Fundador da Uber revela empresa de robôs para cozinhas e mineração
17 Mar, 2026
Travis Kalanick, cofundador da Uber, anunciou na última sexta-feira (13) o lançamento da Atoms, empresa voltada ao desenvolvimento de robôs industriais especializados para os setores de alimentação, mineração e transporte. O anúncio foi feito ao vivo no programa de tecnologia TBPN tech talk show, encerrando oito anos de operação em sigilo absoluto, período em que funcionários eram proibidos de divulgar o nome do empregador no LinkedIn.A Atoms surge da reformulação da City Storage Systems, holding de Kalanick que controla a operadora de “dark kitchens” CloudKitchens. A companhia, que chegou a ser avaliada em US$ 15 bilhões, passa agora a integrar a nova estrutura como divisão de robótica alimentar, sinalizando uma virada estratégica do grupo.Leia mais:DJI corrige bug de segurança dos robôs ROMOHonor Robot Phone: conheça o celular que tem um braço robótico na câmeraLenovo apresenta robô AI Workmate no MWC 2026 para assinar documentos e ajudar no escritórioROBÔS COM “EMPREGOS PRODUTIVOS”A proposta central da Atoms é criar o que Kalanick chama de uma “wheelbase para robôs”, uma plataforma padronizada com chassi, energia, computação e sensores que serve de base para máquinas especializadas em tarefas industriais. A filosofia é a mesma da indústria automotiva: uma plataforma única que sustenta múltiplas variações de produto, voltada a robôs de trabalho, não humanoides.Reprodução/Atoms“Na Atoms criamos robôs com empregos produtivos, robôs especializados com funções que geram valor para seus proprietários e para a sociedade”, declarou Kalanick no site da empresa. Ele destaca que os humanoides têm seu espaço, mas enxerga maior oportunidade em máquinas industriais especializadas e de escala.TRÊS FRENTES DE ATUAÇÃOA empresa está estruturada em três divisões principais, conforme detalhado no site da Atoms:Atoms Food: robôs para automação de cozinhas, incluindo o “Bowl Builder”, uma máquina de montagem de refeições desenvolvida no laboratório Lab37, em Pittsburgh, liderado por Eric Meyhofer, ex-professor de robótica da Carnegie Mellon University e ex-chefe da divisão autônoma da UberAtoms Mining: robôs projetados para operar em ambientes extremos, como minas e pedreirasAtoms Transport: plataforma de mobilidade robótica voltada ao transporte de cargasAQUISIÇÃO DA PRONTO AI E LAÇOS COM LEVANDOWSKIPara reforçar o braço de mineração, Kalanick revelou estar em vias de adquirir a Pronto AI, startup de veículos autônomos para ambientes industriais fechados cofundada por Anthony Levandowski. Kalanick afirmou já ser o maior investidor da empresa e indicou que um acordo poderia ser fechado em questão de dias.Os laços entre os dois são antigos. Em 2016, Kalanick recrutou Levandowski, então membro fundador do projeto de carros autônomos do Google, para liderar a divisão interna de veículos sem motorista da Uber. O Google posteriormente processou a empresa por suposto roubo de segredos tecnológicos. Levandowski foi condenado criminalmente, mas recebeu perdão do presidente Donald Trump ao fim de seu primeiro mandato.O RETORNO AO MUNDO AUTÔNOMOO interesse de Kalanick por veículos autônomos remonta à sua época à frente da Uber, quando ele via o projeto de carros sem motorista do Google, que mais tarde se tornou a Waymo, como uma ameaça direta ao negócio. Não à toa, a empresa já chegou a revelar um carro voador e o atual CEO da Uber já alertou que motoristas serão substituídos por veículos autônomos no futuro próximo. Em 2020, após a saída de Kalanick, a Uber vendeu sua divisão autônoma para a Aurora Innovation, decisão que ele disse publicamente lamentar em entrevista em março de 2025.“Quando você resolve o problema do movimento no mundo físico, há muita gente que quer acesso a isso”, afirmou Kalanick no TBPN. Com a Atoms, ele volta a apostar que a automação do mundo físico pode ser tão disruptiva quanto o que a Uber fez com o transporte de pessoas, desta vez com robôs no lugar dos motoristas.Conteúdo Relacionado ANÁLISEDJI OSMO Action 6 – A MELHOR câmera de ação do mundo [ANÁLISE/REVIEW]Fonte: Bloomberg