Inter lança vestíveis de pagamento para fidelizar cliente de alta gama

admin
2 Jun, 2026
O banco Inter ( Android , iOS ) lançou nesta terça-feira,2, o seu portfólio de dispositivos vestíveis de pagamentos por aproximação para o mercado brasileiro. Batizado como Inter Wearables , a categoria mira principalmente clientes da alta gama e usuários de iOS, algo que representa 30% ou 12 milhões de correntistas. Apesar de almejar esse público com mais poder aquisitivo, os equipamentos podem ser comprados por qualquer consumidor do banco por meio de seu app e e-commerce, o Inter Shop. Uma vez com o equipamento configurado, o usuário pode efetuar pagamentos ao encostar o vestível em qualquer máquina de pagamento, como POS ou até catracas dos metrôs de Rio de Janeiro e São Paulo. As compras podem ser feitas em cartão de crédito e conta global do banco, em dólar ou real. Importante lembrar que pagamentos até R$ 200 seguem a regra da Abecs e não precisam de senha para serem completadas. Inicialmente, a instituição traz pulseira (Inter Wristband) e o anel (Inter Ring) que foram feitos em parceria com um fornecedor austríaco e possuem tecnologia de tokenização da Mastercard. Além da opção de pagamentos por aproximação, os wearables podem ser usados para liberação de acesso e como uma terceira camada de segurança para o app do banco, conforme explicou Rodrigo Gouveia, diretor-executivo de e-commerce e ecossistema do Inter. “O wearable vai servir também como um terceiro fator de acesso dentro do nosso app. Então, por exemplo, o usuário está fazendo o uso do app [transferência ou pagamento, por exemplo]. Eventualmente, a pessoa entra por meio de check-in facial ou senha. Agora, o correntista terá uma terceira opção que é desbloquear com o seu vestível também [ao encostá-lo no celular]. Ou seja, mais uma forma de segurança para pagar boletos e confirmar outras operações”, explicou. Outra vertente que o banco trabalha é um ecossistema de acessos em serviços, como entrada em quartos de hotéis de parceiros do Inter Residence e salas VIPs do Inter em aeroportos. O dispositivo também permite acessos em ambientes, como a própria instituição tem usado para liberar a entrada e saída de funcionários em sua sede em Belo Horizonte e nos escritórios em São Paulo e Miami. Isso é feito por meio da API aberta Inter ID e compatibilidade com a tecnologia MIFARE. Diferentemente de outros equipamentos do mercado, os wearables do Inter focam em lifestyle, pagamentos, segurança e acessos, uma vez que é conectada via NFC e não possui bateria. Dito isso, os vestíveis não são focados em saúde e bem-estar. Antes de lançar, o Inter fez testes internos das soluções com 1 mil pessoas, como funcionários, familiares e clientes mais próximos. Disponibilidade Exemplo de pagamento com o anel (divulgação) O Inter Wristband vem nas opções em cerâmica nas cores rosa, preto ou cinza por R$ 465 e metalizados em dourado ou prata por R$ 485. Por sua vez, a pulseira tem o preço inicial de R$ 349 nas cores branco, preto ou laranja. Após adquirido, o equipamento chega ao consumidor em até sete dias. Comercializados pelo Inter Shop no app do banco, o anel tem uma ferramenta digital que permite ao usuário definir o tamanho do wearable para o seu dedo. Mas também tem a opção de enviar ao consumidor um medidor feito em impressora 3D para confirmar o tamanho certo. Esse medidor também pode ser encontrado em unidades do Inter Café em Belo Horizonte (Belvedere e Meeting Shops), em São Paulo (Ibirapuera e Itaim Bibi), em Curitiba (Arena da Baixada) e nas salas VIP Inter nos aeroportos de Guarulhos (GRU), Curitiba (CWB), Confins (CNF) e Fortaleza (FOR). Próximos passos Rodrigo Gouveia, diretor-executivo do Inter, ao abrir uma porta fictícia no Inter Café no Parque do Ibirapuera em São Paulo (crédito: Henrique Medeiros/Mobile Time) Gouveia confirmou ainda que o Inter Wearables terá um terceiro equipamento, um relógio analógico da Acto . Atualmente uma das principais micromarcas de relógio do país, a fabricante trará uma peça totalmente manual com caixa e movimento japonês. Este equipamento está sendo preparado em colaboração com a área de inovação e hardware do Inter (IHD) há dois anos e terá dois chips de cartões, um para pagamento em dólar e outro em real. A expectativa é que o relógio da Acto seja lançado até a Black Friday de 2026. Tradicionalmente, os relógios da Acto estão em uma categoria de luxo e custam a partir de R$ 5 mil. Outra solução que deve ser lançada em breve são as pulseiras para torcedores de times de futebol. Já estão em preparação as wristbands de Atlético Mineiro, Athletico Paranaense, Fortaleza e Orlando City. Assim como, as pulseiras ganharão localização no futuro. Também está no radar inserir funções de saúde, mas isso depende dos fabricantes de wearables inserirem os sensores de saúde junto com as funções de pagamento e de acesso. O banco também planeja lançar os wearables para seus clientes na Argentina e Estados Unidos no segundo semestre. Análise O pagamento com wearables dedicados não é novidade. A Visa lançou uma experiência com pulseira e depois com relógio da Swatch nas Olimpíadas do Rio em 2016. Entre empresas de cartão, a Trigg disponibilizou por um bom tempo aos seus consumidores na mesma época. Mas essas experiências não avançaram e foram ultrapassadas pelas carteiras nos celulares e cartões de plástico com NFC. Para efeito de comparação, o pagamento por aproximação representa 75% de todas as transações presenciais no primeiro trimestre de 2026, um salto de 66,8 pontos percentuais em cinco anos, segundo a Abecs . Em um ano, o aumento foi de 5,2 p.p. Em transações, o pagamento com NFC chegou a R$ 504,8 bilhões no primeiro trimestre de 2026, incremento de 19,3%, na comparação com o mesmo período de 2025, quando chegou a R$ 423 bilhões. Durante conversa com Mobile Time na manhã desta terça-feira, os executivos do Inter explicaram que os wearables não avançaram nos pagamentos por alguns fatores: O parque de maquininhas para aceitar pagamentos em NFC não era tão vasto; As pulseiras eram desconfortáveis, grandes e não focavam em estilo de vida, ou seja, a inserção do wearable como parte do cotidiano do consumidor; E esses vestíveis usavam apenas um único cartão fixo e não eram tokenizadas. Agora, seja em pulseira, relógio ou anel, o Inter trabalhou com: O design pensado como um acessório de moda diário; O NFC está mais maduro com os comerciantes e consumidores já sabendo as regras de uso do contactless; E as transações passam a ter cartão tokenizado. Mas o principal salto está na inclusão de camadas de segurança, acesso e criação de um ecossistema indo além dos pagamentos. Além do 3FA, o usuário pode gerir a vida do vestível pelo app do banco e cancelar o device quando quiser. Em acesso e ecossistema, Gouveia disse que a ideia é entregar um ecossistema completo a partir da API aberta. Isso passa por construir parcerias, como os clubes para permitir acesso ao estádio em dia de jogo, mas também em casas de shows, hotéis, salas VIP e até carros. O executivo confirmou que o Inter fez um primeiro teste com uma montadora chinesa para testar o uso dos wearables para a abertura do carro, como uma chave. Em paralelo, o banco estuda ainda colocar o contactless em mais vestíveis que estão no dia a dia, como chinelo e camisas de clube.