Principal conferência de IA reforça o cumprimento das sanções dos EUA

admin
28 Mar, 2026
Principal conferência de IA reforça o cumprimento das sanções dos EUA Medida adotada pela Conferência sobre Sistemas de Processamento de Informação Neural afeta empresas chinesas A principal conferência mundial de inteligência artificial proibirá a submissão de artigos de organizações que constem na lista de sanções dos Estados Unidos, uma nova regra que afeta diversos grupos tecnológicos chineses e provocou uma reação negativa na comunidade acadêmica da China. A Conferência sobre Sistemas de Processamento de Informação Neural, conhecida como NeurIPS, vinculou explicitamente, pela 1a vez, a submissão de artigos à conformidade com as sanções dos EUA. Em um manual para a conferência de 2026, divulgado em 23 de março, a Fundação NeurIPS afirmou que não pode fornecer “serviços” –incluindo revisão por pares e publicação– a indivíduos que representam entidades sancionadas. A medida formaliza uma prática de conformidade que antes era tratada caso a caso, depois da aceitação do artigo, transformando-a em um requisito de elegibilidade inicial. A mudança atraiu críticas do principal órgão de computação da China e levou vários pesquisadores a se afastarem de cargos de liderança no influente evento. O episódio ressalta como as tensões geopolíticas estão cada vez mais afetando a colaboração científica global. Ao vincular a participação em um fórum acadêmico de prestígio a uma lista de sanções governamentais, críticos afirmam que a política corre o risco de inibir o intercâmbio de ideias e fragmentar ainda mais a comunidade internacional de pesquisa. Em 25 de março, a CCF (Federação Chinesa de Computação) emitiu uma declaração opondo-se à política, alegando que ela politiza o intercâmbio acadêmico e viola os princípios de abertura e igualdade. O grupo instou a NeurIPS a reverter a decisão e pediu aos cientistas da computação chineses que suspendessem seus serviços acadêmicos na conferência e se abstivessem de submeter artigos. A CCF afirmou que poderia remover a NeurIPS de sua lista de conferências acadêmicas internacionais recomendadas caso a política não seja alterada. A lista de sanções no centro da disputa é a lista de SDN (Nacionais Especialmente Designados), mantida pelo Ofac (Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros) do Departamento do Tesouro dos EUA. Até o final de março de 2026, as empresas chinesas na lista incluíam a Huawei, a SenseTime Group, a Megvii Technology, a Hikvision e a Semiconductor Manufacturing International, de acordo com o Ofac. Nenhuma universidade chinesa foi adicionada publicamente à lista SDN, que visa principalmente empresas, instituições financeiras e indivíduos envolvidos em transações restritas. Diversos acadêmicos já recusaram convites para ocupar cargos de liderança na conferência de 2026. Entre eles estão Tu Zhaopeng, que lidera o Centro de Humanos Digitais da Tencent, Xiu Yuliang, da Universidade Westlake, e Chang Heng, do Laboratório de IA da Tencent. Jiang Nan, professor associado da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, escreveu nas redes sociais que recusou um convite para revisar artigos pela primeira vez desde 2020: “No mínimo, os organizadores têm a obrigação de nos explicar por que a NeurIPS é a única grande conferência de aprendizado de máquina a adotar tal política”. Fundada em 1987, a NeurIPS está entre os maiores e mais influentes encontros na área de inteligência artificial. A conferência publicou trabalhos marcantes, incluindo um artigo do Google de 2017 que introduziu a arquitetura Transformer, que serve de base para muitos dos grandes modelos de linguagem atuais. A legislação dos EUA geralmente isenta a disseminação de “materiais informativos” das restrições de sanções da Emenda Berman, mas essa isenção não se estende necessariamente a todos os serviços. Em 2004, depois do Ieee (Instituto de Engenheiros Elétricos e Eletrônicos) expressar preocupação com a edição de artigos de autores iranianos, o Ofac esclareceu que a revisão por pares e a edição de texto padrão são permitidas. No entanto, reescrever, reestruturar ou co-escrever substancialmente um trabalho com uma parte sancionada pode ser considerado um serviço proibido. A política da NeurIPS alimentou debates na comunidade de ciência da computação da China. Alguns acadêmicos defenderam um boicote, incluindo a recusa em revisar artigos submetidos, enquanto outros são a favor da continuidade do engajamento para pressionar por maior representatividade na liderança da conferência. “A NeurIPS ainda é uma conferência com altos padrões, e há muito tempo há pouquíssimos chineses em seus círculos de tomada de decisão”, disse um engenheiro de software chinês à Caixin. Ele afirmou que o serviço acadêmico deve permanecer independente, mas argumentou que os acadêmicos chineses devem buscar uma voz mais forte dentro da organização. Esta reportagem foi originalmente publicada em inglês pela Caixin Global em 26 de março de 2026. Foi traduzida e republicada pelo Poder360 sob acordo mútuo de compartilhamento de conteúdo.