Primeiro leilão de baterias do Brasil deve ocorrer em dezembro

admin
2 Jun, 2026
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), afirmou nesta 3a feira (2.jun.2026) que o governo publicará na 4a feira (3.jun) uma portaria com as diretrizes do 1o leilão de baterias do Brasil. Segundo o ministro, o certame será realizado em dezembro deste ano. O anúncio foi feito em seu perfil na rede social X . Na publicação, Silveira referiu-se de forma indireta à declaração da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) sobre a necessidade de desenvolver tecnologias para armazenar a força dos ventos, feita em 2015 . “Chegou o momento que a presidenta Dilma tanto sonhou. Ela estava certa! [...] É um momento histórico, que vai permitir armazenar a energia gerada pelo vento e pelo sol, exatamente como ela, de forma visionária, previu anos atrás” , disse Silveira. Segundo o ministro, a iniciativa visa a preparar o Brasil para os desafios energéticos do futuro, além de atrair investimentos, gerar empregos, impulsionar inovações tecnológicas e garantir o protagonismo do país na transição energética. CONTEÚDO LOCAL E AUSÊNCIA DE SUBSÍDIOS A publicação da portaria atende a uma promessa feita por Silveira em 22 de maio, durante o Fórum Esfera, no Guarujá (SP). Naquela data, o ministro havia estipulado um prazo de até 15 dias para a divulgação das regras. Inicialmente, o mercado aguardava a realização do leilão em abril deste ano. Durante o evento, o titular de Minas e Energia explicou que o leilão de baterias não ocorreu antes do LRCAP (Leilão de Reserva de Capacidade) devido à complexidade da formulação do modelo. De acordo com Silveira, no mercado internacional, os projetos de armazenamento só prosperaram atrelados a fortes subsídios governamentais, cenário que o Brasil decidiu não adotar. “Precisou ser um debate muito profundo para que a gente possa agora, com segurança, lançar o leilão” , afirmou na ocasião. Para estimular a cadeia produtiva nacional ligada ao setor de armazenamento, o governo também discute a inclusão de mecanismos progressivos de exigência de conteúdo local. O debate atual na pasta é calibrar essa exigência de forma a não inviabilizar financeiramente a disputa. DEMANDA E ECONOMIA NO SISTEMA ELÉTRICO O objetivo do leilão é contratar BESS (Sistemas de Armazenamento de Energia em Baterias, na sigla em inglês) para atuar no SIN (Sistema Interligado Nacional). O uso das baterias é avaliado pelo governo como fundamental para ampliar a segurança e a flexibilidade do sistema diante do crescimento acelerado de fontes renováveis intermitentes, como a energia solar e a eólica. A realização do certame é uma cobrança contínua do setor elétrico. De acordo com o PDE (Plano Decenal de Expansão de Energia) 2035, a projeção é de que o sistema brasileiro demande mais de 6 GW (gigawatts) de baterias até 2035. A Absae (Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia) defende que o modelo já tem maturidade operacional e não deve ser tratado apenas como tecnologia experimental. Segundo estudos citados pela entidade, a substituição do acionamento de usinas termelétricas fósseis pelos sistemas de baterias pode gerar uma economia de mais de R$ 3 bilhões anuais para o setor. Para o presidente da Absae, Markus Vlasits, o mercado brasileiro ainda engatinha em políticas públicas, mas os sistemas de baterias já representam a solução de menor custo global e são indispensáveis à matriz energética.