“Cliente de alto padrão quer viver uma experiência que faça sentido para seu estilo de vida”

admin
13 Mar, 2026
A Even está de visual novo. Depois de uma década investindo em projetos de alto padrão — como o Fasano Itaim, o São Paulo Bay e o Faena São Paulo —, a incorporadora decidiu reformular sua marca para refletir melhor o segmento em que vem atuando. A nova logo tem um desenho mais elegante e sofisticado, alinhado ao posicionamento que a empresa consolidou nos últimos anos. Segundo o diretor de Incorporação, João Paulo Laffront, a mudança envolve ainda novos projetos luxuosos, com tíquetes mais altos, e o reforço em eventos de relacionamento. Em 2025, ele levou convidados para um fim de semana em Trancoso (BA) e, agora em março, o destino são dois camarotes no Miami Open, na Flórida. Na volta ao Brasil, a empresa pretende lançar mais seis projetos — um deles, com VGV acima de R$ 2 bilhões, promete mudar a paisagem da cidade. Por que a mudança da marca agora? João Paulo Laffront — No ano passado, conseguimos zerar o estoque de produtos que não eram de alto padrão, o que nos deixou ainda mais focados em desenvolver produtos para o público de alta renda. Para consolidar este marco, contratamos uma consultoria internacional — a mesma que fez trabalhos de “rebranding” para a Jaguar, a Porsche e a Moët & Chandon — e decidimos revitalizar a marca. Quando começou esse movimento? É um processo que vem sendo construído desde 2015, quando lançamos o Fasano Itaim e passamos a agregar conhecimento para chegar à maturidade no alto padrão. A mudança de logo reflete uma transformação importante da cultura da empresa, que influencia processos, projetos e atendimento. E tudo passa por uma visão clara: colocar o cliente no centro das nossas estratégias. Quem é esse cliente hoje? São pessoas com referências globais sobre qualidade, “real estate” e estilo de viver e morar, que não querem menos do que já têm. Nosso desafio é criar uma experiência que não só as estimule a trocar de casa, mas que antecipe um desejo delas. No passado, o luxo eram apartamentos com churrasqueira na varanda. Depois, vieram os condomínios-clube. Mais recentemente, são prédios assinados por marca, com bem-estar e lazer, como quadras de tênis cobertas e piscina de onda. É preciso estar atento ao que este cliente tem feito e como tem vivido, para oferecer algo novo e desejável. Como impactar esse perfil de público? Temos investido cada vez mais em experiências que nos aproxime dos clientes. No ano passado, levamos casais ao “Even Experience”, um evento em Trancoso (BA), com clínicas de yoga, “beach tennis” e painéis de conteúdo. Neste ano, nosso encontro será nos Estados Unidos, durante o Miami Open. Serão mais de 120 clientes, sócios e investidores que levaremos a camarote no torneio, jantares e festa no Faena Miami. Este cliente não quer mais ir a um coquetel de lançamento em showroom — ele quer viver uma experiência que faça sentido para seu estilo de vida. Existe conversão nestes eventos? Nem sempre, mas geram muitas indicações depois, além de criar um relacionamento valioso e uma expectativa positiva sobre o próximo encontro, com mais pessoas querendo participar. É um efeito sentido também na venda dos apartamentos: em cada “cluster” — mercado financeiro, tecnologia etc. — há pessoas que atraem outras para novos eventos ou para a compra de imóveis. O que há previsto para ser lançado neste ano? Temos um lançamento “de entrada” do segmento de alto padrão, na Vila Mariana, com apartamentos de 100 a 200 metros quadrados, entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões, mas com arquitetura assinada, “amenities” e design de interiores tão sofisticados quanto os projetos de tíquete mais alto. E outros dois de valor agregado maior no Itaim e na região do Parque do Ibirapuera. A ideia é lançar um a um, quando a condição do mercado for mais favorável. Tudo com capital próprio? Temos uma estratégia para grandes empreendimentos que é a busca de sócios para os projetos. Há ganhos financeiros para todos e diluição do potencial de risco. Foi o que fizemos com o Faena São Paulo, por exemplo. Nos lançamentos para este ano, faremos assim também. Estão confiantes no mercado para 2026? Acho que a mudança de marca e estes lançamentos corroboram a nossa confiança no alto padrão de São Paulo. Estamos bem-preparados em seguir atuando neste mercado, mesmo com o cenário econômico desafiador no Brasil. Claro, taxa de juros menor ajudaria, mas ainda assim, enxergamos como um bom segmento de negócio na capital paulista. Como antecipar tendências e inovar neste segmento tão competitivo do mercado? Nosso papel como desenvolvedor de projetos é despertar o interesse das pessoas em mudar de apartamento. Para isso, contamos com uma área de inteligência de mercado que analisa dados e informações extraídas do setor e da carteira de clientes. Também temos equipes viajando o mundo todo, visitando cidades e eventos, para captar insights e tentar entender qual é a próxima onda. E qual seria a próxima onda? Estamos observando com atenção a questão do esqui. Nos últimos anos, a presença de brasileiros nas principais estações de esqui do mundo tem batido recorde. A tecnologia dos simuladores está cada vez mais avançada, e estamos de olho para levar isso aos nossos empreendimentos. Vocês investiram em duas áreas ignoradas pelo mercado, na Faria Lima e em Pinheiros. Por quê? De fato, é uma região ainda pouco explorada pelo mercado imobiliário. Mas, olhando de cima, percebe-se novos empreendimentos na Avenida Rebouças e a consolidação de Pinheiros e do Alto de Pinheiros. Essa área virou uma ‘ilha’ não desenvolvida entre duas regiões muito promissoras da cidade, o que nos encorajou a mergulhar de cabeça neste novo projeto. O que será feito por lá? Um complexo multiúso, com escritórios, lojas e residenciais, associado ao Largo da Batata, que será reformulado pela prefeitura. Compramos o maior número possível de áreas ao redor e firmamos opções de compra sobre grande parte dos terrenos para preservar um desenvolvimento mais planejado e, num futuro próximo, conectar tudo isso ao Faena. É um novo eixo de desenvolvimento urbano, bem relevante, com VGV estimado acima de R$ 2 bilhões.