Israel ataca novamente o Líbano após Hezbollah rejeitar cessar-fogo
5 Jun, 2026
Israel lançou novos ataques nesta sexta-feira (5) no sul do Líbano e emitiu ordens de evacuação em várias cidades da região, após o grupo pró-Irã Hezbollah rejeitar um cessar-fogo. Sete pessoas morreram em ataques aéreos israelenses realizados durante a noite contra a cidade de Tiro, no sul do Líbano, informou uma fonte da Defesa Civil libanesa. Um ataque nas proximidades do Hospital Jabal Amel deixou quatro mortos e sete feridos, além de causar danos leves, enquanto outra ofensiva matou três pessoas e feriu cinco, incluindo duas crianças.Paralelamente, o exército israelense anunciou ataques contra o Hezbollah em três locais ao norte do rio Litani, a cerca de 40 quilômetros da fronteira, e ordenou a evacuação da população localO Líbano foi arrastado para a guerra no Oriente Médio em 2 de março, desencadeada pelos ataques israelenses e americanos ao Irã em 28 de fevereiro, quando o Hezbollah atacou Israel em solidariedade após a morte do líder supremo iraniano.Segundo o Ministério da Saúde libanês, os ataques israelenses mataram pelo menos 3.526 pessoas desde março. Do lado israelense, 27 soldados e um terceirizado civil morreram.Este conflito dificulta as negociações entre Washington e Teerã, que exige um cessar-fogo completo no Líbano como parte de qualquer possível acordo, e também tensionou as relações entre os Estados Unidos e Israel.No início desta semana, o presidente dos EUA, Donald Trump, criticou seu aliado e primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, chamando-o de "louco" por ameaçar bombardear Beirute e colocar em risco as negociações com o Irã.Após dois dias de negociações em Washington, representantes dos governos israelense e libanês concordaram com um cessar-fogo. No entanto, o movimento pró-Irã Hezbollah, que exerce considerável influência no Líbano, rejeitou o acordo e exigiu um cessar-fogo abrangente e a retirada completa de Israel do sul do Líbano.Desde o início da guerra com o Irã, Israel realizou sua incursão mais profunda em território libanês em duas décadas.O porta-voz em árabe do exército israelense, Avichay Adraee, alertou nesta sexta-feira os moradores de várias cidades no sul do Líbano, um histórico reduto do Hezbollah que frequentemente lança ataques contra o norte de Israel a partir dali."Qualquer pessoa que esteja perto de operativos do Hezbollah, suas instalações ou suas armas está colocando sua vida em perigo!", publicou Adraee no X.A NNA, agência de notícias oficial do Líbano, relatou um deslocamento em massa de pessoas em três das aldeias afetadas e um ataque a uma delas."Liberdade para matar" Durante a noite, ataques aéreos israelenses mataram sete pessoas na cidade libanesa de Tiro, segundo uma fonte da Defesa Civil Libanesa. Quatro pessoas morreram perto do Hospital Jabal Amel e outras três em uma área residencial."Eu estava no quarto do hospital onde minha mãe estava internada quando houve uma forte explosão. Ela já havia escapado milagrosamente do primeiro ataque [na segunda-feira], quando estava na UTI", disse Marwan Ghorayeb, um oficial aposentado das forças de segurança."Minha casa na aldeia foi destruída, minha casa em Tiro também; não nos restou nada além da roupa do corpo", acrescentou.O líder do Hezbollah, Naim Qasem, rejeitou nesta quinta-feira o cessar-fogo anunciado por enviados libaneses e israelenses em Washington, que estipulava que o grupo interromperia seus ataques contra Israel."O cessar-fogo deve ser global (...) sem que o inimigo israelense tenha liberdade para matar", declarou Qasem, e instou o governo libanês a pôr fim "à farsa e à humilhação das chamadas negociações diretas" com Israel.O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, declarou que o exército "continuará suas operações aéreas e terrestres (...) enquanto continuar desmantelando a infraestrutura terrorista". Ele também afirmou que as forças israelenses estão "livres" para atacar Beirute, a capital libanesa, caso o Hezbollah ataque comunidades israelenses.Enquanto isso, a ONU dobrou seu apelo por ajuda humanitária para o Líbano nesta sexta-feira, elevando o valor para 640 milhões de dólares (3,2 bilhões de reais)."O deslocamento repetido, a capacidade insuficiente de acomodação e as perspectivas limitadas de retorno seguro exacerbam a vulnerabilidade", declarou o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).