A liga avança? Qual o objetivo da CBF na retomada das negociações
21 Mar, 2026
A CBF tomou a dianteira nas negociações para a criação de uma liga no Brasil. No dia 6 de abril, em um hotel no Rio de Janeiro, os presidentes e CEOs dos 40 clubes participantes das Séries A e B vão se reunir com a direção da confederação para discutir o tema. O convite foi feito em uma semana em que as associações representadas pelos dois blocos econômicos, a Libra e a FFU, acenaram para voltar a conversar mais seriamente sobre o assunto. RJ - FUTEBOL/CBF/CABOCLO - ESPORTES - Vista aÈrea da sede da ConfederaÁ„o Brasileira de Futebol (CBF) na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, nesta segunda-feira, 7 de junho de 2021. O local abrigar· uma reuni„o entre os oito vice-presidentes da entidade hoje para discutir a sucess„o de RogÈrio Caboclo, afastado do comando da entidade apÛs ser denunciado por assÈdio moral e sexual contra uma funcion·ria. 07/06/2021 - Foto: WILTON JUNIOR/ESTADvO CONTE/DO Desde que assumiu, em 2025, o presidente da CBF, Samir Xaud, repete em entrevistas que a entidade deve estar presente na discussão sobre o modelo a ser implementado, mas não só isso: a gestão de alguns pontos da organização do novo Brasileirão deve permanecer a cargo da confederação. Quais seriam esses pontos? Arbitragem, controle antidoping e fair play financeiro entrariam nesse pacote . Para 2026, a CBF iniciou o processo de profissionalização dos árbitros, com 72 juízes e auxiliares contratados com vínculo formal, que engloba um salário fixo e a remuneração por partidas. Esta era uma demanda recorrente em debates anteriores sobre a criação de uma liga. Na Europa, como na Premier League inglesa, negociações comerciais são de responsabilidade dos filiados, mas a federação tem presença em algumas situações. Ela participa do financiamento, por exemplo, da empresa que administra a arbitragem, já que os profissionais atendem a todo o futebol de alto rendimento do país, não apenas as ligas. Há o entendimento de que o fair play financeiro precisa ser fiscalizado por uma comissão independente. O conjunto de regras que tenta fazer com que as agremiações gastem o que arrecadam também está em fase de implantação. Outro aspecto em que a decisão terá que ser compartilhada é o calendário. Se um campeonato da primeira e segunda divisões sair do papel, os clubes poderiam ficar responsáveis pela elaboração das tabelas, mas as datas dos jogos precisam estar de acordo com as competições continentais, como a Libertadores e a Sul-Americana, e com outros torneios que a CBF continuará organizando, como a Copa do Brasil e os regionais. Ainda existe, segundo apurou a coluna, desconfiança de parte dos dirigentes, principalmente aqueles ligados à FFU, a antiga LFU, sobre qual será o alcance e a ingerência da confederação dentro da liga. Os executivos dos blocos não foram chamados para a reunião, já que a CBF entende que se relaciona apenas com seus filiados para discussões desse porte e que Libra e FFU funcionam, hoje, como grupos que negociam direitos comerciais.