Exame com IA aponta câncer com 90% de acerto e pode substituir colonoscopia
11 Apr, 2026
Uma nova abordagem pode revolucionar a detecção precoce do câncer colorretal, o segundo tipo de tumor mais letal no mundo. O método pode inclusive se tornar uma alternativa à tradicional colonoscopia. O que aconteceu Cientistas da Universidade de Genebra, na Suíça, estão desenvolvendo uma estratégia diferente: analisar bactérias presentes nas fezes para identificar sinais da doença. Nos primeiros testes, o método alcançou cerca de 90% de precisão. O estudo, publicado na revista Cell Host & Microbe, utilizou um sistema de inteligência artificial para examinar o DNA das bactérias e suas variações genéticas a partir das amostras. Em seguida, os dados foram comparados com padrões associados ao câncer. A IA foi essencial nesse processo, já que analisou simultaneamente uma grande quantidade de informações genéticas, sobretudo de diferentes subespécies bacterianas, identificando padrões e classificando riscos. Isso permitiu uma análise mais precisa, já que cepas dentro da mesma espécie podem se comportar de maneira distinta: algumas podem contribuir para o desenvolvimento do câncer, outras não. Em vez de nos basearmos na análise das várias espécies que compõem a microbiota, o que não capta todas as diferenças significativas, ou das estirpes bacterianas, que variam muito de um indivíduo para outro, nos concentramos em um nível intermediário da microbiota: a subespécie Mirko Trajkovski, um dos autores do estudo, ao ScienceDaily Segundo Trajkovski, essa análise mais aprofundada foi primordial para captar diferenças no funcionamento das bactérias e sua relação com doenças, incluindo o câncer. Como se trata de um volume massivo de dados biológicos, tanto a construção do modelo quanto o teste só foram possíveis com o uso de tecnologia avançada. Alternativa à colonoscopia Com esse volume de dados, a identificação do comportamento das bactérias em exames de fezes se tornou mais eficiente. "Nosso método detectou 90% dos casos de câncer, um resultado muito próximo da taxa de 94% alcançada por colonoscopias e superior aos métodos não invasivos atuais", afirmou Matija Trickovic, outro autor da pesquisa. Além da alta precisão, o exame chama atenção por ser simples e não invasivo. Entretanto, especialistas destacam que ele deve ser usado como ferramenta de rastreamento, ou seja, uma nova alternativa. Em caso de resultado positivo, a colonoscopia continua sendo essencial para confirmar o diagnóstico. Com resultados iniciais promissores, os pesquisadores se preparam agora para o primeiro ensaio clínico com a nova abordagem. O objetivo é entender melhor em quais estágios e tipos de lesão o método é mais eficaz. Outro ponto relevante é que a análise detalhada das subespécies bacterianas pode ajudar a identificar relações com outras doenças além do câncer. "O mesmo método poderá, em breve, ser usado para desenvolver ferramentas de diagnóstico não invasivas para uma ampla gama de doenças, todas baseadas em uma única análise da microbiota", concluiu Trajkovski. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.