Falta de disciplina tática explica cautela de Ancelotti com Endrick na Copa

admin
15 Jun, 2026
Resumo Endrick entrou em campo e teve impacto imediato nos amistosos diante de Croácia, em março, Panamá, em maio, e Egito, em junho. Ainda assim, na estreia do Brasil na Copa do Mundo diante do Marrocos, 1 a 1 no último sábado, o técnico Carlo Ancelotti escalou Igor Thiago no ataque. Quando decidiu tirar o centroavante, criticado por gols perdidos não só contra Marrocos, mas contra o Egito, o treinador colocou Matheus Cunha. Endrick ficou no aquecimento até o italiano esgotar suas substituições. Com isso, uma pergunta é ouvida de torcedores, jornalistas e comentarista. Por que Ancelotti reluta em dar minutos a Endrick? O UOL apurou algumas respostas. Sim, Ancelotti vê Endrick como um jogador jovem de grande potencial. E acredita que pode prepará-lo para jogar já neste Mundial. Há, entretanto, um desafio: a falta de obediência tática do jovem atacante em relação às funções que o treinador espera de um centroavante. E essas funções vão além de gols e ações sem a bola. Ancelotti espera que o atacante mais adiantado exerça uma marcação pressão forte na saída de bola rival. Embora seja capaz disso, Endrick tem como uma característica própria voltar com certa frequência para buscar a bola em posições mais recuadas. Por isso, acaba ficando fora de posição para exercer essa pressão sem a bola. O treinador tem trabalhado taticamente com o centroavante para que não retorne tanto e mantenha sua posição na frente. Não é, entretanto, tão simples. Pessoas que acompanharam o dia a dia de Endrick na seleção brasileira relatam que o atacante, embora mostre grande talento nos treinamentos, tem como característica muito forte o improviso e a tomada das próprias decisões, algo atribuído também à juventude. Ao receber instruções e correções nas atividades, ele nem sempre as assimila e as cumpre rapidamente. Em um exemplo dado à reportagem, o treinador o orienta para dominar uma bola em vez de arrematar de primeira. Ao ouvir a instrução, o jogador aceita e concorda. Em uma jogada seguinte, similar, ele repete a mesma jogada que tinha sido corrigida e chuta de primeira. Pessoas ligadas ao estafe do atacante defendem que o impacto dele em campo mostra que a parte tática e sem a bola não é um problema no seu jogo. A comissão técnica não considera a postura problemática ou fora do normal. Para o italiano e seus assistentes, são etapas naturais na evolução de um jogador muito jovem e extremamente talentoso. Ainda assim, esperam evolução na consciência e posicionamento tático para que ele tenha oportunidade de ter maiores impactos no Mundial. O Brasil volta a campo pela Copa do Mundo na sexta-feira, dia 19, diante do Haiti, na Filadélfia. Colaborou Danilo Lavieri, em Nova Jersey