Ex-Tropa de Elite e Crivella podem ser apostas da direita para o Senado no Rio se Castro for barrado
15 Mar, 2026
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), dava como certa sua candidatura ao Senado, na eleição de outubro. Mas ele é réu em um processo que nesta semana avançou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e corre o risco de se tornar inelegível. Na ausência de Castro, despontam como favoritos para os eleitores da direita o ex-prefeito Marcelo Crivella, do Republicanos, e o ex-policial militar Rodrigo Pimentel, sem partido. Segundo pesquisa eleitoral realizada e divulgada no dia 11 pelo instituto Real Time Big Data, Castro está à frente com 23% das intenções de voto para senador. Crivella vem em segundo com 15% e Pimentel com 12% - empatado com a candidata do PT, Benedita da Silva. Consultada pela reportagem, a assessoria do ex-policial militar que integrou o Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Rio (Bope) e inspirou o personagem Capitão Nascimento na série de filmes "Tropa de Elite", entre 2007 e 2010, confirmou que Pimentel foi sondado pelo Partido Novo e por outros, mas ressaltou que ele não é filiado a nenhum partido e não pretende se candidatar. Já Crivella, que nos últimos tempos estreitou sua defesa das bandeiras e da liberdade do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), inclusive defendendo a anistia ao ex-presidente, vive uma situação curiosa. Ex-prefeito do Rio, foi eleito deputado federal em 2022 com o maior número de votos do partido: 110.450. Por isso, o partido quer que ele repita a dose, se candidatando como deputado para servir de puxador de votos para o Republicanos. Mas Crivella garantiu à Gazeta do Povo que vai se candidatar ao Senado, mesmo se precisar disputar eleitores com Castro. O principal grupo político adversário, do prefeito do Rio e pré-candidato a governador Eduardo Paes (PSD), que tem o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai lançar Benedita e um candidato ainda indefinido. A pesquisa testou, por exemplo, o deputado Pedro Paulo (PSD), que chegou a 10% no cenário mais favorável. O instituto Real Time Big Data ouviu 2.000 eleitores nos dias 9 e 10 de março e divulgou a pesquisa na quarta-feira, 11. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O índice de confiança da pesquisa é de 95%. O levantamento está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-04367/2026. Em todos os cenários pesquisados pelo instituto Real Time Big Data, o governador Castro é favorito. Em um cenário sem Crivella ele seria escolhido senador por até 36% dos eleitores, se a eleição fosse hoje. Com a margem de erro, esse número pode chegar a 38%. O número só consolida uma situação já vivenciada em 2022, quando o político foi reeleito governador no primeiro turno, com quase 60% dos votos válidos. O outro candidato a senador definido pelo PL de Castro é o atual prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil), que na pesquisa eleitoral citada tem, no melhor cenário, 9% dos votos. O problema de Castro é a Justiça Eleitoral. Ao mesmo tempo em que a pesquisa era realizada e Castro despontava como favorito, o TSE dava continuidade à votação de um processo que pode tornar o governador inelegível. Ele é réu em uma ação que o acusa de abuso de poder político e econômico na eleição de 2022. Trata-se do chamado “escândalo do Ceperj”, que também envolve o presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio, Rodrigo Bacellar (União Brasil), e o ex-vice-governador Thiago Pampolha. A investigação policial revelou uma folha de pagamento secreta com cerca de 20 mil cargos temporários no Ceperj (Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro) e na Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), para supostamente beneficiar aliados e cabos eleitorais. Castro foi absolvido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) em 2024, mas o Ministério Público Eleitoral recorreu e o caso foi para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde, em 4 de novembro de 2025, a ministra relatora Isabel