Instituto Baccarelli é novo gestor do Teatro Municipal e Jorge Takla assume direção artística

admin
26 May, 2026
O Instituto Baccarelli é o novo gestor do Teatro Municipal de São Paulo . A entidade será responsável pela programação, pelos grupos artísticos da casa e pelo complexo da Praça das Artes pelos próximos cinco anos, em um contrato de gestão que prevê um orçamento global de cerca de R$ 663 milhões. O diretor teatral Jorge Takla será o novo diretor artístico. O teatro foi gerido nos últimos cinco anos pela Sustenidos , em um contrato que se encerra no dia 1.o de junho. A organização social também concorreu ao edital que selecionou a nova gestora, mas ficou em segundo lugar no parecer da comissão de seleção, divulgado no início de maio. A Sustenidos apresentou recurso pedindo a revisão das notas, o qual foi aceito em parte pela comissão. A mudança das notas, no entanto, não foi suficiente para alterar o resultado – antes da revisão, o Baccarelli alcançou 75,5 e a Sustenidos, 57,5; as notas finais foram 73 e 62,5, respectivamente. Vista aérea do Theatro Municipal de São Paulo, na Praça Ramos de Azevedo A gestão do Municipal é feita pelo modelo de organizações sociais, no qual uma entidade da sociedade civil assume por intermédio de um contrato de gestão assinado com a Prefeitura e fiscalizado pela Fundação Teatro Municipal. A escolha da OS é feita a cada cinco anos. O Instituto Baccarelli foi criado em 1996 e desenvolve um trabalho de formação musical e inclusão social na comunidade de Heliópolis, além de realizar a gestão de 12 unidades dos CEUs, os Centros Educacionais Unificados que fazem parte do sistema educacional da Prefeitura de São Paulo. Processo foi marcado por polêmicas O atual processo passou por percalços. Em setembro do ano passado, o prefeito Ricardo Nunes pediu a rescisão do contrato com a Sustenidos após a entidade se recusar a demitir um funcionário que criticou o ativista político conservador Charlie Kirk nas redes sociais. A rescisão, no entanto, não aconteceu – e foi lançado o edital de chamamento já previsto para a escolha de nova OS. O modelo de edital incomodou parte dos artistas da casa, que viam risco de demissões e de esvaziamento das atividades dos corpos estáveis, como a Orquestra Sinfônica Municipal e o Coro Lírico Municipal. A proposta de edital foi alterada, incorporando algumas das questões levantadas pelos artistas. Ainda assim, em dezembro, a fundação suspendeu o processo de chamamento atendendo a recomendação do Tribunal de Contas do Município, que identificou problemas no edital, como “a ausência de fundamentação para o valor estimado para execução do contrato” e “critérios de julgamento pouco objetivos e metodologicamente inconsistentes, que levariam ao risco de subjetividade na avaliação”, assim como a “redução expressiva das metas artísticas sem justificativa técnica”. Após novas revisões no edital, o processo de chamamento foi retomado. Takla assume comando artístico O nome de Jorge Takla como diretor artístico, que vinha sendo comentado no meio musical, foi confirmado em publicações feitas pelo Baccarelli em postagens em suas redes sociais comemorando a vitória no edital. Um dos principais encenadores em atividade no Brasil, Takla tem como parte central de seu trabalho musicais e óperas. Sua última produção no Municipal foi da ópera Carmen , de Bizet, que subiu ao palco em maio de 2024.