Mendonça manda PF retirar dados privados de Vorcaro da CPI do INSS
17 Mar, 2026
O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou nesta 2a feira (16.mar.2026) que a Polícia Federal exclua dados privados de Daniel Vorcaro das informações de quebra de sigilo encaminhadas à CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS.No despacho, o ministro afirmou que todo o material armazenado na sala-cofre da CPMI deverá ser retirado em colaboração interinstitucional da PF com a presidência da comissão para que seja feita uma “separação dos dados existentes, de maneira a que eventual conteúdo que diga respeito exclusivamente à vida privada do citado investigado não seja compartilhado”.Segundo o ministro, é necessário considerar a preservação do sigilo de aspectos da vida privada do fundador do Banco Master, investigado na Operação Compliance Zero. Leia a íntegra (PDF – 105 kB).A decisão segue o mesmo sentido da ordem do ministro que instaurou um inquérito policial para investigar o vazamento dos dados das mensagens de celular de Vorcaro com sua ex-namorada, Martha Graeff.Na decisão de 6 de março, o ministro afirmou que o compartilhamento da quebra de sigilo não autoriza o vazamento das informações por integrantes da CPI. “Bem ao contrário, enseja, pela autoridade que recebeu a informação de acesso restrito, a responsabilidade pela manutenção do sigilo. Isso porque, a toda evidência, a eventual quebra de sigilo não torna públicas as informações acessadas”, declarou. Leia a íntegra (PDF – 179 KB). O CELULAR DE VORCAROA quebra do sigilo dos dados telemáticos do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, identificou que ele mantinha o contato dos telefones e autoridades dos Três Poderes como 3 ministros do STF; parentes de ministros, como a advogada Viviane de Moraes; 6 congressistas; além de 2 diretores do BC (Banco Central) – autarquia que regula e investiga o Master. As mensagens, interceptadas pela PF (Polícia Federal) e às quais o Poder360 teve acesso, estavam no celular de Vorcaro, apreendido pela corporação na operação Compliance Zero. Com base no conteúdo obtido, eis o que se sabe sobre o empresário até o momento:Vorcaro e namorada planejaram levar filha de Trump à Sapucaí;Empresário levava vida de luxo e tinha agenda de negócios cheia;Fundador do Master acelerou a venda de cobertura de R$ 60 mi no dia em que foi preso;Tinha contatos salvos de Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e outras autoridades;Banqueiro disse que Augusto Lima bateu na mulher e casal negou;Vorcaro discutiu com funcionário pagamentos mensais a site de esquerda;Empresário se gabou para a então namorada por levar ministros para Londres;Demonstrava preocupação com cobertura jornalística;Comprou um barco para a namorada, mas pediu que ela não tirasse fotos;Sugeriu em mensagens que encontro com Lula foi “ótimo”;Seu celular tinha o contato de “Vivi Moraes”;Rueda e Ciro Nogueira voaram em helicóptero seu helicóptero em SP;Disse que era “zero” a chance de o BC barrar a venda do MasterCitou encontro com Hugo Motta e elogiou emenda de Ciro Nogueira;Sugeriu em mensagens que BTG queria barrar acordo com BRB;Chamou Jair Bolsonaro de “beócio” e reclamou de post dele sobre Master;Deu relógio suíço avaliado em R$ 1 mi a Nelson Tanure. PRISÃO DE VORCARO Na 6a feira (13.mar), a 2a Turma do STF teve maioria para manter a prisão de Vorcaro em unidade de segurança máxima. Para o relator, a polícia “comprovou a prática de atos de ameaças concretas” realizadas pelo o grupo denominado de “A Turma”, responsável por intimidar adversários do ex-banqueiro. Segundo Mendonça, o grupo “ainda se apresenta como uma perigosa ameaça em estado latente, pois conta com integrantes que ainda estão à solta”Em seu voto, Mendonça também afirmou que: ainda há 8 celulares de Daniel Vorcaro para analisar; foi encontrada com Luiz Phillipi Mourão, o Sicário (morto em 6 de março), uma arma em situação ilegal.O relator foi acompanhado por Luiz Fux e Kássio Nunes Marques. Falta votar o ministro Gilmar Mendes, que tem até 20 de março para se manifestar. Toffoli se declarou suspeito nos processos relacionados à Operação Compliance Zero.