Gallotti votou pela cassação do mandato e dos direitos políticos do governador e a convocação de novas eleições. No mesmo dia, o ministro Antonio Carlos Ferreira pediu vista do processo, que só foi retomado em 10 de março. Na última terça-feira, Ferreira votou exatamente igual à relatora. Aí foi a vez do ministro Kássio Nunes Marques pedir vista e interromper o julgamento. O regimento interno do TSE garante até 60 dias para cada pedido de vista, mas um acordo prévio feito por Nunes Marques com a presidente do Tribunal, Cármem Lúcia, definiu que ele devolverá o processo no próximo dia 24 e já está marcada uma sessão no dia 25 para retomar o julgamento. A situação surpreendeu Castro, que esperava que o julgamento se estendesse até o final do ano . Se ele for eleito senador e diplomado antes do veredito, estará livre para cumprir o mandato. Com a rapidez anunciada nesta semana, no entanto, pode ser que o governador seja cassado e não possa se candidatar. Faltam os votos de cinco ministros do TSE: além de Nunes Marques, indicado ao Supremo Tribunal Federal pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, vão se manifestar Floriano de Azevedo, jurista próximo ao ministro do STF Alexandre de Moraes; Esteja Aranha, nomeada para a corte com o apoio de Flávio Dino; André Mendonça, outro que chegou ao STF indicado por Bolsonaro, e a presidente da corte, Cármem Lúcia. Se dois deles votarem pela cassação de Castro, forma-se a maioria necessária para impedir a candidatura de Castro. A hipótese complica duplamente o PL, que perderia seu mais forte candidato a senador no Rio e veria desarrumado seu plano para a sucessão estadual. Em fevereiro, Flávio Bolsonaro e Castro se reuniram em Brasília e definiram que o candidato ao governo fluminense é Douglas Ruas (PL), atual secretário estadual de Cidades e filho do prefeito de São Gonçalo, o capitão da PM Nelson Ruas. Aos 34 anos, Ruas vai disputar sua segunda eleição. Na primeira, em 2022, foi eleito deputado estadual com 175 mil votos. Ainda pouco conhecido, Ruas teria uma oportunidade de se apresentar aos eleitores caso se elegesse governador na eleição-tampão indireta a ser realizada se Castro deixar o cargo voluntariamente, até 4 de abril, para concorrer ao Senado. Mas, segundo pessoas próximas, o governador ficou decepcionado com a falta de apoio dos correligionários após a retomada do julgamento no TSE, nesta semana, e cogita se manter no cargo até a decisão final da Justiça Eleitoral. Nesse caso, Ruas teria no mínimo menos tempo para estar na vitrine, enquanto seu principal adversário, Eduardo Paes (PSD), é presença constante na imprensa e nas redes sociais como prefeito do Rio. O PL segue afirmando que confia na elegibilidade do atual governador e que não há plano B. "Com toda certeza o Cláudio será candidato", garantiu à Gazeta do Povo o deputado federal Sóstenes Cavalcante, um dos mais importantes nomes do partido, na última sexta-feira (13). No mesmo dia, o governador se reuniu com a cúpula do PL, do PP e do União Brasil para discutir sua situação jurídica e política. A decisão sobre renunciar ou não pode ser anunciada na próxima semana. Para o grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), tão importante quanto impedir a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e retomar o Poder Executivo federal é eleger, no pleito de outubro próximo, um número de senadores suficiente para formar maioria nessa Casa legislativa, que conta com 81 parlamentares - estarão em disputa 54 vagas, dois terços do total. Hoje todos os três representantes do Estado do Rio de Janeiro são do PL: Bruno Bonetti, que é suplente de Romário e exerce o cargo desde que o ex-atleta (do mesmo partido) se licenciou, em dezembro de 2025; Flávio Bolsonaro, que deve disputar a presidência da República, e Carlos Portinho, que por orientação partidária deve disputar uma vaga como deputado federal As vagas de Flávio Bolsonaro e Portinho estarão em jogo em outubro, enquanto a de Bonetti está garantida até o início de 2031, já que os mandatos são de oito anos e este começou em 2023.