Quanto já avançou, de fato, estudo sobre a polilaminina? ‘Não é torcida contra, mas visão realista’

admin
16 Mar, 2026
Todos estão interessados nos estudos da polilaminina aqui no Brasil e achei por bem abordar as fases do desenvolvimento de novos fármacos - e em qual delas exatamente a polilaminina se situa nesse momento. PUBLICIDADE Tudo começa com a pesquisa básica em laboratórios de universidades ou de empresas farmacêuticas, onde são selecionadas moléculas candidatas a novos tratamentos, ou eventualmente novas moléculas são criadas. Foi o caso da polilaminina. Ela é baseada num monômero, a laminina. A equipe responsável pelo estudo desenvolveu o processo de polimerização, gerando a polilaminina. Estas substâncias são testadas em estudos não-clínicos, em uma primeira fase in vitro , quando se observa a ação delas sobre grupos de células, e numa segunda fase in vivo , quando se observa a ação sobre organismos multicelulares (frequentemente, em ratos de laboratório). Uma vez que se obteve suficiente conhecimento nesta fase inicial, parte-se para a pesquisa clínica, que envolve a aplicação em humanos. A primeira fase visa testar a segurança e a dosagem máxima. Geralmente ela tem poucos participantes, em ordem de grandeza na casa de dezenas. (A polilaminina ainda não passou por essa fase. A Anvisa concedeu autorização em fins de janeiro de 2026, mas ainda não foi iniciada). Em seguida vem a fase 2, com número de participantes maior, na casa de centenas, que visa avaliar a eficácia e a dosagem ideal. Isso tampouco foi feito para a polilaminina por enquanto, até pelo número de participantes, que foi bem pequeno pelo próprio desenho do estudo. É importante deixar claro que os autores do estudo da polilaminina deixam claro que é um uso experimental prévio, uma etapa preliminar de estudo, que antecede as fases 1 e 2. Publicidade Uma vez aprovada na fase 2, a nova substância parte para a fase 3, na qual se testa o risco-benefício. A ordem de grandeza do número de participantes é de milhares, motivo pelo qual esta fase é a mais demorada e custosa. Aqui se usam os chamados RCTs (ensaio duplo-cego, quando nem o participante nem a pessoa que aplica sabe se recebeu o ativo ou um placebo). É nesta fase que se descobrem aquelas reações adversas que constam na bula, e se faz a quantificação delas. Uma vez aprovada a fase 3, o medicamento pode seguir para a comercialização. Mas existe uma outra etapa, que é a fase 4: a farmacovigilância. Mesmo quando o produto está no mercado, ele continua sendo acompanhado. Por quê? Podem acontecer reações adversas que não foram detectadas na fase 3. Com milhões de usuários, pode haver algumas reações tão raras que não eram detectáveis com a amostragem da fase 3, que era de alguns milhares. Eventualmente pode haver revisões das bulas para inclusão de outros efeitos adversos ou, em casos extremos, até mesmo a retirada do fármaco do mercado. Voltando à polilaminina: espero que tenha ficado claro que o estágio atual de desenvolvimento dela é bem inicial, até mesmo anterior à fase 1. E para entendermos mais sobre a segurança e a eficácia desse produto, teremos de esperar que a fase 2 seja concluída também. Por isso, é temerário esperar qualquer resposta definitiva ainda em 2026. Não vai acontecer. Não é uma torcida contra, é simplesmente uma visão realista considerando o seguimento dos protocolos exigidos. Eu sei que é uma mensagem dura, mas o tempo da ciência é diferente do tempo das mídias sociais. Publicidade Mecânicos, ivermectina e Mel Gibson: como o cérebro nos engana sobre o que realmente vimos O câncer está matando mais e menos - ao mesmo tempo. Como isso é possível? Sabe aquela doença que passou a matar muito mais de um ano para o outro? É bom desconfiar