Julgamento de argentina acusada de injúria racial começa hoje no Rio

admin
24 Mar, 2026
Resumo Começa hoje o julgamento da argentina Agostina Páez, ré por injúria racial contra funcionários em um bar de Ipanema, na zona sul do Rio. O que aconteceu A primeira audiência contra a estrangeira está prevista para as 15h45 na 37a Vara Criminal da Capital. Na sessão, deve ocorrer a fase probatória e a apresentação formal de provas e argumentos, em que a acusação e a defesa apresentarão suas sustentações. A mulher responde por três acusações de injúria racial, em segredo de justiça. Os crimes acarretam pena máxima de 15 anos, de acordo com o Código Penal brasileiro. Defesa de Agostina quer levá-la de volta para Argentina, apesar de uma suposta condenação. "O objetivo é que tenhamos alguma decisão com respeito, seja revogação de cautelares, seja já alguma condenação, mas que permita que ela volte à Argentina", falou Junqueira esta semana ao programa de TV argentino Lape Club Social. Estratégia da advogada é assumir a injúria que ocorreu contra um dos funcionários na rua e que foi filmada. "Focar as energias nesse crime que aconteceu na rua quando ela reagiu mal. Aí reconhecemos o erro, pedimos desculpas, entendemos que temos que pagar esta conta, que foi um erro, mas essa única conta, e não adicionar episódios que são interpretativos do que aconteceu dentro do bar com outras pessoas", detalhou. Junqueira tem se posicionado contra a prisão domiciliar que Agostina cumpre. Em nota enviada hoje ao UOL, ela argumentou que uma decisão justa e proporcional deve reconhecer o direito de sua cliente de responder o processo em liberdade. Agostina trocou de advogado no último mês. De acordo com a imprensa argentina, a ré fez rompimento com o advogado anterior, Ezequiel Roitman, devido a supostas divergências sobre o modo de conduzir a defesa. Entenda o caso Agostina foi flagrada praticando ofensas racistas na saída de um bar. O episódio ocorreu no dia 14 de janeiro, mas ela só prestou depoimento três dias depois, quando teve o documento apreendido. Uma das supostas vítimas, que não teve a identidade revelada, registrou boletim de ocorrência na quarta-feira (14). De acordo com a polícia, o homem, que é funcionário do bar, informou que a argentina teria lhe apontado o dedo e proferido ofensas de cunho racial ao chamá-lo de "negro" de forma pejorativa e discriminatória. Ele foi ouvido novamente ontem (20). Confusão foi iniciada após a argentina alegar suposto erro no pagamento de uma conta. Para sanar dúvidas, o gerente pediu à Agostina que aguardasse enquanto ele iria conferir as imagens das câmeras de segurança do estabelecimento para verificar o que ela havia consumido. Durante o período de espera, Agostina deu início aos xingamentos e ofensas discriminatórias contra um funcionário do bar, segundo a polícia. Parte da confusão foi registrada em vídeo e as imagens mostram a argentina imitando gestos de macaco e reproduzindo sons do animal para a vítima. Ela também proferiu a palavra "mono", expressão em espanhol para se referir a macaco de forma racista. Turista estava no bar acompanhada por duas amigas, que não são investigadas. Ela teve o passaporte apreendido e está proibida de deixar o Rio de Janeiro sem autorização. Racismo x injúria racial A Lei de Racismo, de 1989, engloba "os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional". O crime ocorre quando há uma discriminação generalizada contra um coletivo de pessoas. Exemplo disso seria impedir um grupo de acessar um local em decorrência da sua raça, etnia ou religião. O autor de crime de racismo pode ter uma punição de 1 a 5 anos de prisão. Trata-se de crime inafiançável e não prescreve. Ou seja: no caso de quem está sendo julgado, não é possível pagar fiança; para a vítima, não há prazo para denunciar. Já a injúria racial consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião ou origem a fim de atacar a dignidade de alguém de forma individual. Um exemplo de injúria racial é xingar um negro de forma pejorativa utilizando uma palavra relacionada à raça. Saiba como denunciar Você pode procurar delegacias especializadas, como, por exemplo, o Decradi em São Paulo e o Geacri em Goiás, ou ainda fazer um boletim de ocorrência em qualquer delegacia física ou online. Caso seja um flagrante, ligue para o 190. Por telefone você também pode ligar no Disque 100 ou no Disque Denúncia da sua cidade. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.