Governo Lula avalia novos decretos para regulamentar big techs
20 Mar, 2026
Governo Lula avalia novos decretos para regulamentar big techs Planalto usa decisão do STF como base para medidas que devem ampliar a proteção, inclusive de mulheres, no meio digital O secretário de Políticas Digitais da Secom (Secretaria de Comunicação Social), João Brant, afirmou na 5a feira (19.mar.2026) que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve publicar novos decretos sobre a atuação das plataformas digitais nas próximas semanas. De acordo com ele, as medidas vão se basear na decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o Marco Civil da Internet e em projetos já em tramitação no Congresso. Brant disse em entrevista ao Poder360 que o governo avalia caminhos para regulamentar o ambiente digital sem depender de novas leis. “Já que o Congresso optou por não fazer uma nova lei, nós vamos olhar para as leis existentes e vamos botar para implementação num sentido administrativo também. Então, acho que a gente vai terminar o ano com isso, avançando de forma consistente”, afirmou. De acordo com ele, a estratégia mudou após a decisão do STF sobre o artigo 19 do Marco Civil da Internet, que ampliou a responsabilidade das plataformas digitais. Ele afirmou que a decisão já cobre parte relevante das propostas discutidas no Congresso, como o PL das Fake News. Outros textos também contemplam o desejo do governo, como o projeto de regulação da concorrência no ambiente digital –enviado pelo governo no ano passado. Seu regime de urgência foi aprovado na Câmara na 3a feira (18.mar.2026). Assista à íntegra da entrevista (38min37s): https://www.youtube.com/watch?v=w1LVIV4CdLo PROTEÇÃO ÀS MULHERES Brant adiantou que uma das primeiras medidas deve tratar especificamente da violência contra as mulheres no ambiente digital. Segundo ele, o governo avalia que o STF já classificou o tema como área de crimes graves e a Secom quer dar um tratamento normativo específico ao assunto. “Há hoje uma epidemia gravíssima de violação de direitos das mulheres na sociedade e a gente entende que o ambiente digital reproduz ilícitos e crimes e facilita a violência contra as mulheres”, disse. Ele afirmou que uma norma sobre o tema pode ser publicada ainda nas próximas semanas, embora a decisão final caiba a Lula. ECA DIGITAL O secretário também comentou a entrada em vigor do ECA Digital e a publicação de decretos presidenciais que regulamentam a verificação de idade dos usuários nas plataformas. Para Brant, a legislação representa um salto ao exigir das empresas uma postura preventiva, e não apenas reativa, em relação a crimes contra crianças e adolescentes. Ele reconheceu que algumas empresas sinalizaram dificuldades de adaptação, mas afirmou que isso não justifica o descumprimento das novas regras. Na área de games, disse que grandes fornecedores já estão ajustando seus serviços para retirar as chamadas loot boxes –caixas de recompensa– da oferta direcionada a menores. A fiscalização caberá à ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados), que deve publicar uma resolução nos próximos dias com o cronograma de implementação das novas regras. Brant disse que a expectativa é de gradualidade, mas com rigor, e que empresas de má-fé serão tratadas de forma diferente das que demonstrarem comprometimento com as novas exigências.