Funcionárias do Corinthians denunciam casos de assédio no PSJ e Arena; clube deve afastar acusados

admin
18 Mar, 2026
Funcionárias do Corinthians denunciam casos de assédio no PSJ e Arena; clube deve afastar acusados Duas funcionárias ligadas ao Corinthians denunciaram casos de assédio sofridos por também funcionários do clube nos últimos meses. Uma denúncia partiu de uma bombeira contratada para trabalhar na Neo Química Arena e a outra de uma funcionária do Parque São Jorge. A segunda, mais recente, fez as acusações em uma denúncia interna, enquanto a bombeira revelou o acontecido em um processo trabalhista. O Corinthians está ciente das acusações e deverá oficializar o afastamento de dois funcionários, um ligado ao Parque São Jorge e outro à Neo Química Arena, ambos envolvidos em acusações de assédio moral e sexual nos próximos dias. A medida será deliberada em reunião interna com os respectivos departamentos administrativos de cada local. O Meu Timão teve acesso a documentos sobre as duas denúncias, sendo que uma delas foi relatada internamente em fevereiro deste ano, sendo alvo de sindicância após o Corinthians tomar ciência da situação. A outra, porém, ocorreu entre 2024 e 2025, sendo mencionada como parte de um processo trabalhista aberto em outubro de 2025, que não chegou ao conhecimento do público, por tramitar em segredo de justiça. Confira mais detalhes de cada caso abaixo. Denúncia na Neo Química Arena O caso de assédio na Neo Química Arena foi denunciado em um processo trabalhista movido pela vítima, uma bombeira que foi contratada para trabalhar no estádio alvinegro em maio de 2024. Na ação, cuja petição inicial datada de outubro de 2025 foi recebida pelo Meu Timão, a autora explica que seu vínculo trabalhista não era com o Corinthians, mas com uma empresa de segurança que prestava serviços ao clube. No processo, ela faz diversas alegações sobre suas condições de trabalho em Itaquera. Menciona, por exemplo, que foi registrada apenas em março de 2025, trabalhando de maneira informal por quase dez meses, inicialmente como bombeira freelancer e, em seguida, como coordenadora das equipes de bombeiros, limpeza e recepção do estádio. A ação também cita jornadas exaustivas de trabalho, incluindo jornadas semanais com 80 horas. Em dias de jogos, a funcionária cita que chegou a permanecer 16 horas em seu posto de trabalho, com essas horas extras jamais sendo pagas ou compensadas com folgas. Precisava, ainda, segundo ela, ficar à disposição dos superiores em momentos de descanso. De acordo com o relato, o assédio sofrido pela funcionária iniciou dois meses após começar a trabalhar na Neo Química Arena, apontando como autor um outro coordenador dos bombeiros que trabalhava no mesmo local. Segundo a vítima, ele buscava pretextos para se reunir com ela e, nestes encontros, tentava agarrá-la, chegando em uma ocasião a trancá-la no banheiro. Em todas as tentativas de abuso, a vítima reagiu, rejeitando as investidas e deixando claro que era casada e tinha família. Ainda de acordo com a ação, a bombeira levou o caso aos superiores, que nada teriam feito, orientando a mulher a "levar na brincadeira", pois o contrato com a empresa de segurança que prestava serviços ao clube precisaria ser mantido. O autor dos assédios, segundo a vítima, também reagiu, ameaçando-a de demissão caso ela seguisse denunciando o que estava sofrendo e pressionando-a psicologicamente, afirmando que teria contatos no Corinthians e que poderia causar sua demissão. Com medo de perder o emprego, a bombeira silenciou sobre os abusos, mas pouco tempo depois, diante da escalada dos assédios, voltou a reclamar com seus superiores em março de 2025, após sofrer nova ameaça do coordenador, que seria demitido em seguida devido a outros comportamentos, conforme sustenta a ação. Apenas um mês depois dessa demissão, porém, a vítima foi surpreendida pelo retorno do mesmo coordenador ao seu posto original, agora contratado