Por que a guerra do Irã pode deixar o pistache mais caro no Brasil

admin
27 Mar, 2026
Resumo O brasileiro pode pagar mais caro pelo pistache após o Irã, um dos principais fornecedores do produto ao Brasil, suspender a exportação de alimentos por causa da guerra contra os Estados Unidos e Israel. O que aconteceu Guerra envolve os maiores fornecedores de pistache do mundo. O Irã é o segundo maior produtor de pistache do mundo, com 318 mil toneladas, atrás dos Estados Unidos, que produziram 675 mil toneladas, segundo dados mais recentes da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), ao fim de 2024. Juntos, os dois países respondem por 83% de todo o volume da noz produzido no planeta Irã proibiu exportação de pistache. O governo iraniano anunciou no dia 3 de março a proibição da exportação de alimentos e produtos agrícolas por causa do conflito contra Estados Unidos e Israel. Americanos e iranianos também lideram ranking de exportadores mundiais. Os Estados Unidos exportaram 348 mil toneladas de pistache para o mundo em 2024, seguidos pelo Irã, que vendeu 130 mil toneladas a outros países. Brasil compra cada vez mais pistache. Em 2025, os importadores brasileiros compraram 1.300 toneladas de pistache, cerca de 15% a mais do que em 2024. O Irã respondeu por 32% desse pistache importado pelo Brasil, ou 422 toneladas. Os Estados Unidos responderam por 62% das nossas importações (865 toneladas). Pistache iraniano vem ganhando mercado no Brasil. Em 2024, o pistache iraniano respondia por apenas 10% das importações brasileiras (121,4 toneladas), ante 85% dos Estados Unidos (1.020 toneladas). Em 2026, das 107 toneladas importadas pelo Brasil em janeiro e fevereiro, o Irã já representou 46% de nossas compras, com 49 toneladas, enquanto a participação dos Estados Unidos caiu para 54% (58 toneladas). Brasil importa todo o pistache que consome. Desde 2022, o país busca desenvolver uma tecnologia para produzir localmente a noz, mais adaptada ao clima frio. O plantio de uma nova cultura, que precisa seguir algumas etapas que a Embrapa tentou liderar, ainda não vingou em termos comerciais. Guerra ameaça reduzir oferta e elevar preço. Segundo profissionais do comércio exterior, a cotação da noz já vem subindo desde 2025 por questões climáticas. Na média, o preço do quilo subiu quase 20%. O mercado global de pistache já estava sob pressão por causa de ciclos de cultivo e de condições climáticas, então os preços já vinham subindo. Esse movimento aumenta a competição pelo mesmo fornecimento e pressiona os preços. Nesse cenário, o Brasil tende a sentir os efeitos principalmente no custo dos pistaches e, em geral, na disponibilidade, especialmente para importadores que dependem do fornecedor iraniano. Jackson Campos, diretor de relações institucionais da AGL Cargo Demanda doméstica brasileira mudou de patamar apoiada na maior busca do consumidor. Entre 2018 e 2021, a importação de pistache chegou a cair ano a ano, recuando para 311 toneladas em 2021. Depois, passou a crescer, duplicando de patamar de 2023 para 2024. Foram 352 toneladas em 2022; 601 toneladas em 2023; 1.100 toneladas em 2024 e 1.300 toneladas em 2025, segundo dados do ComexStat, plataforma do governo federal com dados sobre o comércio exterior. Indústria alimentícia monitora situação. Fabricantes de sorvetes, doces e pães procurados pelo UOL afirmam que ainda não sofrem com falta do produto, nem registraram alta dos preços. Profissionais do setor apontam, entretanto, que acompanham a situação, considerando que os preços da noz já atravessam uma tendência de alta vinda de 2025. O impacto comercial da crise no Irã pode se estender a outros produtos. Em 2025, o Brasil importou do país 1.400 toneladas de uvas passas, além de 221,2 toneladas de nozes e sementes e 42,8 toneladas de tâmaras. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.