Ainda assustador e belo, Fatal Frame 2: Crimson Butterfly Remake é quase o remake perfeito
13 Mar, 2026
Sempre que se fala em survival horror clássicos do PlayStation 2, o que provavelmente vem em sua cabeça é Silent Hill 2 ou Resident Evil 4 , mas, o console de sexta geração da Sony está repleto de verdadeiras obras-primas do terror de sobrevivência e uma delas chega a modernidade nesta quinta-feira (12). Narrativa e atmosfera continuam perturbadoras Um dos grandes destaques de Fatal Frame 2 é a sua sombria narrativa que se torna cada vez mais perturbadora conforme você adentra no Vilarejo Minakami, principal local da trama. Falando no Vilarejo, toda a sua arquitetura, cada casa, pequenas plantações, moinhos, sua escuridão... todos esses elementos evocam um terror sublime que é bem suave, mas bastante opressivo ao mesmo tempo. Sempre com os fantasmas à espreita, caminhar por aí se torna ainda mais assustador. A atmosfera é um ponto muito importante no gênero de terror de sobrevivência e Fatal Frame 2 Remake dá aula nisso. Com uma trilha sonora tímida na maior parte do tempo, o jogo aposta em sons do ambiente e até mesmo um constante zunido agudo que permeia os lugares e dá uma enorme sensação de que você está sendo observado constantemente por algo ou alguém — e em algumas ocasiões não existe nada, mas esse sentimento constrói um medo ótimo para o game. Todo esse terror é potencializado com os ótimos gráficos do jogo, mas aqui há um ponto que me incomodou muito. Durante todo a gameplay, existe um filtro de tela que deixa a imagem bem granulada e até mesmo com bastante ruído. Isso dá um toque retrô, mas que empobrece os belos gráficos, na minha opinião. Voltando à narrativa, a dinâmica das irmãs Mio e Mayu Akamura está melhor do que nunca e se torna mais profunda com os novos rostos e expressões faciais das irmãs. O sentimento que se cria por elas ainda é bastante curioso, porque existe aquela cumplicidade de irmãos se protegendo, mas o comportamento distinto de Mayu e a forma que as coisas se aprofundam e se tornam estranhas torna a relação das irmãs realmente instigante e prende o jogador à história do começo ao fim. O mistério das Crimson Butterfly, do Vilarejo Minakami, das irmãs Akamura, da Câmera Obscura, e mais, tornam essa experiência uma narrativa sublime e digna de alto patamar do terror de sobrevivência. Os diversos documentos encontrados e toda a atmosfera só contribuem para o excelente enredo e imersão do jogador. Gameplay facilitada prejudica obra e diminui o terror Enquanto o terror construído pela atmosfera e narrativa é verdadeiramente extraordinário, as adaptações de gameplay para a modernidade prejudicam o medo sentido na jogabilidade. Não vou falar da câmera em terceira pessoa e da mecânica de segurar a mão de Mayu durante a gameplay, porque essas são adições ótimas e muito bem-vindas, mas a Câmera Obscura é uma questão. O combate de Fatal Frame se resume a tirar boas fotos de fantasmas. Pode parecer nada assustador falando assim, mas acredite, as batalhas são de fato horripilantes — até certo ponto. O remake adiciona uma árvore de pontos, que podem ser distribuídos em diversas categorias seja em filtros da câmera ou em mais pontos focais, por exemplo. Essa adição é boa e eu gostei dela, até o ponto que ela tornou o jogo fácil demais e eu senti que estava em um safari de fantasmas do que em uma vila mal assombrada. Essa facilitação excessiva diminuiu o terror que senti com o game, o que deixou as coisas menos assustadoras e imersivas. Porém, não chega a ser um ponto que estraga a experiência por completo. Em contrapartida, a gameplay é ótima, responsiva, alguns combates são bem intimidadores, principalmente a aparição do grande perseguidor do game, que tem uma aura de ceifador e é amedrontador ao ponto de dar pesadelos. Fatal Frame 2 Remake une o melhor que o jogo teve em sua versão de PS2 e posteriormente na de Nintendo Wii — confesso que não conheço muito a edição de Wii do jogo, mas, com o pouco que sei, consegui reconhecer alguns elementos transportados dela para este remake. Boas-vindas a novos jogadores, menos os falantes de português O ponto mais decepcionante do jogo é a falta de localização em português do Brasil. Um claro reflexo da impopularidade da franquia Fatal Frame em relação aos seus concorrentes Silent Hill e Resident Evil. Infelizmente, quem não fala inglês perderá boa parte do impacto do jogo e sua trama bastante densa contada através de cutscenes, diálogos e muitos documentos, alguns deles bem densos. Apesar da Koei Tecmo ter dado atenção ao público brasileiro e sempre localizar os jogos da franquia Nioh, por exemplo, Fatal Frame ficou de fora e perde muito sem legendas ou dublagem em português.