Dengue, herpes: ao menos 24 cepas de vírus foram levadas da Unicamp, diz TV
30 Mar, 2026
Resumo Ao menos 24 cepas de diferentes vírus foram levadas de um laboratório a outro da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Uma professora é suspeita de furtar material biológico de um laboratório da instituição. O que aconteceu Entre as cepas (variante de um vírus que compartilha ancestralidade comum) transportados estavam vírus da dengue, chikungunya, zika vírus, vírus da herpes e coronavírus humano. A lista também inclui o vírus Epstein-Barr (doença do beijo) e outros poucos conhecidos, além de 13 tipos de vírus que infectam animais, de acordo com o Fantástico (TV Globo). Sumiço das caixas com amostras virais foi percebido na manhã de 13 de fevereiro. Elas estavam no Laboratório de Virologia Animal, do Instituto de Biologia da Unicamp. Parte do material furtado foi achado em um laboratório da FEA (Faculdade de Engenharia de Alimentos) da Unicamp. A docente suspeita de fazer o transporte das amostras, a argentina Soledad Palameta Miller, trabalha na FEA. É possível que as cepas tenham sido levadas para outros lugares em que não é possível determinar, de acordo com a emissora. Soledad e o marido, Michael Edward Miller, têm uma empresa de biotecnologia. Ele é aluno de doutorado no Instituto de Biologia da Unicamp. Câmeras de segurança captaram Michael nos dias 24 e 25 de fevereiro indo várias vezes ao Laboratório de Virologia Animal de noite e pela manhã, sempre carregando alguma coisa. Câmeras da segurança do Laboratório de Virologia Animal captaram o casal. Desde novembro de 2025, Soledad e Michael frequentavam o laboratório quando não havia ninguém, ainda de acordo com a TV Globo. Investigação apontou que logo após a operação da PF, Soledad foi a um laboratório vizinho ao de Virologia Animal. Segundo a emissora, no espaço, "ao que tudo indica", estavam mais amostras de vírus escondidas, sem a ciência dos responsáveis pelo local. Na ocasião, a docente fez o descarte do material biológico, além de descaracterizar rótulos e marcações. Denúncia da Unicamp e investigação apontam Michael como principal responsável por retirar as amostras virais do Laboratório de Virologia Animal. Todavia, apenas Soledad foi presa nesta semana. "Como esse material estava armazenado na Engenharia de Alimentos, onde a professora suspeita atuava, essa conduta repousa sobre ela", disse André Ribeiro, delegado-chefe da Polícia Federal em Campinas. Polícia Federal vai apurar se as 24 cepas de vírus levadas seriam usadas na empresa de biotecnologia do casal suspeito. Também vai investigar se a dupla contou com ajuda de outra pessoa para transportar os materiais. O advogado de defesa do casal não respondeu a emissora. Questionado sobre a prisão da professora na terça-feira (24), o advogado Pedro Russo disse ao UOL que," em virtude do Sigilo Nível 2 decretado pela 9a Vara Federal de Campinas, a defesa não se pronunciará sobre os fatos investigados". "Prezando pela segurança jurídica e pelo sigilo dos atos processuais, limitaremos nossas manifestações ao âmbito judicial, em respeito ao devido processo legal", concluiu. O que diz a Unicamp "Caso isolado, resultante de circunstâncias atípicas", disse hoje a universidade. A reitoria da Unicamp afirmou que o Laboratório de Virologia opera "em conformidade com protocolos rígidos de segurança". Em nota, a universidade reiterou que a área é classificada com nível de biossegurança 3, conhecido como NB-3 —de alta contenção biológica e que segue regras rigorosas de segurança. O episódio ocorrido foi um caso isolado, resultante de circunstâncias atípicas que estão sendo averiguadas no âmbito da investigação policial. Reitoria da Unicamp, em nota A reitoria ressaltou que não há organismos geneticamente modificados entre as amostras furtadas. Eles não entraram em detalhes. Divulgou também que, ao tomar conhecimento do caso, acionou imediatamente a PF (Polícia Federal) e a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o que "possibilitou a rápida localização e apreensão dos materiais subtraídos". Uma sindicância foi instaurada na universidade, enquanto a PF investiga o que teria motivado o suposto furto. "A motivação da subtração de materiais, bem como o possível envolvimento de diferentes pessoas físicas e jurídicas no caso, estão sob investigação conduzida pelos órgãos federais competentes", destacou a reitoria na mesma nota. Reiteramos que a ocorrência em questão foi um caso isolado e, portanto, voltamos a público para reafirmar o nosso compromisso com a missão de promover o conhecimento para uma sociedade democrática, justa e inclusiva, com destaque à excelência no ensino, na pesquisa e na extensão. Reitoria da Unicamp, em nota Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.