Uso de inteligência artificial cresce na saúde e já alcança 18% dos atendimentos no Brasil
12 May, 2026
A presença da inteligência artificial (IA) no setor da saúde tem avançado no Brasil e já está presente em 18% dos estabelecimentos de atendimento do país. O índice é maior na rede privada, onde a tecnologia é utilizada por 21% das unidades, enquanto no setor público o percentual chega a 11%. Os dados fazem parte da 12a edição da pesquisa TIC Saúde, divulgada nesta terça-feira (12) pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). O levantamento ouviu 3.270 gestores de estabelecimentos de saúde em todo o país e analisou como tecnologias digitais vêm sendo incorporadas à rotina do setor. De acordo com o estudo, a inteligência artificial já é utilizada principalmente para organizar processos clínicos e administrativos, função adotada por 45% dos estabelecimentos que usam a tecnologia. Em seguida aparecem ações voltadas à segurança digital (36%), melhoria da eficiência dos tratamentos (32%) e apoio logístico (31%). A IA também tem sido aplicada na gestão de recursos humanos e recrutamento (27%), no suporte a diagnósticos médicos (26%) e até no auxílio à dosagem de medicamentos (14%). Segundo o gerente do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), Alexandre Barbosa, o crescimento acelerado da inteligência artificial tornou necessário acompanhar de perto como essas ferramentas estão sendo implementadas nos serviços de saúde. Apesar do avanço, a pesquisa mostra que a adoção da tecnologia ainda enfrenta entraves. Em hospitais com mais de 50 leitos, gestores apontaram os altos custos de implementação como principal obstáculo, citado por 63% dos entrevistados. A falta de prioridade institucional aparece em seguida, com 56%, além de limitações relacionadas à disponibilidade de dados e capacitação profissional, mencionadas por 51%. A coordenadora de projetos de pesquisa do Cetic.br, Luciana Portilho, destaca que a ampliação do uso da IA depende de profissionais capacitados e de regulamentações que garantam segurança no uso da tecnologia, especialmente em um setor que lida diretamente com dados sensíveis e com o cuidado aos pacientes. Além da inteligência artificial, outras tecnologias também têm ganhado espaço na saúde. O levantamento aponta que 9% dos estabelecimentos utilizam internet das coisas e 5% já adotam tecnologias robóticas conectadas à internet. Os serviços digitais voltados aos pacientes também avançaram. A visualização online de exames já é oferecida por 39% das unidades de saúde, enquanto o agendamento virtual de consultas está disponível em 34% dos estabelecimentos e o de exames, em 32%. Fonte: Agência Brasil