Governança de dados ganha fôlego entre as PMEs

admin
23 Apr, 2026
Governança de dados ganha fôlego entre as PMEs Proteção digital atua como indutora de boas práticas em segmento onde metade dos empreendedores ainda desconhece obrigações da LGPD As apólices cibernéticas também contribuem para fortalecer a segurança digital das micro e pequenas empresas (MPEs), por servirem como instrumentos complementares de reforço da governança. Esse segmento é bastante vulnerável, aponta a pesquisa “Maturidade em Privacidade nos Pequenos Negócios”, do Sebrae, realizada em 2024 com 415 empreendedores de serviços, comércio e indústria. Nove entre dez MPEs não dispõem de encarregado pelo tratamento de dados pessoais (DPO, na sigla em inglês). Embora a indicação de um DPO não seja obrigatória para empresas de pequeno porte, o vácuo na boa prática de governança as deixa mais expostas. De acordo com o diagnóstico, 48% dos empreendedores conhecem pouco ou nada sobre as obrigações da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), enquanto 52% admitem ignorar o conceito de incidente de segurança. As principais barreiras mencionadas para o reforço da segurança digital são a falta de compreensão sobre como cumprir a lei e a percepção de que o investimento necessário é alto. Essas dificuldades estão sendo enfrentadas pelo poder público e associações empresariais por meio de iniciativas de sensibilização e treinamento. O Sebrae firmou acordo de cooperação técnica com a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) para atuar na ampliação da cultura da privacidade de dados junto aos pequenos negócios. A parceria estabelece um canal para intercâmbio de boas práticas e produção de materiais didáticos adaptados à realidade financeira desses empreendedores. “O mínimo que as empresas precisam fazer é capacitar as pessoas para que tenham atitudes condizentes com a proteção dos dados”, diz o líder da área de segurança da informação do Sebrae Nacional, Geraldo Pimenta. “A democratização do seguro cibernético passa pela simplificação do produto para as pequenas e médias empresas, que hoje são alvos constantes [de ataques digitais], mas não têm a mesma estrutura de defesa das grandes corporações”, diz Emerson Nagata, especialista da Brasilseg, vinculada à marca BB Seguros. Em março, a seguradora lançou uma nova cobertura contra riscos cibernéticos, voltada especificamente para PMEs. Sua principal inovação é vir embarcada no seguro empresarial tradicional, o que viabiliza a contratação simplificada. O executivo afirma que o modelo busca combinar proteção financeira com acesso imediato a peritos, para que o gestor mantenha foco na operação enquanto conta com suporte especializado para enfrentar incidentes. Para o integrante da Subcomissão de Riscos Cibernéticos da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) Victor Perego, o seguro cibernético é como um indutor de boas práticas para empresas de todos os portes, ao exigir protocolos mínimos de aceitação do risco. “As apólices modernas evoluíram para proteger a própria continuidade operacional do segurado”, diz. “Além da transferência financeira, elas incluem serviços essenciais como investigação forense computacional, restauração de ambientes tecnológicos e amparo para lucros cessantes”, prossegue. O representante da FenSeg conta que o mercado tem demanda crescente pelo “cyber físico”, uma modalidade de cobertura que ampara danos materiais em equipamentos ou prédios causados por invasões virtuais. Conheça o Valor One Acompanhe os mercados com nossas ferramentas