diretamente pelo Corinthians como pessoa jurídica. A defesa da bombeira relata na petição que, com o retorno do funcionário à Neo Química Arena, os assédios também retornaram, assim como as ameaças, cobranças profissionais alheias ao contrato e outras hostilidades que provocaram um quadro de desgaste em sua saúde, incluindo o desenvolvimento de insônia grave, crises de ansiedade, sintomas de depressão e desgaste no ambiente familiar. Por conta disso, o Corinthians decidiu remanejá-la de setor em junho, mesmo mês em que a vítima formalizou as denúncias contra o bombeiro em um boletim de ocorrência. Em julho, a vítima foi diagnosticada com Síndrome de Burnout e Transtorno de Adaptação com Humor Misto Ansioso e Depressivo, recebendo de seu médico uma recomendação para se afastar do trabalho por 120 dias. No entanto, sua empregadora (a empresa de segurança) se recusou a emitir a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), sendo impedida de tirar a licença e receber o benefício do INSS. Além disso, a empresa tentou demiti-la, mas ela se recusou a assinar o aviso prévio. Na ação, a funcionária solicita a rescisão indireta, alegando que o ambiente de trabalho em que vivia era tóxico, mencionando as doenças ocupacionais adquiridas, as cargas excessivas de trabalho e os assédios moral e sexual sofridos. O processo foi iniciado em outubro de 2025 e tem como valor da causa pouco mais de R$ 326 mil. Não há informações sobre a tramitação do caso nos meses seguintes. Denúncia no Parque São Jorge Já o caso relatado na sede social do Corinthians é mais recente, sendo denunciado em fevereiro deste ano por uma funcionária do controle de acesso do Parque São Jorge contra um colega de setor. Essa denúncia, porém, foi feita internamente, por meio de uma carta enviada pela vítima ao clube no dia 26 de fevereiro, cujo conteúdo o Meu Timão teve acesso. A notificação foi endereçada ao presidente Osmar Stabile, mas foi recebida pelo departamento jurídico alvinegro. No documento, a funcionária menciona que foi abordada de forma indevida por algumas vezes pelo colega de trabalho, sendo "agarrada forçosamente" em duas ocasiões e rejeitando o agressor veementemente. Por conta disso, relata a vítima, teria passado a ser perseguida por ele, sendo xingada e ofendida em seu ambiente de trabalho. Assim como no caso da Neo Química Arena, o autor dos assédios no Parque São Jorge também alegou, conforme consta na notificação enviada ao clube, que quaisquer denúncias "não dariam em nada", pois ele seria "protegido". Ainda assim, a funcionária decidiu procurar o setor de Recursos Humanos, que teria se negado a registrar uma denúncia sem que um boletim de ocorrência fosse formulado. Ela, então, foi à polícia formalizar as acusações, retornando ao clube para então protocolar a notificação, recebida pelo jurídico. A funcionária concluiu a notificação solicitando que o clube tomasse providências. O que o Corinthians fez O Meu Timão buscou apurar junto a fontes no Corinthians mais informações sobre que providências foram tomadas em ambos os casos. Sobre a denúncia de assédio sexual na Neo Química Arena, a reportagem tentou saber o motivo de o clube ter promovido a recontratação do bombeiro acusado de assédio como pessoa jurídica, poucas semanas após sua demissão da empresa de segurança. Até o momento, porém, não foi possível obter essa resposta. Já em relação ao caso no Parque São Jorge, a reportagem checou quais providências o clube tomou após tomar ciência da denúncia. Segundo informações, o Corinthians instalou uma sindicância interna para apurar os fatos logo após a denúncia. No entanto, o funcionário acusado foi mantido em seu posto durante esse período. A informação sobre a reunião interna para afastar os dois funcionários acusados foi recebida durante essas apurações. No momento, a previsão é de que uma decisão final do clube seja tomada até esta quinta-feira. A reportagem seguirá acompanhando os casos.