Real Madrid tem a gestão mais voltada para o longo prazo; Flamengo e Palmeiras lideram no Brasil
20 Mar, 2026
Como se dá o planejamento dos clubes para a formação de seus elencos? CIES mostra dados para indicar frequência de rotação de elencos dos times de futebol. Crédito: Produção: Vitória Schmitz | Captação e som: Lucas Ghitelar | Edição: Laís Nagayama Costuma-se falar de estabilidade e planejamento no futebol após demissão de técnico. O campeonato mal começou, metade dos times da primeira divisão já trocaram de treinador, sinal de que não havia convicção na maioria dos casos. Mas o resto? Como é que essa conversa chega à montagem do elenco? O CIES, observatório suíço, acaba de publicar um levantamento sobre a visão de longo prazo de cartolas mundo afora. Há dados de 55 ligas e a sugestão de um índice para medir o resultadismo, ou o inverso dele. Nesse índice, são considerados três fatores: (1) a quantidade de jogadores em campo nos últimos três anos, (2) o tempo médio de permanência dos atletas no elenco, e (3) a idade dos talentos na época do recrutamento deles para o time. O clube mais estável do mundo, sem surpresa, é o Real Madrid. Foram apenas 32 jogadores diferentes nas últimas três temporadas, com mais de três anos de permanência e idade média abaixo dos 22 anos para a contratação. Cabe lembrar que os merengues mudaram de estratégia nas últimas duas décadas. No início dos anos 2000, o Real ficou globalmente famoso por causa dos galáticos — Raúl, Ronaldo, David Beckham, Zidane, entre outros. Mas aquela foi uma proposta nem tão vencedora e para lá de cara, no passe e no salário. Em 2017, quando os espanhóis compram os direitos de Vinicius Júnior, ficou evidente o novo direcionamento. Em vez de craques consagrados com 25 anos, uma promessa na faixa dos 17. E o resto do mercado foi atrás. O topo da pirâmide na Europa passou a recrutar jogadores cada vez mais jovens, em espelho ao Real. O Brasil não chega a números tão bons — se você concordar comigo que visão de longo prazo é positiva, claro. Mas os nossos destaques são claramente diferentes daqueles “curtoprazistas”. Palmeiras e Flamengo lideram o índice, com apenas 40 e 41 jogadores diferentes nos últimos três anos, com idades de 25 e 27 anos. O Botafogo ganhou Brasileiro e Libertadores num período em que colocou 73 atletas em campo. O Mirassol chegou à primeira divisão e se manteve nela com idade média próxima dos 30 anos, quando da contratação de seus reforços. Estratégias diferentes que renderam resultados, sim, mas nem tão consistentes para o longo prazo, em comparação à dupla mais rica do futebol nacional. Esses números devem ser analisados com o contexto de cada clube, político e econômico, logicamente. E a aposta em atletas jovens, com contratos longos, em baixa quantidade, por óbvio tem seus riscos. Mas é bom qualificar essa conversa.