Zuckerberg atribui demissões na Meta ao avanço dos investimentos em IA
1 May, 2026
247 - O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, afirmou nesta quinta-feira (30) que as demissões em massa na empresa estão diretamente relacionadas ao aumento dos investimentos em inteligência artificial (IA), que vêm pressionando os custos operacionais da companhia. Segundo ele, a priorização dessa área estratégica exige ajustes no tamanho da equipe. De acordo com informações publicadas pela Reuters, Zuckerberg explicou a funcionários, durante uma reunião interna, que a empresa enfrenta um dilema financeiro entre infraestrutura tecnológica e despesas com pessoal. “Temos basicamente dois grandes centros de custo na empresa: infraestrutura de computação e coisas voltadas para as pessoas”, declarou. “Se estivermos investindo mais em uma área para atender à nossa comunidade, isso significa que teremos menos capital para alocar na outra. Portanto, isso significa que precisamos reduzir um pouco o tamanho da empresa”, acrescentou. A Meta pretende cortar cerca de 10% de sua força de trabalho no próximo dia 20 de maio. Além disso, a companhia já projeta novas demissões ao longo do segundo semestre deste ano, embora ainda não tenha detalhado oficialmente esses planos. Durante a reunião, Zuckerberg também procurou afastar a ideia de que os cortes estariam ligados diretamente à reestruturação da empresa em torno de uma nova organização “nativa de IA” ou ao desenvolvimento de agentes autônomos capazes de executar tarefas humanas. “Fazer com que todos usem internamente as ferramentas de IA e fazer o trabalho de forma mais eficiente não é o que está causando as demissões”, afirmou. Ainda assim, ele reconheceu incertezas sobre o futuro: “Veremos como todas essas coisas evoluem” e disse que a empresa “poderá compartilhar mais em breve”. O CEO admitiu não ter previsões claras sobre o impacto dessas mudanças no médio prazo. “Eu gostaria de poder dizer a vocês que tenho um plano de bola de cristal para os próximos três anos sobre como tudo isso vai se desenrolar. Não tenho. Acho que ninguém tem”, declarou. Internamente, o silêncio inicial da empresa sobre as demissões gerou forte reação entre funcionários. Parte deles criticou abertamente a liderança da Meta em fóruns corporativos, especialmente diante da simultaneidade entre cortes e anúncios de uma transformação estrutural baseada em inteligência artificial. Entre as iniciativas recentes, está também a implementação de sistemas para monitorar atividades como movimentos do mouse, cliques e digitação, com o objetivo de treinar ferramentas de IA. O cenário evidencia o desafio enfrentado por grandes empresas de tecnologia ao equilibrar investimentos em inovação com a manutenção de suas equipes, em meio a uma corrida global pela liderança em inteligência artificial.