Datafolha: 45% buscam renda extra por aperto financeiro
27 Apr, 2026
247 - A dificuldade para fechar as contas tem levado uma parcela significativa da população a buscar novas fontes de renda no Brasil. Levantamento do Datafolha indica que 45% dos brasileiros recorreram a atividades alternativas nos últimos meses, em meio à percepção generalizada de que os ganhos são insuficientes para cobrir despesas básicas. Os dados revelam ainda que 59% consideram a renda familiar insuficiente, enquanto 40% relatam queda recente nos rendimentos. A pesquisa detalha que o aperto financeiro é mais intenso entre famílias com renda de até dois salários mínimos, onde cerca de 70% afirmam não conseguir pagar todas as despesas. O estudo, realizado com 2.002 pessoas em 117 municípios brasileiros, reforça o cenário de vulnerabilidade econômica em diversas regiões do país. Renda extra cresce entre trabalhadores mais escolarizados O levantamento aponta que a busca por renda complementar é mais frequente entre pessoas com ensino médio e superior. Mesmo em um contexto de mercado de trabalho aquecido, muitos trabalhadores consideram que os salários não acompanham o custo de vida, o que impulsiona a procura por atividades paralelas, inclusive fora do emprego formal. Entre os brasileiros com menor escolaridade, o movimento aparece com menos intensidade, refletindo fatores como menor participação no mercado de trabalho e maior presença de aposentados e donas de casa. Já a queda de renda se concentra principalmente na faixa etária entre 35 e 44 anos, grupo em que quase metade relatou redução nos ganhos recentes. Endividamento atinge dois em cada três brasileiros Outro dado relevante do levantamento é o avanço das dívidas. Segundo o Datafolha, 67% da população possuem algum tipo de débito financeiro, enquanto 21% estão com pagamentos em atraso. Entre aqueles que recorreram a empréstimos com familiares ou amigos, 41% ainda estão devendo. O cartão de crédito parcelado aparece como principal fonte de inadimplência, citado por 29% dos entrevistados. Em seguida, surgem empréstimos bancários (26%) e carnês de lojas (25%). O uso do crédito rotativo também chama atenção: 27% afirmam recorrer a essa modalidade, conhecida pelos juros elevados. Famílias reduzem gastos para lidar com crise Diante do cenário de pressão financeira, os brasileiros têm adotado estratégias para equilibrar o orçamento. A pesquisa mostra que 64% reduziram gastos com lazer, enquanto 60% passaram a comer menos fora de casa ou optaram por marcas mais baratas. Outras medidas incluem a diminuição da compra de alimentos (52%) e o corte no consumo de água, luz e gás por metade da população. Além disso, 40% deixaram de pagar alguma conta, enquanto 38% interromperam o pagamento de dívidas ou reduziram a compra de medicamentos. Falta de planejamento e ausência de poupança agravam quadro O estudo também revela fragilidade na organização financeira. Apenas 44% dos brasileiros afirmam fazer algum tipo de orçamento detalhado, enquanto 23% não controlam os próprios gastos. A ausência de reserva financeira é outro fator preocupante: 66% dizem não ter poupança. Entre os que possuem algum valor guardado, a maioria não conseguiria manter as despesas por mais de seis meses em caso de perda de renda. Dificuldades financeiras lideram preocupações Os problemas ligados ao dinheiro aparecem como principal preocupação dos brasileiros. Segundo a pesquisa, 37% citam questões financeiras como o maior motivo de apreensão no dia a dia, sendo a falta de renda o fator mais mencionado. O levantamento ainda mostra que 45% da população vive sob forte pressão no orçamento, somando aqueles em situação considerada apertada ou severa. Apenas 19% dizem não enfrentar restrições significativas, evidenciando o impacto generalizado do custo de vida e do endividamento no país.