Raniele lamenta fim de invencibilidade com Diniz e compara ano escolar com trabalho no Corinthians
5 May, 2026
Raniele lamenta fim de invencibilidade com Diniz e compara ano escolar com trabalho no Corinthians O Corinthians se prepara para encarar o Independiente Santa Fe, da Colômbia, após a primeira derrota de Fernando Diniz no comando técnico. O volante Raniele relembrou o tropeço diante do Mirassol, no último domingo, depois de sete jogos de invencibilidade. "Ficamos chateados por ter perdido. Estávamos com esse tesão de não tomar gol. Isso estava nos alimentando, nos dando uma energia enorme. A gente até falava sobre o recorde, sobre a sequência sem tomar gols. Era importante demais; a gente poderia se isolar na história do Corinthians com mais partidas sem tomar gols. Seria importante demais. O fato da derrota se passa por vários aspectos. A gente vinha de uma sequência pesada, o campo do Mirassol é bom, mas, depois que você começa a jogar, ele começa a soltar um pouco de grama e dificulta um pouco no domínio", iniciou em entrevista coletiva nesta terça-feira, em Bogotá. O novo treinador não só estava sem perder, como também não viu a equipe sofrer gols desde o início do trabalho. Raniele reconheceu as dificuldades do elenco diante da marcação do time paulista e destacou a extensa lista de desfalques, mas ponderou sobre o "conjunto da obra" para a primeira derrota com o técnico. "É um time que pressionava alto. Nos faltou entender essa diferença, porque nos últimos jogos não pegamos times que pressionavam tão bem, tão rápido como eles. Faltou entender isso. Foi um jogo que começou e parou por conta de um apagão, querendo ou não, seu corpo dá uma esfriada. Se passou por muitos aspectos, um jogo com muitos desfalques. A derrota não se deu somente porque estávamos sem energia, também por isso, mas há vários aspectos. O conjunto da obra nos trouxe esse resultado negativo, agora já passou e temos que focar no jogo de amanhã, será um desafio enorme. Esperamos deixar esse revés para trás e trazer um resultado positivo para o Corinthians", comentou. Mesmo com a derrota, o Corinthians tem motivos para chegar motivado para a quarta rodada da Libertadores. Isso porque o Timão chega com 100% de aproveitamento, vencendo todos os jogos por 2 a 0, com direito à atuação de destaque sobre o Peñarol, do Uruguai, na última quinta-feira. O camisa 14 do Timão abordou a transição do modelo de jogo de Dorival Júnior para Fernando Diniz, comparando a situação com a passagem do ano escolar. "Todo treinador que chega traz consigo suas ideias. Mesma coisa quando você termina um ano na escola e começa um novo ano. Ao fim do ano, você está chateado porque queria que acabasse logo, mas, quando começa um novo ano, são novas ideias, um novo método de ensino, e isso traz um ânimo diferente. É a mesma coisa com o treinador. Cada um traz suas novas ideias e sua metodologia de trabalho, você precisa estar aberto para entender isso. Quando os resultados estão vindo, fica mais fácil ainda de compreender e estar aberto às ideias e às estratégias. Quando o Diniz vem e traz resultados, a gente com certeza vê que o que ele está fazendo está certo." "Temos que nos entregar, entender o que ele tem a passar. Se trata muito disso. Lógico que cada treinador tem sua ideia, mas, quando os resultados vêm, o jogador fica mais aberto a entender, mais aberto a ficar mais no campo, mais na sala de vídeo. Foi assim com a gente. O Diniz tem dosado os treinos, tem entendido quando a gente pode e quando a gente não pode ficar muito tempo no campo, quando é melhor fazer uma recuperação, quando é melhor ficar na fisioterapia. Ele tem sido bem maleável em relação a isso. Nós, como grupo, temos que entender o lado dele também. Ele abre mão de um lado e nós abrimos mão de outro. Os resultados e as sequências nos ajudam desse entendimento", completou Raniele. Mentalidade diferente Fernando Diniz está no Parque São Jorge desde 6 de abril, assumindo o clube em meio à maratona de jogos em abril. Com cinco vitórias, dois empates e uma derrota, Raniele analisou a mudança de mentalidade com o treinador, que é descrito como um profissional atencioso pelo meio-campista. "O Diniz é um cara que dá atenção a todo o grupo. Antes de começar um treino, ele está conversando com um moleque da base que você vai ver e o cara não tem nem um jogo como profissional. Ele procura dar essa atenção para todos. Ora está conversando com os meninos da base, ora está conversando com o Gustavo Henrique, que é um dos mais experientes. Ele procura estar sempre perto do jogador, entender o que o jogador está passando, o momento, a fase que o jogador está, se está bem ou não", explicou. A derrota no último domingo não deve ser um incômodo para o Corinthians, que pode igualar o melhor início do clube na história da Libertadores. "Ele procura dar essa atenção. Ele diz que jogador feliz não machuca. Estamos vindo de uma sequência boa, todo mundo feliz. Graças a Deus, acredito eu, não tivemos lesão, salvo engano. É importantíssimo termos o apoio do treinador, do cara que está ali, que você vê que está dando atenção. Principalmente para quem não está jogando, porque quem está jogando está feliz, está fazendo o seu trabalho. Ele dá atenção para quem não está jogando, isso é importantíssimo. A gente sente um grupo homogêneo e coeso. Isso passa muito pelo trabalho individual que ele faz com cada um", finalizou. O Corinthians lidera o Grupo E, com nove pontos. As equipes se enfrentam nesta quarta-feira, às 21h30, no El Campín, na capital colombiana.