Veja como funciona uma bomba atômica, que voltou a ser tema de debate após o conflito entre EUA e Irã

admin
6 Mar, 2026
247 - O confronto envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel voltou a trazer à tona questionamentos sobre armas nucleares e seu funcionamento. O tema ganhou destaque no debate internacional mesmo após o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, afirmar que inspetores da ONU não identificaram evidências de que o governo iraniano esteja produzindo armamentos nucleares. Os relatos foram publicados nesta sexta-feira (6) pelo Portal G1 . A chamada bomba atômica “convencional” baseia seu funcionamento em um fenômeno físico conhecido como fissão nuclear. Esse mesmo princípio foi utilizado nas bombas lançadas pelos Estados Unidos sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki durante a Segunda Guerra Mundial. A fissão nuclear ocorre quando o núcleo de determinados átomos é dividido, liberando grande quantidade de energia em um intervalo extremamente curto de tempo. O calor gerado aquece instantaneamente o ar ao redor e provoca uma expansão violenta da atmosfera. Esse processo gera uma intensa onda de choque e radiação térmica. O efeito imediato da explosão pode causar mortes instantâneas nas áreas próximas ao epicentro. Em regiões mais afastadas, a radiação térmica provoca queimaduras graves, tanto externas quanto internas, atingindo órgãos que acabam superaque­cidos e deixam de funcionar. O fenômeno pode ser comparado ao calor irradiado por uma churrasqueira acesa, porém em proporções incomparavelmente maiores. Mais detalhes Toda matéria é formada por átomos, que possuem um núcleo composto por prótons e nêutrons. Alguns elementos químicos muito pesados apresentam maior instabilidade estrutural. Esse é o caso do urânio, que pode se tornar altamente reativo em determinadas condições. Quando o núcleo do urânio-235 recebe um nêutron adicional, ele perde seu equilíbrio e se fragmenta rapidamente em partes menores. Esse processo libera energia e novos nêutrons, desencadeando uma reação em cadeia. “O princípio é quebrar núcleos atômicos e usar a energia resultante dessa quebra para a explosão”, pontuou Leandro Tessler, professor do Instituto de Física Gleb Wataghin, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Nesse mecanismo, ao atingir o núcleo instável do urânio-235, o nêutron provoca a divisão do átomo em dois elementos mais leves, como bário e criptônio. A reação também libera três novos nêutrons, além de uma quantidade significativa de energia. Esses novos nêutrons passam então a atingir outros núcleos de urânio próximos, repetindo o processo sucessivamente. Cada nova divisão gera mais energia e novos nêutrons, ampliando rapidamente a reação. “A bomba atômica está baseada em juntar tanto urânio-235 que essas reações ficam incontroláveis e geram muita energia”, afirma Tessler. Número 235 e o enriquecimento de urânio O número 235 se refere à massa do átomo de urânio, que corresponde à soma de prótons e nêutrons presentes em seu núcleo. Todos os átomos de urânio possuem 92 prótons, mas podem apresentar quantidades diferentes de nêutrons. No caso do urânio-235, o núcleo contém 92 prótons e 143 nêutrons, totalizando massa 235. Já o urânio-238, mais abundante na natureza, possui 92 prótons e 146 nêutrons. No urânio encontrado naturalmente em rochas, o isótopo 235 representa apenas cerca de 0,72% do total. A maior parte da composição é formada pelo urânio-238. Para ser utilizado em reatores nucleares ou na fabricação de armamentos, o urânio precisa passar por um processo chamado enriquecimento. Essa etapa consiste em aumentar a proporção de urânio-235 em relação ao urânio-238. Durante o procedimento, o urânio é transformado em gás e colocado em equipamentos que giram em altíssima velocidade. Como o urânio-238 é mais pesado, ele tende a se deslocar para as bordas do equipamento, enquanto o urânio-235 permanece mais concentrado no centro. A partir dessa separação, a concentração do urânio-235 aumenta gradualmente. Quando o material atinge níveis superiores a 85% ou 90% desse isótopo, ele passa a ter potencial para ser utilizado na produção de uma bomba nuclear.