Aos 99 anos, Vovó Corredora dá show nas corridas de rua e vira exemplo de saúde no ES
26 Mar, 2026
Vovó Corredora (Foto: Arquivo Pessoal) Passar dos 90 anos é um privilégio para poucos. Chegar lá com energia, saúde e pique para encarar uma pista de corrida então, é algo que beira o surreal. Mas esta é a realidade de Adelmira Adão, carinhosamente conhecida como “ Vovó Corredora” pelas ruas e, principalmente, asfalto no Espírito Santo . A vovó, que assoprou 99 velinhas na terça-feira (24), não esconde a paixão pelo esporte que a tornou uma celebridade. Adelmira é bicampeã dos Jogos Estaduais da Terceira Idade , mãe, avó e como ela mesma define: teimosa por natureza. Esta teimosia, talvez, seja o que mantenha a vontade de viver tão ardente, já que a corrida entrou na vida da vovó já idosa. Por ter tido uma vida de trabalho muito duro, o tempo para os exercícios não existia na juventude, o esporte entrou na vida apenas depois dos seus 75 anos. Adelmira é natural da comunidade quilombola Monte Alegre , em Cachoeiro de Itapemirim , região Sul do Espírito Santo. O primeiro “pique” em uma pista veio já com mais de 70 anos. Ela confessa “ eu não conhecia nada sobre corrida, nem sabia que isso existia “. Na época, ela fazia parte de um grupo de convivência para idosos e em meio a uma Corrida e Caminhada de São Pedro , em Cachoeiro, em que os velhinhos fariam apenas uma caminhada, a vovó não se aguentou. Quando ouvi aquela buzina, simplesmente deixei meu grupo para trás e saí correndo e foi aí que fiz meus primeiros 10 quilômetros , a partir dali não parei mais. Foi tão interessante para mim, que em 2009 eu entrei na equipe de atletismo e ganhei como melhor do ano no atletismo da terceira idade. Uma coisa que nunca pensei na minha vida. Adelmira Adão Correndo por todos os lugares Vovó Corredora (Foto: Arquivo Pessoal) Desde aquele distante 2009, a vovó passou por tantos lugares com a corrida que já nem se lembra mais de cabeça quantos foram. “Vou te contar que já até perdi as contas”, brinca. Mas no Espírito Santo, já bateu tênis nas pistas de Jerônimo Monteiro, Anchieta, Colatina, Muqui, Castelo, Venda Nova, Domingos Martins e Vitória, na corrida dos Bombeiros. Também já marcou presença na corrida do Flamengo, no Rio de Janeiro, que foi a primeira vez que visitou o Maracanã. Na Cidade Maravilhosa, também participou da maratona da Olympikus. No estado fluminense passou ainda por Campos dos Goytacazes, Nova Friburgo e também já marcou presença em Minas Gerais. Eu gosto de todas as corridas, todas as cidades eu tenho um carinho especial, mas a corrida da minha cidade, a Corrida de São Pedro, é a que sempre espero todo ano, porque foi onde tudo começou” , disse. Adelmira Adão Da solidão para o abraço em grupo Antes da corrida, o que Adelmira realmente procurava era uma coisa essencial a todo ser humano: companhia, ter com quem conversar e dividir o dia . Isso aconteceu após o marido, um companheiro de longa data, morrer. Ali, a vovó se viu sozinha. Tanto na vida, quanto em casa. E como é normal aos solitários, a melancolia passou a bater à porta. Para dar um “xô” na tristeza, ela decidiu entrar para um grupo de idosos e ali, estando perto de pessoas da própria idade, começou a ter novamente gosto pela vida, que permanece até hoje. “Eu percebi que estava ficando triste demais e passei a socializar com outras pessoas, foi aí que entrei para o grupo beneficente Princesa do Sul, que fazia trabalho com idosos em uma quadra perto de onde eu morava. Existem pessoas que se planejam para essas coisas, eu simplesmente fui (risos)” , disse. A vovó ainda dá um grande conselho para idosos que querem se exercitar e ter um estilo de vida mais saudável: comece, não importa como. Reprodução/Arquivo Pessoal Em uma corrida em Castelo, que ela garante ter sido inesquecível, enquanto ela corria, via várias senhoras paradas, conversando na praça. “Elas olharam para mim e disseram: ‘Coitada, olha ela lá, não vai aguentar nada’. Eu encarei daquele jeito de ‘te pego na volta’ e continuei correndo. No fim, cheguei em primeiro lugar. Quando voltei, só faltou esfregar o troféu na cara delas. Aí elas disseram: ‘Não é que ela conseguiu mesmo?’. Então, o que eu digo é: não deem ouvidos ao que os outros falam. Vocês podem fazer o que quiserem”, garantiu. Um século é logo ali Atualmente a vovó está temporariamente longe das pistas, por conta de um acidente doméstico, mas já se prepara para voltar ao seu habitat e conquistar novos prêmios. Em suas provas, Adelmira geralmente corre entre 12 a 15 quilômetros, conforme a idade chegou, foi preciso diminuir um pouco para manter o ritmo, entre 7 e 10. E quem está a apenas um ano de completar um século de vida, a idosa garante: estar cercada de pessoas amadas é a melhor programação para os 100 anos. “O restante é deixar Deus trabalhar, tendo saúde, estando viva e cercada de pessoas que eu amo, para mim já está ótimo” , garante.