Nikolas adere campanha “Ele não” contra Erika Hilton para presidir Comissão das Mulheres
13 Mar, 2026
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) aderiu à campanha “Ele Não” lançada nas redes sociais contra a nomeação de Erika Hilton (PSOL-SP) à presidência da Comissão da Mulher, da Câmara dos Deputados. Erika assumiu a função na última quarta-feira (11) e afirmou pela rede X que o fato foi “mais um passo na reparação” de sua própria história. “Não estou nem um pouco preocupada se o esgoto da sociedade não gostou”, escreveu na publicação. “A opinião de transfóbicos e imbeCIS é a última coisa que me importa”, continuou. Em resposta à postagem, Nikolas Ferreira publicou vídeo apontando que a primeira atitude de Erika na presidência da Comissão das Mulheres teria sido “xingar mulheres de imbecis”, já que Erika teria ressaltado a sílaba “CIS” em referência ao termo “cisgênero”, usado para homens e mulheres. “Está dizendo que tanto homem como mulher são imbecis e que a última coisa que lhe importa são as mulheres”, afirmou Nikolas, ao citar outro trecho postado por Hilton: “hoje fiz história por mim, hoje fiz história pela minha comunidade”. Para o deputado federal, a afirmação evidenciaria que Erika está trabalhando pela comunidade trans, e não pela mulheres. O parlamentar também criticou o fato de Erika ter processado o apresentador Ratinho nos últimos dias e de ter pedido prisão dele após questionamento contra a nomeação de Erika para presidir a Comissão da Mulher. Erika Hilton acionou o Ministério Público Federal (MPF) contra Ratinho e o SBT por suposta transfobia e pediu indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos à população trans e travesti. Segundo Nikolas, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo tribunal Federal (STF), já decidiu que “chamar Erika Hilton de homem não é crime”. A afirmação faz referência ao fato de o ministro ter rejeitado, em 2025, um recurso de Erika contra a ativista feminista Isabella Cêpa , que respondia judicialmente por crime de racismo na forma de transfobia. Isabella havia feito uma publicação nas redes sociais em 2020 questionando que a “mulher mais votada para a Câmara de Vereadores de São Paulo”, Erika Hilton, “era, na verdade, um homem”, como disse à época. Ao lembrar o caso, Nikolas afirmou que milhares de brasileiros concordam com os questionamentos feitos e que os argumentos não são apresentados apenas por conservadores, mas pela própria esquerda, já que Isabella Cêpa, processada por Erika, é uma ativista feminista. Isabella conseguiu status de refugiada em um país europeu para evitar prisão após sofrer perseguição judicial por Erika Hilton. A feminista critica o abandono da proteção às mulheres pela militância de esquerda e afirma que os partidos decidiram abraçar bandeiras identitárias que não priorizam a defesa das mulheres. Para o deputado federal, o princípio do "eu me sinto, eu me torno" não pode se tornar regra na sociedade, pois, se isso ocorrer, abrirá um "precedente horrível e perigoso para todo mundo”. Segundo ele, não há problema em uma pessoa sentir-se como quiser, mas não pode criminalizar o outro por discordar. "Isso, sim, é coisa de extremista”, disse, ao afirmar que é preciso saber conviver com pessoas que pensam diferente. "Por isso e muito mais, as pessoas têm direito, sim, de dizer ‘ele não’”, finalizou. O termo usado para questionar a nomeação de Erika Hilton para presidência da Comissão das Mulheres remete ao movimento político #EleNão, iniciado por mulheres nas redes sociais, em 2018, contra a candidatura de Jair Bolsonaro. Na época, o movimento argumentava que Bolsonaro seria “machista” ou “misógino” e citava frases antigas do deputado interpretadas como desrespeito às mulheres. O movimento gerou protestos espalhados pelo país e recebeu apoio de diversos artistas e influenciadores dentro e fora do Brasil. Como reação ao #EleNão, apoiadores de Bolsonaro organizaram protestos e campanhas com a hashtag #EleSim em diversas cidades brasileiras na mesma época da campanha eleitoral.