Brasil quer criar cadeia nacional de hardware para IA

admin
16 May, 2026
O secretário de Ciência e Tecnologia para a Transformação Digital do MCTI (Ministério de Ciência Tecnologia e Inovação), Henrique Miguel, afirmou que o governo brasileiro trabalha para desenvolver uma infraestrutura própria de inteligência artificial a fim de reduzir a dependência externa de supercomputadores e de hardware avançado. Segundo ele, o país já tem protótipos nacionais de placas voltadas à IA e negocia cooperação com Europa, Índia e China para desenvolver arquiteturas menores de HPCs (computadores de alto desempenho) até 2027. [shortcode-newsletter] “Nós começamos a pensar em construir alternativas que possam trazer uma soberania ou uma condição mais favorável quanto ao acesso aos supercomputadores”, afirmou em entrevista ao Poder360. Segundo ele, “os supercomputadores são dominados também por grandes empresas” e “tudo depende realmente de uma infraestrutura computacional”. Henrique Miguel declarou que o governo estruturou linhas de pesquisa em parceria com outros países para buscar soluções “baseadas principalmente em padrões abertos”. Segundo ele, “o grande segredo é a parceria e a cooperação”. [caption id="attachment_2423426" align="alignnone" width="2560"] O secretário de Ciência e Tecnologia para a Transformação Digital do MCTI (Ministério de Ciência Tecnologia e Inovação), Henrique Miguel | Victor Corrêa/Poder360[/caption] O secretário disse que os “primeiros resultados estão surgindo agora” e afirmou que o país “já tem alguns protótipos” de placas processadoras que devem ser transformadas em GPUs (Unidade de Processamento Gráfico) voltadas à inteligência artificial. Segundo ele, esses componentes poderão operar em conjunto para formar “uma estrutura de um mini HPC”. Os HPCs são sistemas formados por milhares de processadores trabalhando em conjunto para executar cálculos complexos em alta velocidade. Já as GPUs são chips consideradas como peças essenciais para o treinamento de modelos de IA. Henrique Miguel afirmou que universidades e centros de pesquisa brasileiros já formam um ecossistema relevante em inteligência artificial, mas precisam de mais infraestrutura e investimentos para acompanhar o avanço tecnológico de empresas privadas e de outros países. “Precisamos atualizar rapidamente a infraestrutura dessas universidades”, declarou. Segundo ele, o país já possui “equipes de professores e pesquisadores” e instituições conectadas ao setor privado. Citou como exemplo a UFG (Universidade de Goiás), considerada pioneira na área. A universidade desenvolveu o Ceia (Centro de Excelência em Inteligência Artificial), que realiza parcerias com empresas de grande porte do setor privado –entre elas, chegou a colaborar com a Nvidia e o Google. Sobre o PBIA (Plano Brasileiro de Inteligência Artificial), Henrique Miguel afirmou que o plano também prevê formação de mão de obra especializada e ampliação do acesso à tecnologia. Segundo ele, “ter uma infraestrutura de supercomputação já voltada para a inteligência artificial será um importante resultado”, mas destacou que o objetivo vai além da compra de máquinas. “Treinar e capacitar pesquisadores” é outro eixo considerado estratégico pelo governo. O PBIA destina um investimento de R$ 23 bilhões em inteligência artificial ao longo de 4 anos (de 2024 a 2028). O plano é dividido em ações de impacto imediato e em ações estruturantes. Atua em 5 eixos: Infraestrutura e Desenvolvimento de IA; Difusão, Formação e Capacitação em IA; IA para Melhoria dos Serviços Públicos; IA para Inovação Empresarial; Apoio ao Processo Regulatório e de Governança da IA. Segundo o MCTI, o plano visa a “desenvolver soluções em IA que melhorem significativamente a qualidade de vida da população”. O secretário também defendeu o desenvolvimento de ferramentas nacionais. Segundo ele, o país precisa “dispor de ferramentas, preferencialmente nativas em português”, mais próximas da realidade brasileira e mais acessíveis à população brasileira. “Tem que ter a máquina, sim, mas tem que saber o que fazer com essa máquina”, declarou Henrique Miguel.