javari e Médio Rio Solimões e Afluentes.Esses territórios concentram cerca de 50% dos casos de malária em crianças e jovens de até 15 anos.O primeiro a ser contemplado foi o DSEI Yanomami, com 14.550 comprimidos. O território foi a primeira região do país a receber a tafenoquina 150 mg, indicada para pacientes com mais de 16 anos, em 2024.“A malária é um dos principais desafios de saúde pública na região Amazônica, especialmente em áreas de difícil acesso e territórios indígenas, onde fatores geográficos e sociais ampliam a vulnerabilidade à doença”, reconhece o ministério.O Ministério da Saúde informou que segue intensificando o monitoramento e o reforço das ações de controle vetorial, a busca ativa e a disponibilização de testes rápidos entre outras estratégias de combate à doença na região.Entre 2023 e 2025, somente no território Yanomami houve aumento de 103,7% na realização de testes, crescimento de 116,6% no número de diagnósticos e redução de 70% nos óbitos pela doença.Em relação a todo o país, em 2025 foi registrado o menor número de casos (120.659) desde 1979, com 15% de redução em relação a 2024.No mesmo período, também houve uma redução de 16% em áreas indígenas de todo o país.A Amazônia concentra 99% dos casos do país. No ano passado, foram registrados 117.879 casos na região.Aumento da malária tem correlação direta com garimpo ilegal