Kingdom Hearts: A magia de ser criança e a saudade das mídias físicas

admin
28 Mar, 2026
Kingdom Hearts: A magia de ser criança e a saudade das mídias físicas Franquia completa 24 anos neste sábado (28) Essa semana me peguei olhando os jogos que fariam aniversário recentemente e me deparei com o aniversário de 24 anos de Kingdom Hearts, uma das minhas franquias favoritas. Logo, virei para minha prateleira e peguei a minha cópia física da primeira versão do primeiro game da série e fui tomado por memórias de quando joguei o game pela primeira vez. Na época, eu devia ter uns 10 anos de idade, no máximo, e não consegui sair de Destiny Islands sem um guia; afinal, eu ainda não falava inglês e não tinha entendido absolutamente nada do que estava acontecendo. Em Traverse Town, entendi as coisas ainda menos e apenas decidi largar o jogo. Anos depois, voltei; agora entendendo um pouco mais de inglês e consegui ir do começo ao fim de Kingdom Hearts em uma das jornadas mais encantadoras dos videogames. E sempre que paro para pensar em Kingdom Hearts 1, esboço um sorriso e lembro com ternura de cada minuto do jogo — até mesmo a surra estarrecedora que tomei na primeira tentativa de derrotar Sephiroth na batalha secreta. Logo, eu relembro todos os momentos mágicos que o jogo me proporcionou. Apesar da narrativa confusa, toda a jornada construída sobre amizade, amor e superação que pode parecer clichê em diversos momentos, me alegra e me faz lembrar da magia de ser criança. Mais do que isso, do potencial emocional dos videogames. No entanto, desta vez, esse sorriso e esses sentimentos surgiram de novo quando olhei para a mídia física do game. Junto deles veio uma sensação de inconformidade de como o comportamento no consumo de videogames mudou, principalmente em relação às mídias físicas. A edição japonesa de Kingdom Hearts que tenho hoje não é a que joguei na minha infância, mas é um achado de lojas retrô. Nela, além do disco, vem um pequeno manual de controles e mecânicas, um livreto com um guia sobre alguns personagens e um olhar aprofundado nas mecânicas — e uma propaganda de Final Fantasy 11 Online, lembra dele? —, além de uma propaganda de produtos de Kingdom Hearts e Disney disponíveis no Japão. Em comparação, olhei para minha edição física de Silent Hill f, um dos meus jogos favoritos de 2025. Nela, além do disco, há um código de DLC e um panfleto de garantia. No fim, tudo é apenas papel, mas, antigamente, os jogos tinham um capricho a mais. Se eu puxar na memória, a última vez que tivemos algo semelhante foi com Cyberpunk 2077, que foi uma exceção em 2020. Uma das sensações mais gostosas que tive quando criança era de comprar um jogo novo. Lembro-me de ir a uma loja com meu pai e eles tinham um catálogo com diversos jogos, e folhear aquilo era uma das minhas maiores diversões — impacto esse que a página do Steam, PS Store ou qualquer loja digital não possui. Mas, deixando a nostalgia de lado, a diminuição no consumo de jogos físicos é acompanhada de um perigoso e banalizado risco: nada mais é seu. Games digitais são apenas licenças para utilizar o produto e, caso a detentora desses direitos queira encerrar seu acesso ao produto, você não vai mais acessá-lo e pronto. Além do risco para o consumidor, isso é um risco para a preservação dos videogames. Com jogos fechando seus servidores, alguns encerrando suas licenças, eles se tornam injogáveis e, logo, serão esquecidos na memória coletiva da comunidade e completamente perdidos no tempo. Isso reforça a importância das mídias físicas como instrumento de preservação da história. O gatilho para minhas memórias de Kingdom Hearts voltarem tão vívidas foi olhar para a minha cópia física. Tenho muitos questionamentos e opiniões sobre videogames como forma de arte, que não vêm ao caso, mas acho que preservar a história dos games é como preservar arte. É importante não só para o passado, mas também para um futuro, e o futuro dos jogos eletrônicos não tem sido o mais animador. Olhar para o passado de jogos como Kingdom Hearts e reconhecer a magia e sentimento que permeia esse tipo de obra pode ser uma das maneiras de evitar elementos totalmente artificiais e vazios que estão a caminho, como o DLSS 5, por exemplo. E a preservação de mídias físicas é de suma importância para evitar tal destino e preservar tais sentimentos. Inscreva-se no canal do IGN Brasil no YouTube e visite as nossas páginas no Facebook, Twitter, Threads, Bluesky, Instagram e Twitch! | Siga Vitor Conceição no Instagram e Twitter.