MP investiga pagamentos de R$ 676 mil à empresa irregular ligada a funcionário do Corinthians
13 May, 2026
MP investiga pagamentos de R$ 676 mil à empresa irregular ligada a funcionário do Corinthians O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) abriu, nesta terça-feira, uma investigação sobre as irregularidades na contratação da Mega Assessoria Operacional Ltda, empresa que teria prestado serviços de segurança armada no Parque São Jorge entre setembro e outubro de 2025, sem contrato assinado com o clube. A informação foi divulgada pelo Uol Esporte e confirmada pelo Meu Timão. Segundo a portaria que instaurou o processo investigatório, assinada pelo promotor Cássio Conserino, à qual a reportagem teve acesso, serão apurados possíveis crimes de furto, falsidade ideológica, crimes tributários, entre outros. O MP reuniu, como alguns dos indícios para a abertura da investigação, além da falta de contrato formal, a ausência de autorizações da Polícia Federal e do Exército, e o endereço associado à empresa, que indica uma residência comum. Além disso, o documento aponta a emissão de notas fiscais sequenciais (01, 02 e 03) em um curto período de tempo, sem outras emissões registradas, prática geralmente associada a empresas fantasmas ou de fachada. Em uma das notas fiscais obtidas, a Mega Assessoria Operacional Ltda é apontada como a prestadora e a contratante do serviço, situação que o MP classifica como "clara irregularidade". A somatória dos valores que constam nas notas é de R$ 676 mil. O documento aponta como principais suspeitos Fernando José da Silva, à época gerente operacional do clube, em cujo nome estava registrada a Mega Assessoria Operacional Ltda, e Fábio Soares Souza, diretor administrativo do Corinthians, que teria solicitado a abertura da empresa. O nome de Ricardo Okabe, superintendente administrativo do clube, também é citado no documento como anuente da criação da prestadora de serviços. A portaria determina que o Corinthians forneça detalhes, com a apresentação de documentos formais, sobre a contratação da empresa, além de solicitar informações sobre as atividades de Fernando no clube. O MP ainda investigará a Mega Assessoria Operacional Ltda na Receita Federal, além de interrogar Fernando e Fábio por meio de oitivas agendadas para o dia 26 de maio. Relembre o caso A Mega Assessoria Operacional Ltda foi criada em 3 de julho de 2025 por Fernando José da Silva, então gerente operacional do clube social e atualmente gerente operacional do CT alvinegro. A empresa de segurança foi contratada informalmente pelo Corinthians entre setembro e outubro daquele ano, período em que Osmar Stabile atuava como presidente interino. O vínculo não possui registro oficial assinado e se deu com base em orientações verbais da diretoria administrativa, segundo informações do portal Sports Insider. Ao todo, três notas fiscais emitidas pela empresa somaram R$ 676 mil. Os documentos registraram valores de R$ 244.627,66, em 11 de setembro; R$ 208.350, em 23 de setembro; e R$ 223.650, em 21 de outubro. Nas descrições, os serviços aparecem, respectivamente, como “assessoria de qualquer natureza”, “consultoria econômica” e “vigilância”. Fernando afirmou inicialmente que a empresa foi aberta a pedido de Fábio Soares, diretor administrativo do Corinthians, para viabilizar o pagamento de profissionais recém-contratados para a vigilância e o controle de acesso do Parque São Jorge. Posteriormente, porém, o gerente operacional mudou sua versão, alegando que a solicitação, na verdade, teria partido diretamente de Stabile, que teria autorizado a contratação de pessoas em nome do clube pelo prazo de 60 dias. “Foi uma solicitação do presidente. Tinha duas empresas lá que o presidente tirou, que estavam envolvidas com o crime organizado e, para proteção do clube, ele pediu para emergencialmente serem contratados policiais militares aposentados para fazer a segurança. A Mega Assessoria foi feita para poder fazer o pagamento dessas pessoas. Foi uma questão emergencial, não tinha como”, afirmou Fernando. A necessidade de trocar a equipe de vigilância teria surgido após a posse de Stabile, em maio de 2025, ocorrida assim que Augusto Melo foi afastado cautelarmente da presidência corinthiana pelo Conselho Deliberativo (CD). O clube identificou irregularidades nas empresas que prestavam esse serviço até então e decidiu substituir os profissionais responsáveis pela segurança. Osmar Stabile se tornou presidente em definitivo no final de agosto, após impeachment de Augusto. Como os novos profissionais não foram contratados pelo regime CLT, a diretoria buscou uma alternativa para realizar os pagamentos. A solução encontrada foi a abertura da empresa em nome de Fernando, em julho daquele ano. No entanto, os pagamentos foram interrompidos depois que Ricardo Okabe, superintendente administrativo da Neo Química Arena e pessoa de confiança de Stabile, apontou que o modelo de repasse não era adequado aos padrões de governança do Corinthians.