Colômbia prepara caminho para conectividade satelital D2D

admin
4 Jun, 2026
| Mobile Time Latinoamérica | Diante das mudanças e desafios enfrentados pela indústria de telecomunicações e com o objetivo de ampliar a cobertura de conectividade, a Colômbia avança na exploração de novas alternativas de conexão via satélite que permitam levar serviços de comunicação a áreas onde as redes móveis tradicionais não têm cobertura. Sergio Sotomayor, diretor da Agência Nacional do Espectro (ANE), em conversa com o Mobile Time Latinoamérica durante o Conecta Colombia, confirmou que a entidade está avaliando as mudanças técnicas e regulatórias necessárias para facilitar o desenvolvimento de serviços Direct-to-Device (D2D) no país. Com o recente piloto realizado no páramo de Sumapaz, área rural de Bogotá sem cobertura de conectividade móvel, a ANE busca incentivar o setor a ingressar nessa alternativa de negócio. Trata-se de uma capacidade que já começa a ser implantada em mercados como Chile e Peru para serviços de emergência e mensagens, e à qual a Colômbia pretende se somar. “Queremos explorar todas as alternativas que possam gerar opções de conectividade. Como todas essas alternativas passam pelo espectro, estamos analisando o que precisamos fazer para viabilizar isso”, explicou Sotomayor. Para o executivo, do ponto de vista regulatório, não existem obstáculos para os serviços móveis via satélite tradicionais. No entanto, quando se trata de utilizar as mesmas faixas de frequência empregadas pelas redes móveis terrestres para comunicações satelitais diretas, surgem desafios técnicos e jurídicos que exigem ajustes normativos. Segundo ele, países como Estados Unidos e Canadá já estabeleceram condições especiais para permitir esse tipo de operação, enquanto a Colômbia avalia quais mudanças seriam necessárias para facilitar sua implementação local. “Estamos trabalhando para criar as condições para que isso aconteça e, ao mesmo tempo, promovendo testes-piloto, na expectativa de que os operadores locais se envolvam”, afirmou. Piloto demonstrou viabilidade técnica Na semana passada, a ANE realizou um teste-piloto de comunicações satelitais de emergência em Sumapaz. A iniciativa utilizou a infraestrutura satelital da Viasat, por meio de um dispositivo Android, e permitiu comprovar que a tecnologia pode funcionar em qualquer ponto do território nacional coberto pelo satélite. No entanto, o principal desafio já não é tecnológico, mas institucional. “Do ponto de vista das telecomunicações, teria funcionado da mesma forma em qualquer canto do país. O importante é coordenar com as entidades responsáveis pelo atendimento às emergências para que exista uma resposta efetiva”, afirmou. Nesse sentido, ele ressaltou que a implementação desses serviços requer a participação de órgãos de segurança, atendimento de emergências e autoridades locais, além dos atores do setor de telecomunicações. Participação dos fabricantes A ANE também busca incentivar a participação de fabricantes de dispositivos e operadoras móveis no desenvolvimento dessas soluções. Sotomayor destacou que vários smartphones já incorporam capacidades de comunicação satelital para emergências, incluindo aparelhos Android e dispositivos da Apple. O teste-piloto foi realizado com a Viasat, mas o convite está aberto a todos os fabricantes. Embora reconheça que as operadoras colombianas ainda não tenham anunciado publicamente projetos de conectividade direta ao celular, ele considera que a adoção dessa tecnologia é apenas uma questão de tempo. “Queremos mostrar que isso funciona, gerar interesse e evitar que a Colômbia fique para trás. Se outros atores do ecossistema avançarem, certamente as operadoras também acabarão se envolvendo”, afirmou. A visão da entidade é que as comunicações satelitais diretas ao dispositivo se tornem um complemento às redes móveis tradicionais, especialmente para ampliar a cobertura em áreas rurais, remotas ou afetadas por emergências, onde a infraestrutura terrestre é insuficiente. Coordenação regional com o Brasil Como parte desses esforços, a ANE está em conversas com o Brasil para participar de um teste-piloto regional com transmissão de dados. A iniciativa prevê o uso de infraestrutura instalada em território brasileiro para interconectar redes terrestres e satelitais. De acordo com Sotomayor, essa cooperação permitiria à Colômbia avançar mais rapidamente na avaliação técnica desses serviços, sem a necessidade de implantar inicialmente infraestrutura própria